segunda-feira, 2 de junho de 2008

Uns mortos.

Apenas os mortos sabem o que é felicidade,
Apenas os mortos amam de verdade...
Os mortos amam o limbo do caixão
E o fundo da terra, as raízes, os vermes.
Os mortos amam os vermes
E detestam os velhos costumes.
Os mortos deixam de ser matéria
Passam a ser passado.
Os mortos são feitos de lembranças
Das lágrimas de quem ficou.
Os mortos não choram, eles são felizes.
Os mortos transferem suas cicatrizes
Para aqueles que não sabem dizer não.
Os mortos não sentem solidão,
São gelados, cabeludos, são carne em decomposição.
Depois, os mortos são montes de ossos,
E o crânio do morto mais gentil
Provocará repulsa no assassino mais frio.
O crânio é símbolo macabro
E não importa de quem tenha sido.
O morto não quer respeito,
Ele já morreu,
O morto é muito mais feliz do que eu.
Os mortos estão aconchegados na terra
E eu ainda não encontrei o meu lugar.
Talvez o morto em mim
Queira, aos poucos, despertar.

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