Hoje, nessa tarde ímpar, eu vejo como se não visse:
Uma meia-lua exasperada e negra com a sua anca voltada para baixo;
Uma boca cintilante no canto esquerdo, carnuda vermelha ácida;
Fotos preto e branco de fumaças de cigarros;
Árvores de argila nos telhados das igrejas;
Formas recatadas de sado masoquistas brotando das gretas por todos os lados;
Ventiladores sujos assoprando a miséria para todos os cantos;
Americanos rips transando com índios peruanos sob uma bandeira da coca-cola;
Representantes do partido operário fumando havana como se fosse a ultima migalha da greve;
Uma criança desnutrida vomitando onomatopéias;
Um protestante cego transando com um travesti careca;
Um milionário que tem como principal prazer quebrar braços de bebes recém nascidos;
Suicidas invadindo os lares de família a procura de uma banheira para consumar a própria morte;
Mulheres loiras que teimam em deixar crescer os pêlos pubianos até que não lhes sirvam mais as suas roupas justas;
Pêlos crescendo nos seios das virgens formando assim biquínis naturais;
Universitários puritanos organizando grupos de estudo para entender a sodomia;
Um lavrador explicando ao filho o que são corpos celestes;
A vigésima geração da família de Marx inaugurando mais uma multinacional;
Moab e Amon apontando o dedo para os meus pecados;
E os cadáveres dos anjos que foram estuprados na cidade incendiada Sodoma.
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