quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Revertebrando
Forjando todos os suicídios que eu cometi,
Juntando todos os remédios que fazem sorrir...
Entregue ao júri o banquete de anemia
E ao juiz a palmatória que extorquia
As letras lindas e resultados de frações...
Demonstre ao júri sinceridade e simpatia
E ao juiz integridade e consciência tranqüila,
E não ressoe jamais estes refrões...
Refazendo o meu discurso,
Recompondo a feição
Contracenando com um quase-deus!
“Na sua idade eu era um semi-deus,”(ele dizia)
“Na sua idade eu era a cria pródiga...”(ele dizia)
Contracenando com um quase-deus!
“Na sua idade eu era a filha de Lázaro
Com Maria, a virgem, mãe de um anjo...” (ele dizia)
Revertebrando o meu álibi,
Forjando todos os suicídios que eu cometi,
Juntando todos os remédios que fazem sorrir,
Entregue ao júri o atestado de anemia,
E ao juiz diga tudo que sei fazer bem...
Finja não ter mais covardia
E ser sincero, já que é pro seu bem...
─ O que? Perguntou-me quando lhe disse isso...
─ Não sei, respondi tentando não ser promiscuo...
Contracenando com um quase-deus!
Esconda da opinião publica o que é seu,
Na minha idade eu era tudo menos o céu!
domingo, 20 de janeiro de 2008
Voyeur
─ Vá até a padaria, e peça ao padeiro vinte pães na conta do teu pai! Gritou Iracy da cozinha.
Iracy era grande por todos os lados e triste por todos os cantos. Vivia na casa de mamãe. Logo que ela gritou, já saí correndo porque adorava estar na rua. Naquela época eu era baixinha e magra, o que difere muito de hoje já que sou grande e gorda. Como Iracy era quando vivia na casa de minha mãe. Eu tinha por volta de dez anos e passava o dia trancada em casa junto de meu irmão mais novo e Iracy a prima de minha mãe que cuidava da gente enquanto mamãe trabalhava.
Sair de casa nas tardes era uma alegria indescritível. Primeiro porque a cada vez que eu saia podia ficar provocando o meu irmão. Sabe aquela coisa de irmão ficar provocando inveja no outro, dizendo as coisas que pode fazer que o outro ainda não possa por ser mais novo?
Segundo porque Iracy passava a tarde toda fumando um cigarro atrás do outro. Ela fumava tanto que até hoje eu me lembro a marca de cigarros que ela fumava. Derby, Derby azul, muitas vezes comprados na conta de meu pai na padaria e ele nem sabia. Era horrível ficar o dia inteiro respirando aquele ar impuro que pairava dentro de casa. Meu pai já havia brigado muito com Iracy por causa do cigarro, mas não adiantava ela continuava a fumar o dia inteiro e a casa continuava a cheirar a cinzeiro.
Ao dar o primeiro passo na calçada de casa fitei junto ao pé de goiaba um casal de borboletas enroscado, um sobre o outro, se unindo. Fiquei por alguns instantes olhando aquelas pequeninas e frágeis borboletas, se amando friamente sem demonstrar qualquer tipo de afeto. Eu já sabia o que era aquilo, porque quando visitava Giovana, uma amiga rica, agente ficava assistindo na TV o canal dos bichos.
A minha atenção nas borboletas fora interrompida por gritos de um casal de namorados. Eles brigavam feio, já estavam quase se atacando fisicamente e eu fiquei com um pouco de medo. Não sabia o que fazer então corri rumo à padaria sem olhar para trás.
Quando já havia me distanciado um pouco do casal vi nos fios elétricos dois pombos, enquanto um fugia, o outro o seguia para lhe fazer as suas caricias. Aquele pombo que perseguia, certamente é o macho. Na época eu não entendia bem dessas coisas, mas agora posso afirmar que era certamente o macho. E ela, a pomba fêmea, parecia o chamar para a “dança do amor”. Um jogo da sedução, jogo que só fui aprender alguns anos após este dia em que descrevo. Só que comigo esse jogo não funcionou muito não. Só tive um namorado a muito tempo atrás, foram só alguns meses de namoro. De lá para cá não tive muita sorte com relacionamentos.
Deus parecia querer dizer alguma coisa, pois certamente todos os dias há animais transando por todos os lados, mas eu nunca os notava em minhas caminhadas até a padaria, muito menos quando estava brincando com minhas amigas. Talvez fosse apenas uma coincidência da vida, ou talvez eu estivesse despertando para coisas novas. Coisas que quando se é criança não se nota.
Enfim quando cheguei à padaria e notei um ar estranho no padeiro, ele estava um pouco nervoso com a minha presença. Sempre era muito gentil comigo, mas naquele dia estava com um ar seco e frio. Depois de algum tempo descobri que naquele dia Seu Juca, o dono da padaria, havia encontrado o padeiro que era seu funcionário aos beijos com sua filha. Eu não sei ao certo o que aconteceu, mas sei bem que Seu Juca não gostou nada daquilo.
Caminhei até minha casa aérea, sem ver ou escutar nada, nem o canto dos pássaros e nem os carros passando na rua. Mas quando estava quase no portão de casa, vi aquele casal namorados. Mas agora já não estavam mais brigando, e sim se beijando. E era um beijo... Aquilo sim era um beijo. Aquela foi a primeira vez que eu não senti nojo de um beijo, antes daquilo eu só odiava meninos. Foi depois daquele beijo que eu passei a olhá-los com outros olhos.
Entrei em casa correndo e em passos miúdos, estava atônita... Não sabia o que fazer, nunca havia tido algum sentimento parecido com aquele que acabara de ter. Eu não sabia se era prazer, ou que era. Só sabia que havia gostado tanto que até senti um gosto de chocolate invadir minha boca. Mas aquele sentimento acabou-se instantes depois quando abri a porta do banheiro, e vi Iracy com os olhos saltando e o rosto de susto, mas um susto não tão grande quanto o meu que a pegara com seus dedos amarelados pelo cigarro tocando as partes intimas de seu corpo. Aquilo sim era falta de beijo!
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
A faca
Era uma faca. Sem ponta, sem sangue, cega. Mas mesmo que não tivesse nem a lâmina, seria uma faca. E era. A única coisa que ela podia ser era uma faca. Uma faca sem corte, nem ponta, nem sangue. Ela não cortava, ficava ali em um canto, parada, morta... Mas era uma faca, daquelas que ficam no fundo da gaveta a ninguém vê. Só a enxergam no dia da mudança, e quando isso acontece, a jogam fora. Se em alguma emergência alguém precisar dela, ela estará ali, no canto, parada, morta... Mesmo sem ponta, sem sangue e cega. Ela era fria e linda como a neve. Ela queria ser, e era apenas uma faca.
Dúvida
Outra vez ele estava vencido. Caminhando sem rumo pela cidade depois de ter perdido mais um emprego. O tempo mudara de repente, e o vento soprava contra o seu corpo, seu rosto ainda estava inchado, marcas que as lágrimas deixam quando escorrem do olhos. “Por que será que as lágrimas ferem tanto o rosto?”, pensou. Parecia não pensar em nada, mas seus pensamentos flutuavam como balões de gás e sumiam por entre as nuvens. E ele pensava, pensava em como se superar. Pensava em como superar tudo o que estivesse em seu caminho.
Seus passos eram lentos e por vezes sua boca esboçava sorrisos, sorrisos sem graça, de quem já perdeu tudo o que tinha. Os passos lentos que seu corpo dava contrastavam com os passos ferozes dos outros corpos que por ele passavam. “Mas quem são esses corpos?”, pensou. E sua alma se encheu de alegria.
Uma revolta aconteceu no seu interior quando essa duvida iluminou a sua mente. E seus passos que a pouco eram tristes, agora eram passos de alegria e quase por um milagre as flores nasciam no caminho em que trilhava rumo a sua casa. Agora o emprego já não tinha importância para ele, agora queria saber quem eram aqueles corpos. Sua alma necessitava de uma resposta concreta por isso ela fazia o seu corpo caminhar o mais rápido possível. A dúvida, aquela dúvida era o primeiro passo de sua auto-superação.
Abriu o portão de casa como se fosse a primeira vez, e correu até seu quarto que ficava no ponto mais alto da casa. O quarto era cinza, como parecia ser cinza a cor de sua pele. “O cinza contamina tudo ao seu redor”, ele dizia quando lhe questionavam a sua cor. A cama ficava no centro do quarto, só. Não havia nenhuma outra mobília dentro do quarto. Apenas um porta-retrato sem nenhuma foto. No canto direito da parede do fundo havia uma pequena porta, que a primeira vista quase não se nota que ali há uma porta, pois a porta também é cinza.
Então ele correu ofegante até a porta e em um impulso a abriu. Respirou bem fundo e gritou:
─ Quem são aqueles corpos?
─ Que corpos? Perguntou de volta uma voz rouca e grave.
─ Aqueles que passavam por mim pela rua.
─ Ah... São só corpos! Concluiu a voz.
Após ouvir aquela fria resposta, ele saiu com a cabeça baixa, humilhado, envergonhado. Agora ele estava mais arrasado do que estava antes. Após algum tempo ele fechou aquela pequena porta com tijolos e cimento para que ninguém nunca mais a abrisse. Depois daquele dia, ele nunca mais perguntou nada a Deus.
O removedor
A miséria tomou forma quando o reflexo lhe dava vergonha. E o escaravelho disse:
─ A colheita será ingrata. Falta lhe dedicação. Sejamos claros, sei que o trabalho não é dos melhores, mas há outros tantos piores. Deixemos que os tontos se empreguem nestes trabalhos árduos. Faça do oficio o prazer, o gozo, a súplica do amor de adolescente. O oficio incandescente, “primeira profissão do mundo”!!!
Enquanto escutava a voz das trevas, tragava o cigarro, a língua estava amarrada no tridente. E a criatura infame das trevas se atreveu a mandar flores á morte. Remove essa maquiagem da face e dança um fado! E chora na dança, se cansa e adormece. Ouvindo o gozo, a súplica do amor de adolescente.
domingo, 13 de janeiro de 2008
O ultimo Deus
Estava no bar. Ofereceu à bebida, ela ofereceu o corpo.
─ Pega um copo, disse ele.
Ela olhou as mãos sujas de construção, preferiu arriscar. Mesmo vendo que o demônio assoprava em seu ouvido. Do copo pro corpo no hotel de quinta. Na cama, três. Deus, Uva e Diabo. O ultimo Deus arrancou-lhe os dentes. E feriu a culpa.
─ Sinta-se salva, disse o Ultimo Deus, lambeu-lhe os ouvidos e escarrou em teu rosto. Feriu a mariposa e começou a chorar. Arrancou com o seu velho carro e deixou-a junto dos eucaliptos. Voou engolindo as montanhas como ferozmente consumiu tuas entranhas. Assim o ultimo Deus disse adeus.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Um adeus ao inferno
Desabei sobre o chão, trêmulo. Me livrei do inferno e do veneno.
Depois do açoite, dilacerado, sangrei em lágrimas.
As páginas impressas nestas paredes, rasguei-as com minhas unhas
O gozo e a dor era o que compunha a nossa canção.
Um grito surdo de desespero, outro verdadeiro
de dor pelo enterro do amor que já sentimos.
Agora são farpas a cada ligação,
não há outro jeito, não tem perdão.
Um grito mudo, um muro entre a cama,
Um mundo inteiro que nos espera,
As chagas que sempre nos acompanham
Para me lembrar do que eu era
E do que eu não devo mais ser.
Humanidade
Certo dia vi que a beleza do mundo estava guardada em uma rosa. Tomei-a por minha, feri minhas mãos. Andei do jardim até dentro da casa e o rastro de sangue seguiu-me por todo o caminho, este sim era o caminho da beleza, caminho de sangue, que é a mais pura e infinda beleza. Não lhes digo a beleza humana, o humano não é belo. O humano é algoz de si mesmo, é o usurpador de tudo, é um bando de eucalipto na manada que é o resto do mundo, que o humano seca, cega, e mata. Então o que há de mais belo do que sangue humano? Cortar-se, ferir-se, matar-se é o ato mais belo que pode um humano.
O cofre
E guardo dentro de mim algumas notas,
Mas não dinheiro, as notas são musicais,
E é tu quem toca em um piano triste.
E a cada silencio (das pausas de tuas notas tristes) eu sinto o vazio do cofre, vazio e frio e cheio de notas soltas, tristes e ocas.
II
Seu mais sórdido desejo? Seu primeiro beijo?
Sua tristeza, sua mania de grandeza,
O convite daquela festa, a calcinha daquela noite,
A gozada daquela transa, o ultimo capitulo da novela,
O sapato da Cinderela, a vitrola que ainda está boa,
Um poema do Pessoa, as mentiras do presidente,
Um dente, o ódio do gerente, a tristeza de toda essa gente...
Diga, o que você guardaria?
Nada? O “se” de ser feliz,
O “se” de arriscar, o quase, o tudo.
O não da Beatriz, o choro da atriz,
A lua, a jovem nua, aquela rua,
A minha boca e a tua, a minha roupa e a tua,
O sexo pronto pro prazer,
Alguns serviços por fazer,
O ser, o crer, o quê? O que você guardaria.
Querer
Eu quis ser tudo, sentei e esperei a vida passar.
Eu quis ser tudo, e tive medo de arriscar, medo de falhar e me passar por tolo.
Sentei e esperei a minha hora, mas ela nunca veio,
E eu fiquei velho para usar tal euforia com a vida.
Então olhei a vitrine. Ela refletiu meus olhos,
Não vi nada que não fosse o nada. Vi inferno, olheiras e mais nada.
Eu quis ser tudo, e nada. Quem irá curar as chagas?
Eu quis ser tudo e nada, nem plebeu, nem rei,
Pagão, cristão, bêbado, São...
Eu quis ser tudo, e não fui nada
E tudo que fosse o quase, mas quase não é nada.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Um travesti
Ela estava na esquina, os ponteiros do relógio já marcavam dez para as duas e a noite negra protegia o seu grande corpo. Começou a pensar em como tudo começou, em como havia se tornado uma prostituta. Apenas se lembrava de olhos que não aprovavam o seu comportamento, se lembrava de parentes dizendo: “Vira homem menino, vê se isso é coisa de um menino fazer!”, e da surra que levou quando seu pai achou uma foto do Antonio Fagundes no meio do seu caderno. Mas tudo isso não passava de imagens soltas que agora passavam por sua cabeça, imagens que a assombravam dentro da noite fria pela primeira vez. As estrelas dançavam por entre as tortuosas nuvens, mas ela nem a via, porque a esquina onde ficava era repleta de prédios por todos os lados. Prédios que escondiam o céu, e a sufocavam.
Era a primeira vez que ela pensava naquilo, em como havia se tornado mulher. Apenas se lembrava que havia começado a fazer programa por fome mesmo, por não ter o que comer acabou na rua, transando com qualquer um por vinte reais. Na verdade ela até gostava daquilo, daquele frio na barriga por não saber se iria transar uma ou várias vezes na noite, se iria receber pelo serviço ou não. Ela gostava daquilo, mas evitava pensar nas surras que já havia levado pela noite afora por garotos intolerantes ou por clientes bêbados.
Toda a noite era escura e fria no mês de julho, mas aquela noite parecia mais escura e mais fria. Parecia querer esconder a dor que até agora já avia sentido, ou toda a dor que haveria de sentir. As estrelas se entrelaçavam em uma dança alucinante, ela tentava enxergá-las por entre as pequenas gretas entre um prédio e outro. O vento cortava o seu rosto como uma navalha, e o carrasco que a torturava eram apenas os seus próprios pensamentos.
Houve um tempo em que aquela vida, aqueles seios fartos, as nádegas enormes, e até mesmo a esquina eram vitórias que conseguira sofrendo muito. Quantas lágrimas haviam lhe custado tudo aquilo... Lembrou-se dos olhos do seu pai quando descobriu que ele estava tomando anticoncepcionais, que ele queria ser ela. Lembrou-se também da farda do pai sobre a mesa todas as manhãs.
Como havia custado caro aquela metamorfose, mas neste mudo egoísta a lágrima não tem valor algum. Uma luz vermelha cortou os seus olhos que miravam as estrelas, ela se debruçou sobre o carro e notou o cheiro de álcool que exalava aquele pálido homem. Ele ordenou que ela entrasse, mas ela disse que não iria, deu as costas e voltou para a esquina em que estava anteriormente. Estava tão compenetrada que nem reparou nos maldizeres do motorista alcoolizado.
A esquina que ela ficava era entre a Rua da Glória e a da Tristeza. Em frente a uma loja com grandes vitrines. As luzes saiam da vitrine e iluminava o seu corpo moreno, seus olhos verdes brilhavam como estrelas tristes dentro da noite de horror. A loja era dourada e vendia lustres, à noite só o vigia ficava dentro da loja. Seu nome era Benedito, ele era um simpático velhinho que passava a madrugada toda assobiando e cantarolando as valsas que faziam os bailes da sua época pegarem fogo. No natal passado ela levou um tender para seu Benedito que agradeceu muito o presente. Depois disso ele passou a cumprimentá-la todos os dias na hora em que ela chegava.
Em um instante começou a pensar em como seria se voltasse ao bairro que vivera a infância. Pensou, pensou... Os olhos de “eu sabia!” a assustaram, e a noite mandou outro vento forte e frio para cortar o seu rosto trêmulo, não de frio, mas de angustia. Agora a única coisa que conseguia sentir era medo. Medo de descobrir que era mesmo um monstro e não uma pessoa qualquer. Por que havia feito aquilo consigo, porque havia se tornado aquilo, uma mulher? Um homem que se tornara uma mulher. Outro vento forte bate e seus longos cabelos loiros e cobriram seus olhos, quando retirou o cabelo dos olhos fitou um carro parado e caminhou ferozmente em direção ao carro. Compenetrada em seus pensamentos, nem notou que este era o mesmo carro de minutos atrás, o carro do bêbado.
Quando se deu conta já estava debruçada sobre a janela do carro e escutou o barulho da arma explodindo, desfigurando as plásticas que haviam metamorfoseado um homem e o transformado em mulher. O seu sangue escorreu pela calçada até a sarjeta e parou em uma caixinha de anticoncepcionais. Foi uma moça que jogou aquela caixinha ali para esconder dos pais que estava se prevenindo da gravidez. A polícia foi até o local e um policial ao notar que se tratava de um travesti cuspiu no cadáver. Nem notou que o cadáver era do seu filho mais novo, aquele filho que o frio policial jurou esquecer quando o colocou para fora de casa ao saber que o filho queria ser filha.