O gato estava deitado na porta da sala com a cozinha,
Um gato negro, mas não só negro. Negro e branco.
Gordo e curioso era o gato, seus olhos aguçados e penetrantes
Tocavam-me como uma mãe que zela seu filho recém-nascido,
Mas o gato zelava a passagem da casa grande para a senzala.
E olhava ao redor como se fosse um príncipe
E miava pedindo salmão.
Lorena, negra linda trabalhadera, obedecia o gato.
Salmão no prato, o gato
Nem miava pra agradecer.
Como se em seu instinto já soubesse que era obrigação de Lorena servi-lo.
Pros patrões o gato era Caronte,
Já pros da cozinha São Pedro era o gato.
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