Foi na sétima sinfonia que Beethoven descreveu o medo
Como se Deus fosse Leminski
E Bach nos mostrou a tristeza com seus violoncelos
Como se fosse Paulo o primeiro nome de Deus
e se dormir chapado fizesse sonhar com Paulo Leminski
Com seu bigode roxo como de um lutador russo
E se sonhássemos,
Será que acordaríamos com seu sotaque do sul?
Ontem tive a impressão de que Leminski quis falar comigo
Como se ele fosse Deus, ou um deus
E o Murilo Mendes outro
E o Gullar outro
Entre outros muitos seguidores do grande deus chamado Pessoa.
“Em La lucha de versos
Todas las armas son buenas”
As gotas de chuva de Curitiba
Inundavam as ruas e quebravam o silencio
Daqueles jovens ingratos que buscavam a ti
Que liam suas linhas tortas
Eu queria ser um poeta maldito
Bendito seja o teu nome, bandido
E todas as vezes que me lembro do teu grande bigode
Tenho certeza de que tu eras o pai dos irmãos Karamazov
E que tu eras o irmão bastardo que vivia no sul
Tentando tomar um jeito
Tomando uísque falsificado
Acabou tratando os assuntos com Deus
E teus 44
anos de vida e lucha
Musica
Poesia
Fariam falta se não tivessem acontecido
Como as orgias que Sade não fez
Como as coxas que Piva não provou
Como as fotos que Salgado não tirou
É, amigo, tu farias tanta falta
E sua lama na barba e o seu desmanchar-se em charme
“fazia tempo
Que eu não me sentia
Tão sentimental”
Pois é amigo
Pode ser um sinal
Aliás, sua “Lápide 1” é mais legal
“naquela época Curitiba era um mar de bigodes cercada de kimonos por todos os lados...”
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
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