My little darling, por que me mandas estas cartas dizendo coisas que eu nunca entendo? E estes tais segredos que dizes, quando trocamos e quais são? Não me lembro de ter lhe contado nenhum segredo. E de mais, por que me dizes de uma certa noite em que tocou as minhas partes intimas? Sabe amiga, tu sabes mais do que ninguém que meu hímen ainda está intacto, não sabes? Olha, eu não sei por que falas assim do Roberto. Ele é tão gentil conosco, é um amigo de verdade, apesar de ás vezes parecer um tanto infantil a me enche a cuca dizendo que me ama e coisas do tipo. Eu sei que ele não me ama e também sei que ele adora esses jogos de sedução. Mas no final das contas é uma ótima pessoa, um bom ombro para chorar quando se está desiludida, um amigo fiel, aliás, até mais fiel do que você que já me faltou com a amizade uma vez.
Marcela, não me enchas mais com essas suas conversas corriqueiras. Não entendo do que falas. Ás vezes você me parece uma personagem do Bukowski. Você leva muito á sério esses assuntos libertinos. Devia pensar mais em outras coisas, coisas mais importantes. Qualquer dia destes, você pegará uma doença de algum destes garotos com quem anda por aí a cometer esses atos sujos. Sabia que tem uma amiga minha que pegou do namorado uma doença chamada sífilis? Dizem por aí que o Baudelaire morreu disto, de sífilis, e que lhe fora transmitida por uma de suas “flores do mal”.
Esta semana quando saia do meu trabalho conheci um rapaz chamado Hermes, como o da mitologia grega. É verdade que ele tem uma cara de ser meio sonso, e não rias da cara dele se acaso o encontrar na rua a meu lado. Ás vezes é meigo demais, mas é uma doçura aquele olhar ingênuo. Primeiro, pedi a ele que saíssemos de perto do escritório (não gosto que me vejam conversado com homens, pois dentro do escritório sou uma moça séria e recatada, não que também não seja isto quando estou na rua, mas lá preciso ser mais recatada ainda), depois pedi a ele que me levasse a algum lugar de que gostasse, e adivinha onde me levou? Numa sorveteria amiga, numa sorveteria. Veja só que romântico... Pena que ele não seja tão atirado quanto Roberto, pois se não fosse tão amiga dele certamente seriamos belos amantes. O problema de Roberto é que ele se transforma para conseguir o que quer, ou achas que eu acredito naquela pose dele de romântico?
Ah, my dear, ando me aprofundando na arte do romance. Às vezes me sinto como uma personagem dos livros de Castelo Branco, apaixonada perdidamente por um homem tolo, mas logo vejo o quão tolo é este homem e logo desisto de amá-lo. Até quando dar-me-ei a qualquer um?(repare na mesóclise que fiz em homenagem a Mariana)
Já estou cansada de procurar um tipo que me satisfaça em todos os aspectos. Às vezes penso em entregar a minha virgindade a qualquer um pulha que me aparecer na frente, mas logo desisto, pois se já aguardei até hoje... Sabe que o Roberto é um ótimo candidato. Ele é meu amigo e carinhoso como nenhum outro, apesar disto ser apenas uma casca que ele cria para conseguir penetrar aquela sua pica torta (sei disto porque ele me disse certo dia) em minha amada virgenzita.
Voltando a sua carta, amiga, o que queres dizer quando falas em uma certa noite em sentiu o gosto puro da minha... Não sei que noite foi esta, aliás, você me assusta quando diz estas bobagens. Acho mesmo que esta ficando louca, Marcela. Por isso acho melhor não nos encontrarmos. E se você quer saber, o Roberto ainda anda a me perseguir. Certo dia dei-lhe um beijo. Precisava ver a carinha de felicidade dele. Depois inventei uma briga para que ele não me enchesse com suas asneiras.
Acho mesmo o Roberto um tipo. Achas que convences qualquer uma com seu ar de semi-deus. E se ficou curiosa, amiga, já digo: não sei qual é o tamanho de seu passarinho. Não deixei que encostasse em mim, pois se deixasse, certamente ele iria querer mais do que simples beijos. Sabe, darling, às vezes acho que o amo, mas depois olho-o novamente e vejo aquele olhar sombrio de lobo querendo desvirginar mais uma pobre e indefesa ovelha e desisto de amá-lo.
Hoje irei sair com o Hermes. sei que estas a rir do nome dele, mas eu o acho muito provocante apesar daquele jeito de olhar. O olhar dele, amiga, mais parece de m desses cachorros que vivem pela rua a procura de um dono do que de um homem. Ah, você não sabe, no nosso primeiro beijo ele ficou passando a mão em meus cabelos, como um patético romântico que não sabe o que fazer com uma mulher, mas hei de me divertir com ele ainda. Não dessas diversões que certamente esta a pensar e que insinuas que faço em suas cartas. Sou pura mesmo. E nunca troquei confissões sórdidas com você. Às vezes você me parece a mesma adolescente que conheci no colégio a quatro anos atrás. Falando nisso, diga-me uma coisa: naquele tempo você já era esta pervertida que se tornou hoje?
Fico por aqui porque o Hermes já deve estar me esperando. Hoje vamos no cinema, amiga. O filme, não sei ao certo, mas certamente é um romântico porque o Hermes é um rapaz bem sentimental.
Adeus, amiga, não devemos nos encontrar, você não esta no seu juízo. Acho que o sexo anda a lhe fazer mal. Comece a gastar o seu tempo com coisas mais importante do que sexo, não esta lhe fazendo bem transar com qualquer um. Vai que um dia você caia nas mão de um tipo “Sade” e ele chicotei o corpo todo até sangrar. Por isso tome cuidado minha doce e sórdida amiga. Vigia, que o mundo anda cheio de loucos.
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