domingo, 10 de agosto de 2008

Fragmento da carta a uma certa Lavignia


Sabe, Lavignia, o céu não está mais tão azul. Acho que estou com câncer, estou muito silencioso, tão silencioso quanto um torcedor fanático numa segunda-feira de manhã depois do rebaixamento. Depois que você foi embora eu nunca mais consegui escutar aquele disco do Vivaldi, o inverno me parece tão robusto e confuso. Acho mesmo que não tem explicação, é só medo mesmo. Gostaria de te ver antes que você parta para a África, tantos trens descarrilam nesses adeuses sem fim. O rio continua o mesmo desde que você partiu, parece que a sua ausência para o tempo, aliás, parece não. Ela para o tempo. Por isso queria que você viesse ao menos um final de semana para bebermos vinho barato e fumarmos maconha juntos, depois poderemos sair ou ficar escutando algum disco de jazz ou do The cure que você tanto gosta. Isso seria tão prazeroso para mim...

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