Sabe, Lavignia, o céu não está mais tão azul. Acho que estou com câncer, estou muito silencioso, tão silencioso quanto um torcedor fanático numa segunda-feira de manhã depois do rebaixamento. Depois que você foi embora eu nunca mais consegui escutar aquele disco do Vivaldi, o inverno me parece tão robusto e confuso. Acho mesmo que não tem explicação, é só medo mesmo. Gostaria de te ver antes que você parta para a África, tantos trens descarrilam nesses adeuses sem fim. O rio continua o mesmo desde que você partiu, parece que a sua ausência para o tempo, aliás, parece não. Ela para o tempo. Por isso queria que você viesse ao menos um final de semana para bebermos vinho barato e fumarmos maconha juntos, depois poderemos sair ou ficar escutando algum disco de jazz ou do The cure que você tanto gosta. Isso seria tão prazeroso para mim...
domingo, 10 de agosto de 2008
Fragmento da carta a uma certa Lavignia
Sabe, Lavignia, o céu não está mais tão azul. Acho que estou com câncer, estou muito silencioso, tão silencioso quanto um torcedor fanático numa segunda-feira de manhã depois do rebaixamento. Depois que você foi embora eu nunca mais consegui escutar aquele disco do Vivaldi, o inverno me parece tão robusto e confuso. Acho mesmo que não tem explicação, é só medo mesmo. Gostaria de te ver antes que você parta para a África, tantos trens descarrilam nesses adeuses sem fim. O rio continua o mesmo desde que você partiu, parece que a sua ausência para o tempo, aliás, parece não. Ela para o tempo. Por isso queria que você viesse ao menos um final de semana para bebermos vinho barato e fumarmos maconha juntos, depois poderemos sair ou ficar escutando algum disco de jazz ou do The cure que você tanto gosta. Isso seria tão prazeroso para mim...
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