<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518</id><updated>2011-04-21T15:49:47.220-07:00</updated><title type='text'>"Aos cacos afiados que me cortam"</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>113</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1905490661466774574</id><published>2008-10-12T17:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T17:59:11.544-07:00</updated><title type='text'>Formas mágicas sobre a areia movediça</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Hoje, nessa tarde ímpar, eu vejo como se não visse:&lt;br /&gt;Uma meia-lua exasperada e negra com a sua anca voltada para baixo;&lt;br /&gt;Uma boca cintilante no canto esquerdo, carnuda vermelha ácida;&lt;br /&gt;Fotos preto e branco de fumaças de cigarros;&lt;br /&gt;Árvores de argila nos telhados das igrejas;&lt;br /&gt;Formas recatadas de sado masoquistas brotando das gretas por todos os lados;&lt;br /&gt;Ventiladores sujos assoprando a miséria para todos os cantos;&lt;br /&gt;Americanos rips transando com índios peruanos sob uma bandeira da coca-cola;&lt;br /&gt;Representantes do partido operário fumando havana como se fosse a ultima migalha da greve;&lt;br /&gt;Uma criança desnutrida vomitando onomatopéias;&lt;br /&gt;Um protestante cego transando com um travesti careca;&lt;br /&gt;Um milionário que tem como principal prazer quebrar braços de bebes recém nascidos;&lt;br /&gt;Suicidas invadindo os lares de família a procura de uma banheira para consumar a própria morte;&lt;br /&gt;Mulheres loiras que teimam em deixar crescer os pêlos pubianos até que não lhes sirvam mais as suas roupas justas;&lt;br /&gt;Pêlos crescendo nos seios das virgens formando assim biquínis naturais;&lt;br /&gt;Universitários puritanos organizando grupos de estudo para entender a sodomia;&lt;br /&gt;Um lavrador explicando ao filho o que são corpos celestes;&lt;br /&gt;A vigésima geração da família de Marx inaugurando mais uma multinacional;&lt;br /&gt;Moab e Amon apontando o dedo para os meus pecados;&lt;br /&gt;E os cadáveres dos anjos que foram estuprados na cidade incendiada Sodoma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1905490661466774574?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1905490661466774574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1905490661466774574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1905490661466774574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1905490661466774574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/10/formas-mgicas-sobre-areia-movedia.html' title='Formas mágicas sobre a areia movediça'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7567977020060024265</id><published>2008-10-12T17:43:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T17:47:22.358-07:00</updated><title type='text'>Segunda carta: de Laura à Marcela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;My little darling, por que me mandas estas cartas dizendo coisas que eu nunca entendo? E estes tais segredos que dizes, quando trocamos e quais são? Não me lembro de ter lhe contado nenhum segredo. E de mais, por que me dizes de uma certa noite em que tocou as minhas partes intimas? Sabe amiga, tu sabes mais do que ninguém que meu hímen ainda está intacto, não sabes? Olha, eu não sei por que falas assim do Roberto. Ele é tão gentil conosco, é um amigo de verdade, apesar de ás vezes parecer um tanto infantil a me enche a cuca dizendo que me ama e coisas do tipo. Eu sei que ele não me ama e também sei que ele adora esses jogos de sedução. Mas no final das contas é uma ótima pessoa, um bom ombro para chorar quando se está desiludida, um amigo fiel, aliás, até mais fiel do que você que já me faltou com a amizade uma vez.&lt;br /&gt;Marcela, não me enchas mais com essas suas conversas corriqueiras. Não entendo do que falas. Ás vezes você me parece uma personagem do Bukowski. Você leva muito á sério esses assuntos libertinos. Devia pensar mais em outras coisas, coisas mais importantes. Qualquer dia destes, você pegará uma doença de algum destes garotos com quem anda por aí a cometer esses atos sujos. Sabia que tem uma amiga minha que pegou do namorado uma doença chamada sífilis? Dizem por aí que o Baudelaire morreu disto, de sífilis, e que lhe fora transmitida por uma de suas “flores do mal”.&lt;br /&gt;Esta semana quando saia do meu trabalho conheci um rapaz chamado Hermes, como o da mitologia grega. É verdade que ele tem uma cara de ser meio sonso, e não rias da cara dele se acaso o encontrar na rua a meu lado. Ás vezes é meigo demais, mas é uma doçura aquele olhar ingênuo. Primeiro, pedi a ele que saíssemos de perto do escritório (não gosto que me vejam conversado com homens, pois dentro do escritório sou uma moça séria e recatada, não que também não seja isto quando estou na rua, mas lá preciso ser mais recatada ainda), depois pedi a ele que me levasse a algum lugar de que gostasse, e adivinha onde me levou? Numa sorveteria amiga, numa sorveteria. Veja só que romântico... Pena que ele não seja tão atirado quanto Roberto, pois se não fosse tão amiga dele certamente seriamos belos amantes. O problema de Roberto é que ele se transforma para conseguir o que quer, ou achas que eu acredito naquela pose dele de romântico?&lt;br /&gt;Ah, my dear, ando me aprofundando na arte do romance. Às vezes me sinto como uma personagem dos livros de Castelo Branco, apaixonada perdidamente por um homem tolo, mas logo vejo o quão tolo é este homem e logo desisto de amá-lo. Até quando dar-me-ei a qualquer um?(repare na mesóclise que fiz em homenagem a Mariana)&lt;br /&gt; Já estou cansada de procurar um tipo que me satisfaça em todos os aspectos. Às vezes penso em entregar a minha virgindade a qualquer um pulha que me aparecer na frente, mas logo desisto, pois se já aguardei até hoje... Sabe que o Roberto é um ótimo candidato. Ele é meu amigo e carinhoso como nenhum outro, apesar disto ser apenas uma casca que ele cria para conseguir penetrar aquela sua pica torta (sei disto porque ele me disse certo dia) em minha amada virgenzita.&lt;br /&gt;Voltando a sua carta, amiga, o que queres dizer quando falas em uma certa noite em sentiu o gosto puro da minha... Não sei que noite foi esta, aliás, você me assusta quando diz estas bobagens. Acho mesmo que esta ficando louca, Marcela. Por isso acho melhor não nos encontrarmos. E se você quer saber, o Roberto ainda anda a me perseguir. Certo dia dei-lhe um beijo. Precisava ver a carinha de felicidade dele. Depois inventei uma briga para que ele não me enchesse com suas asneiras.&lt;br /&gt;Acho mesmo o Roberto um tipo. Achas que convences qualquer uma com seu ar de semi-deus. E se ficou curiosa, amiga, já digo: não sei qual é o tamanho de seu passarinho. Não deixei que encostasse em mim, pois se deixasse, certamente ele iria querer mais do que simples beijos. Sabe, darling, às vezes acho que o amo, mas depois olho-o novamente e vejo aquele olhar sombrio de lobo querendo desvirginar mais uma pobre e indefesa ovelha e desisto de amá-lo.&lt;br /&gt;Hoje irei sair com o Hermes. sei que estas a rir do nome dele, mas eu o acho muito provocante apesar daquele jeito de olhar. O olhar dele, amiga, mais parece de m desses cachorros que vivem pela rua a procura de um dono do que de um homem. Ah, você não sabe, no nosso primeiro beijo ele ficou passando a mão em meus cabelos, como um patético romântico que não sabe o que fazer com uma mulher, mas hei de me divertir com ele ainda. Não dessas diversões que certamente esta a pensar e que insinuas que faço em suas cartas. Sou pura mesmo. E nunca troquei confissões sórdidas com você. Às vezes você me parece a mesma adolescente que conheci no colégio a quatro anos atrás. Falando nisso, diga-me uma coisa: naquele tempo você já era esta pervertida que se tornou hoje?&lt;br /&gt;Fico por aqui porque o Hermes já deve estar me esperando. Hoje vamos no cinema, amiga. O filme, não sei ao certo, mas certamente é um romântico porque o Hermes é um rapaz bem sentimental.&lt;br /&gt;Adeus, amiga, não devemos nos encontrar, você não esta no seu juízo. Acho que o sexo anda a lhe fazer mal. Comece a gastar o seu tempo com coisas mais importante do que sexo, não esta lhe fazendo bem transar com qualquer um. Vai que um dia você caia nas mão de um tipo “Sade” e ele chicotei teu corpo todo até sangrar. Por isso tome cuidado minha doce e sórdida amiga. Vigia, que o mundo anda cheio de loucos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7567977020060024265?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7567977020060024265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7567977020060024265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7567977020060024265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7567977020060024265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/10/segunda-carta-de-laura-marcela.html' title='Segunda carta: de Laura à Marcela'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8929767004851914134</id><published>2008-10-12T17:42:00.001-07:00</published><updated>2008-10-12T17:42:58.962-07:00</updated><title type='text'>E é como se minha cabeça pesasse oitenta quilos.........</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Estar sóbrio é tão sem sentido que nem penso mais na sobriedade, o vinho me liberta e quero me libertar dos vermes putrefatos que abortam minha boca pela diabetes. Não quero mais me masturbar na noite fria nem transar com esses seus buracos desencontrados, Linda. Sou como as gotas quentes de chuva que Chopin, sem ser escandaloso, lançava sobre nossas cabeças.&lt;br /&gt;E o vinho continua como nossos sórdidos desejos e eu vejo que cada beijo não é mais necessário nem o jovem solitário que cuspia fogo como uma ogiva opus 25.&lt;br /&gt; Eu sou Eros, ele gritava, E eu sou um alto-falante-estéril, um perfeito miserável solfejando Schumann aos quatro quartos do castelo, o outro respondia. Eu sou as cordas do violoncelo e o gozo da nota que nunca alcançarei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8929767004851914134?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8929767004851914134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8929767004851914134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8929767004851914134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8929767004851914134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/10/e-como-se-minha-cabea-pesasse-oitenta.html' title='E é como se minha cabeça pesasse oitenta quilos.........'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6011927936110473565</id><published>2008-09-27T18:39:00.000-07:00</published><updated>2008-09-27T18:42:01.305-07:00</updated><title type='text'>A evocação da Deusa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O copo de vinho, as cuecas pelo chão, a pia cheia de louça, o maçarão que aos poucos estraga, e um disco do Schumann na vitrola. A ponta do baseado no cinzeiro, muitas pontas de cigarro, os livros e as cartas mal escritas pelo chão, pelo calor da paixão... Tudo isso diz que ela não está.&lt;br /&gt;Pedaço de solidão no cigarro aceso. Outra garrafa de vinho e alguns passos para virar o disco, “é melhor colocar aquele Mozart que ela tanto gostava”. Após alguns segundos a sinfonia invade o escuro do porão, outro pedaço de solidão... Um suspiro. A evocação da deusa. Silêncio. Dizendo que ela não está, e que não vai voltar.&lt;br /&gt;Outro copo de vinho. Alguns passos até a estante e em um instante o livro do Gullar aberto na mão. Bate os olhos, e com aquela letra dela, a anotação: “é lindo”, ao lado do poema Madrugada. Tira o pigarro da garganta e começa a recitar:&lt;br /&gt;Do fundo do meu quarto, do fundo&lt;br /&gt;Do meu corpo&lt;br /&gt;Clandestino... (as lágrimas já não o deixam ler)&lt;br /&gt;Fecha o livro e pega o cigarro. Lembra de como ela tragava o cigarro, de como ela sorria quando exagerava no vinho... Mas agora ele olhava ao redor e lembrava-se de como tudo aconteceu. Lembrava do telefone tocando e alguém dizendo:&lt;br /&gt;─ Sérgio, é você?&lt;br /&gt;─ Sim.&lt;br /&gt;─ Aconteceu uma coisa horrível com a Antonieta...&lt;br /&gt;Ele ainda sentia o gosto dela na boca, ainda via Antonieta entrar no quarto com seu ar de litorânea, reclamando do trabalho, pedindo que ele colocasse algum disco. “Pode ser algum jazz. Não, melhor colocar aquele Schumann do violoncelo”, foi esse o disco que escutaram no dia anterior de sua morte. Ele passou três dias escutando este disco, até que a musica se tornasse o ar e não fizesse mais sentido. Fosse como o nada, um nada que cerrava os punhos aos poucos.&lt;br /&gt;Outro cigarro. Queria mesmo era incendiar a Deus, trazer de volta sua deusa. Tentou evocar Satã para um pacto, mas ele não veio. Isolou-se no porão então. Resolveu esperar a morte. Não foi ao velório, só  ficou lá no porão, imóvel. Caminhava até a vitrola, trocava o disco e só. Esperar a morte bastava, no escuro calabouço do palácio em que por um tempo foi feliz com Antonieta. Agora não restava nada que não o vinho, o cigarro, e a coleção de discos que ela deixou. Restava agora aguardar, ou se transformar em um vampiro.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6011927936110473565?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6011927936110473565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6011927936110473565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6011927936110473565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6011927936110473565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/09/evocao-da-deusa.html' title='A evocação da Deusa'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1731403237005052561</id><published>2008-09-05T18:30:00.001-07:00</published><updated>2008-09-05T18:34:20.193-07:00</updated><title type='text'>A décima utopia:</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ao som da sétima sinfonia de Schubert&lt;br /&gt;                                                                      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                            Dedicado a todos os mictórios públicos e privadas,&lt;br /&gt;                                                           a todas as bonecas infláveis virgens e a todos os seguidores  do Deus do sexo Grande Olho. Esta reportagem foi feita no ápice da revolução libertária comandada pelo profeta Grande Olho no ano de 2000 e é dedicada a todos os reprimidos sexualmente que aguardam ansiosamente o século XXX.           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui de cima o Grande Olho grita para a multidão que passa-meio-despercebida. “A vida, disse Grande Olho, deve ser esquecida, passemos agora a era do corpo liberto do sexo certo” a multidão então começou o piquete, primeiro o menino moreno acendeu o foguete, depois o menino negro mostrou o cassete e nem os cassetetes da policia foram capazes de fazer chover na grande festa-orgia-sado dos pupilos de Grande Olho. A moça loira cagou na cabeça do seu eterno e infiel marido após dar o rabo para uma fila interminável de coroas solitários, garotos virgens que gozavam tão rápido quanto um coelho, lésbicas desconfortadas que usavam cintos com cassetes rosas pendurados e um estranho senhor Elias que tinha o fetiche de ver mulheres estrangularem ratos com o ânus. Subjetivamente Grande Olho ordenava para que eles ficassem nus e se oferecessem aos primeiros que tivessem ereção, “quero toda a liberdade e prazer, dizia o grande mestre, quero corpo-liberto sexo-ereto vulva-molhada anus-sempudorpiedade, quero todo o gozo do mundo como minha oferenda”. E em um instante ingênuo/purodesonhosutópicos, vociferou a voz de Grande Olho: “Quero mortos todos os assexuados”. E os pássaros rosas desceram até o abismo onde se escondiam todos os brochas para cometerem a maior chacina já vista. Grande Olho sorria, cada vez que um pássaro rosa arrancava a tripa de um bosta brocha, de uma Leila geladeira, e após o primeiro monte de corpos, Grande olho ordenou aos pássaros que trouxessem a ele todos os olhos assassinados. (No calabouço do castelo havia uma sala onde só Grande Olho tinha acesso, lá era a sua coleção de olhos, havia todos os tipos de pregas, haviam até pregas de mulheres prenhes). Quando viram assassinados os assexuados os homens-de-bem correram para adentrar os anais da orgia. Menstruadas, as mulheres foram prejudicadas, mas não impedidas de proclamar o corpo liberto com o ânus aberto. Grande Olho não suportava mais tanta alegria, não se continha, gozava sem parar até que um ataquecardiaco levou-o para o inferno cristão dos reles mortais, e Deus ordenou a seu irmão Diabo que lhe serrasse o membro além de lhe tapar o Grande Olho que vive vagando cego pelo inferno com seus sonhos frustrados, mutilado, e preso pelas amarras da liberdade. Os seus seguidores morreram de covardia após a grande orgia liderada por Grande Olho e seus pássaros rosas assassinos de assexuados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1731403237005052561?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1731403237005052561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1731403237005052561' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1731403237005052561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1731403237005052561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/09/dcima-utopia_05.html' title='A décima utopia:'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4950954489825759058</id><published>2008-08-17T18:08:00.001-07:00</published><updated>2008-08-17T18:08:54.589-07:00</updated><title type='text'>A uma certa Adélia</title><content type='html'>Ao som de “Pra dizer adeus”&lt;br /&gt;                                                             com Maria Bethania e Edu Lobo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida, tenho caminhado a esmo. Não sei porque começo a te escrever nesta noite de inverno. O céu, Adélia, é um mar de ponta cabeça, e aos poucos vai desabando sobre nossas cabeças como se fossemos bonecos de bolo esquecidos após o fim do casamento. Ah, se você soubesse o que eu sinto quando ouço a Bethania dizer: “que o amor foi tanto e, no entanto eu queria dizer vem...”. É, Adélia, o amor foi tanto e, no entanto não durou o tempo que pensávamos naquelas noites quentes, de trepadas efêmeras e escaldantes.. O barco afundou e não deu para nos segurar, o barco afundou no céu como se fosse a pena que sentíamos um do outro. A pena de dizer a verdade e dizer adeus. Você ainda lembra como era bom? Tanta coisa ficou por dizer, tanta trepada ficou por trepar, até tantas lágrimas por derramar. Ah, eu que me cortei tanto, como se o nosso amor fosse uma foice e foi-se um dia o amor. Foi tanto, e, no entanto só sei dizer vem, eu só sei dizer... vem, que eu te quero tanto, vem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4950954489825759058?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4950954489825759058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4950954489825759058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4950954489825759058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4950954489825759058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/uma-certa-adlia.html' title='A uma certa Adélia'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3798673956270952013</id><published>2008-08-13T19:25:00.000-07:00</published><updated>2008-08-17T18:07:43.120-07:00</updated><title type='text'>Ode a Leminski</title><content type='html'>Foi na sétima sinfonia que Beethoven descreveu o medo&lt;br /&gt;Como se Deus fosse Leminski&lt;br /&gt;E Bach nos mostrou a tristeza com seus violoncelos&lt;br /&gt;Como se fosse Paulo o primeiro nome de Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se dormir chapado fizesse sonhar com Paulo Leminski&lt;br /&gt;Com seu bigode roxo como de um lutador russo&lt;br /&gt;E se sonhássemos,&lt;br /&gt;Será que acordaríamos com seu sotaque do sul?&lt;br /&gt;Ontem tive a impressão de que Leminski quis falar comigo&lt;br /&gt;Como se ele fosse Deus, ou um deus&lt;br /&gt;E o Murilo Mendes outro&lt;br /&gt;E o Gullar outro&lt;br /&gt;Entre outros muitos seguidores do grande deus chamado Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em La lucha de versos&lt;br /&gt;Todas las armas son buenas”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As gotas de chuva de Curitiba&lt;br /&gt;Inundavam as ruas e quebravam o silencio&lt;br /&gt;Daqueles jovens ingratos que buscavam a ti&lt;br /&gt;Que liam suas linhas tortas&lt;br /&gt;Eu queria ser um poeta maldito&lt;br /&gt;Bendito seja o teu nome, bandido&lt;br /&gt;E todas as vezes que me lembro do teu grande bigode&lt;br /&gt;Tenho certeza de que tu eras o pai dos irmãos Karamazov&lt;br /&gt;E que tu eras o irmão bastardo que vivia no sul&lt;br /&gt;Tentando tomar um jeito&lt;br /&gt;Tomando uísque falsificado&lt;br /&gt;Acabou tratando os assuntos com Deus&lt;br /&gt;E teus 44&lt;br /&gt;anos de vida e lucha&lt;br /&gt;Musica&lt;br /&gt;Poesia&lt;br /&gt;Fariam falta se não tivessem acontecido&lt;br /&gt;Como as orgias que Sade não fez&lt;br /&gt;Como as coxas que Piva não provou&lt;br /&gt;Como as fotos que Salgado não tirou&lt;br /&gt;É, amigo, tu farias tanta falta&lt;br /&gt;E sua lama na barba e o seu desmanchar-se em charme&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“fazia tempo&lt;br /&gt;Que eu não me sentia&lt;br /&gt;Tão sentimental”&lt;br /&gt;Pois é amigo&lt;br /&gt;Pode ser um sinal&lt;br /&gt;Aliás, sua “Lápide 1” é mais legal&lt;br /&gt;“naquela época Curitiba era um mar de bigodes cercada de kimonos por todos os lados...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3798673956270952013?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3798673956270952013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3798673956270952013' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3798673956270952013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3798673956270952013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/ode-leminski.html' title='Ode a Leminski'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8744739735345373845</id><published>2008-08-10T18:45:00.000-07:00</published><updated>2008-08-10T18:51:40.008-07:00</updated><title type='text'>Fragmento da carta a uma certa Lavignia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sabe, Lavignia, o céu não está mais tão azul. Acho que estou com câncer, estou muito silencioso, tão silencioso quanto um torcedor fanático numa segunda-feira de manhã depois do rebaixamento. Depois que você foi embora eu nunca mais consegui escutar aquele disco do Vivaldi, o inverno me parece tão robusto e confuso. Acho mesmo que não tem explicação, é só medo mesmo. Gostaria de te ver antes que você parta para a África, tantos trens descarrilam nesses adeuses sem fim. O rio continua o mesmo desde que você partiu, parece que a sua ausência para o tempo, aliás, parece não. Ela para o tempo. Por isso queria que você viesse ao menos um final de semana para bebermos vinho barato e fumarmos maconha juntos, depois poderemos sair ou ficar escutando algum disco de jazz ou do The cure que você tanto gosta. Isso seria tão prazeroso para mim... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8744739735345373845?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8744739735345373845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8744739735345373845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8744739735345373845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8744739735345373845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/fragmento-da-carta-uma-certa-lavignia.html' title='Fragmento da carta a uma certa Lavignia'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2176661155105964417</id><published>2008-08-10T18:38:00.001-07:00</published><updated>2008-08-10T18:38:57.106-07:00</updated><title type='text'>Distantes</title><content type='html'>Este é o primeiro agosto sem você.&lt;br /&gt;E esses agostos nos engolem sem cessar.&lt;br /&gt;À medida que sua boca começa a ficar perfeita&lt;br /&gt;Eu envelheço&lt;br /&gt;        A preço de nada&lt;br /&gt;Para mim os outonos são mais belos que os invernos.&lt;br /&gt;Agosto não é o mesmo sem você...&lt;br /&gt;Qual é o preço&lt;br /&gt;        Da sua ausência?&lt;br /&gt;Às vezes me pareço&lt;br /&gt;               Com a sua boca quando me beija.&lt;br /&gt;Às vezes me pareço&lt;br /&gt;               Com o seu olhar quando me deseja&lt;br /&gt;             Ou até mesmo com seus olhos&lt;br /&gt;                                   Quando me olham&lt;br /&gt;Distantes, distraídos&lt;br /&gt;                  Entre a fumaça do cigarro&lt;br /&gt;Deslizando sobre a minha pele salgada&lt;br /&gt;                                          Do gozo que nunca tive.&lt;br /&gt;E esses agostos nos engolem sem cessar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2176661155105964417?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2176661155105964417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2176661155105964417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2176661155105964417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2176661155105964417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/distantes.html' title='Distantes'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7161054543848767840</id><published>2008-08-10T18:37:00.000-07:00</published><updated>2008-08-10T18:38:27.416-07:00</updated><title type='text'>Súplica</title><content type='html'>À Ana Cristina César&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os diamantes continuam intactos&lt;br /&gt;                     Mesmo dentro de minha vagina&lt;br /&gt;                                  Imagina que&lt;br /&gt;                        Desde aquele tempo eu continuo a mesma&lt;br /&gt;                   Agora que perdi meu hímen&lt;br /&gt;                                      Pedi perdão, amém&lt;br /&gt;                                Eu te amo, homem!&lt;br /&gt;              Por isso é que estou aqui&lt;br /&gt;                           Mendigando um sorriso teu&lt;br /&gt;                                          Por isso é que sou assim&lt;br /&gt;     E que guardo na boca&lt;br /&gt;                As palavras malditas&lt;br /&gt;                                   Da vertigem da briga&lt;br /&gt;                         Eu te amo, homem!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7161054543848767840?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7161054543848767840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7161054543848767840' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7161054543848767840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7161054543848767840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/splica.html' title='Súplica'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-191355505150371483</id><published>2008-08-10T18:35:00.000-07:00</published><updated>2008-08-10T18:37:49.420-07:00</updated><title type='text'>Clan destino</title><content type='html'>Atrás dos olhos de uma cigana cega&lt;br /&gt;                                                  Eu danço&lt;br /&gt;                             Clandestino&lt;br /&gt;                                        Com meu corpo&lt;br /&gt;                   De menino&lt;br /&gt;                        E quando canso&lt;br /&gt;                  Arranco das mãos as luvas&lt;br /&gt;                                             E deixo que elas fiquem nuas&lt;br /&gt;                                      Para que ela leia meu destino&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-191355505150371483?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/191355505150371483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=191355505150371483' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/191355505150371483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/191355505150371483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/clan-destino.html' title='Clan destino'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3982262951577275034</id><published>2008-08-10T18:33:00.001-07:00</published><updated>2008-08-10T18:33:40.000-07:00</updated><title type='text'>Ofélia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente Ofélia se ofende, hoje passamos da conta. Acho que essa porra vai acabar com a gente. Ofélia sai da minha frente e vai para o quarto. Acendo um cigarro e quando resolvo ir ao quarto para resolver, vejo Ofélia saindo com “aquele vestido”. A merda do vestido roxo que eu odeio que ela use. Ela me olha de cima, pega o maço de cigarro e sai. Olho aquelas coxas brancas da Ofélia, aquelas coxas, o meu troféu, saindo assim, sem mim. Assim sem mim, tão descoberta. Se continuar assim outro homem a descobre.&lt;br /&gt;Três minutos depois, cigarro exterminado, apagado no cinzeiro, eu na frente do espelho dando um jeito no cabelo. Saio correndo pelo corredor atrás da Ofélia. Corro pelas ruas até que a encontro atravessando a praça, com ar da graça de moça descasada.&lt;br /&gt;Olho de longe e meus olhos vêm Ofélia subindo a escada da gafieira. Nunca pensei que ela pudesse fazer isso comigo, logo aí na gafieira. Ela sabe que eu não danço. Pago para um homem magro, meio calvo, que fica na porta. Subo e a cada degrau sobe mais o meu medo. Mas do que posso ter medo? Da Ofélia. Ela pode estar dançando com um velho barrigudo, ou com um daqueles professores de dança de salão. Ah, Ofélia, se eu te pego nem sei o que faço, acho até que te passo o aço se você tiver com outro qualquer. O máximo que pode fazer é dançar com outra mulher.&lt;br /&gt;Lá em cima, no primeiro passo dentro do salão uma senhora me pede uma dança. Digo que não. Procuro Ofélia. Outra velha. Não, respondo, não danço. Vejo Ofélia num canto, cigarro na boca, copo de Martini bianco na mão. Porra, Ofélia, bianco não. Fui eu quem te ensinou a tomar isto. Vou ao bar:&lt;br /&gt;─ Tem algum vinho licoroso pra eu tomar?&lt;br /&gt;─ Branco ou tinto?&lt;br /&gt;─ Branco.&lt;br /&gt;Às vezes eu sinto que é melhor parar. Parar com essa merda de recomeçar, agente tá se ferindo muito. É melhor eu mudar de assunto se não vou enlouquecer, o melhor a fazer é beber para esquecer.&lt;br /&gt;Pego o vinho, viro. Seus olhos me penetram como um tiro. Ela caminha pelo salão, bem devagar. Um daqueles velhos barrigudos a chama para dançar. Ela aceita. Que afronta. Que merda, Ofélia. Acho que o bianco a fez ficar tonta.  O velho fala alguma coisa para ela. Ela responde sim com a cabeça. Ele arrisca um beijo, ela aceita. O copo de licoroso estoura na nuca do velho filho da puta. Pena que o velho era o presidente da gafieira. Todos os seguranças de uma só vez. Eu só vejo os chutes e ninguém que me ajude. Nem a Ofélia, aquela cadela. Ficou dando risada da minha cara ensangüentada.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte eu volto para casa, entro com cara de meio puto-meio humilhado. Ela com a vassoura na mão. Varre a roupa suja pra debaixo de tapete. Pede umas desculpas tão sinceras, tão sinceras até que eu aceite. Se deita nua e me chama em chamas na cama pra matara Sade do seu suor salgado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3982262951577275034?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3982262951577275034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3982262951577275034' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3982262951577275034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3982262951577275034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/oflia.html' title='Ofélia'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8162424614299089632</id><published>2008-08-10T14:21:00.000-07:00</published><updated>2008-08-10T14:22:02.840-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Deus criou os homens em sua imagem e perversão&lt;br /&gt;                                     Os homens criaram Deus para justificar a perversão&lt;br /&gt;Eu matei Deus em um ato tão libertino quanto divino&lt;br /&gt;                                           Perverso&lt;br /&gt;Tão perverso quanto estes versos&lt;br /&gt;Será que eu sou tão perverso quanto Deus&lt;br /&gt;                               Ou será Deus tão perverso quanto eu&lt;br /&gt;Pois se ele deu a vida para seu próprio algoz&lt;br /&gt;                              Não seria ele mais perverso&lt;br /&gt;                              ou tão perverso quanto nós&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8162424614299089632?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8162424614299089632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8162424614299089632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8162424614299089632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8162424614299089632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/deus-criou-os-homens-em-sua-imagem-e.html' title=''/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8107535518355601993</id><published>2008-08-08T18:40:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T18:41:38.866-07:00</updated><title type='text'>I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que ele pensa que somos virgens, e tenta nos seduzir por conta disto. Ah, amiga, é tão hilário vê-lo se achando experiente enquanto zombamos dele. Mal sabe ele das nossas experiências lascivas. Sabe, Laura, ele deve ser muito pirralho na cama, deve se achar o máximo, mas na verdade mal sabe que uma mulher pode gozar.&lt;br /&gt;Outro dia me encontrei com um certo Rodrigo. Um rapazinho tolo, mas forte. Muito propício aos prazeres dos quais sempre comentamos uma com a outra. Uma pena querida, um pena que sua pica seja tão pequena, mas tão pequena... Nem tive vontade de sentar naquela coisinha. Toquei-lhe apenas uma bronha e ele já se deu por satisfeito. É verdade que tentou me agarrar depois de uns quinze minutos, mas eu o espantei dizendo que estava naquelas dias. Ele, por sua vez, se afastou e logo propôs que fossemos embora. Mal sabe ele dos prazeres que uma xaninha sangrando pode dar um garoto. Ah, esses garotos...&lt;br /&gt;Sabe, Laura, esses rapazes de hoje em dia não são como os homens de antigamente. Digo isso porque certo dia me encantou um homem bruto que trabalha numa funilaria aqui perto de minha casa. Seu nome é Sergio. Este homem me devorou ferozmente, como um animal. Quando eu fiz aquele draminha dizendo que era virgem e tudo mais ele fingiu não escutar e enfiou a rola quase estourando de dura de uma vez. Quase me arrebenta o racho aquela pica enorme. Que homem, o Sergio. E ainda, amiga, depois da primeira gozada, quis que eu lhe desse o buraco, mas ai eu disse que não. Não que me faltasse vontade, mas aquele treco enorme poderia me machucar o intestino, não concordas?&lt;br /&gt;E falando em homens tolos, voltemos a nossa conversa. E Roberto, continuas a te perseguir? Porque a mim ele parece ter acalmado um pouco. Deve ser porque naquela vez em que saímos eu fiz o meu papel de noviça, e ele acreditou. Acreditas? Ele até tentou alguma coisa, mas eu sussurrava em seu ouvido: “não me force, Roberto. Não me force...” É mesmo um tolinho este Roberto, não achas?&lt;br /&gt;Laura, precisamos nos encontrar para trocarmos aquelas confissões que não podemos em cartas. Alías, eu ainda quero sentir novamente o gosto puro da sua xaninha. Não acredito nesta sua história de moçinha pura que não conhece os prazeres do mundo, eu não sou como Roberto que acredita em tudo o que você diz. Sei muito bem que você faz e acontece com esses rapazes com quem você saí e ainda, após o gozo, fazes com que eles prometam não contar nada a ninguém. Como você consegue isso, amiga? Estes homens jovens adoram se exibir dizendo uns aos outros as suas “façanhas sexuais”. São mesmo uns tolos, não é mesmo? Ah amiga, mas se soubesse como aquela noite foi prazerosa para mim, como e me fizeste gozar daquela forma? Como conseguiste usar de tal forma esta tua língua lisa? Porque você insiste em não me encontrar mais? Tem medo de se apaixonar perdidamente por mim? Laura, nós duas sabemos que não conseguimos viver sem um duro e grande cassete.&lt;br /&gt;Vigia, Laura, vigia que o amor entre duas mulheres pode ser muito prazeroso. Nós não temos pêlos pelo corpo todo, nem aquela pressa de gozar que eles têm. Às vezes queria que eles apenas me chupassem, mas eles mal sabem fazer isto. Ou pelos menos não sabem fazer como você. Por isso não acredito naquela sua história de menina pura. Vamos marcar um encontro? Eu sinto sua falta. Mesmo que não seja um encontro intimo. Não quero com você apenas o sexo. Isto eu faço com esses rapazes metidos a macho.&lt;br /&gt;Então, nos encontramos?&lt;br /&gt;Adeus, agora me encontrarei com um garoto que conheci no centro. Não sei, mas me parece que ele faz michê. Se for, não vejo problema nenhum nisto, pois certamente deve ter uma pica enorme e deve saber usá-la como ninguém. Já vou. Mande-me resposta, e, por favor, vamos tentar nos encontrar. Laura, você foi a primeira e a ultima xaninha que eu chupei.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8107535518355601993?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8107535518355601993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8107535518355601993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8107535518355601993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8107535518355601993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/i.html' title='I'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8460368333055885634</id><published>2008-08-08T18:33:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T18:34:55.019-07:00</updated><title type='text'>II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My little darling, por que me mandas estas cartas dizendo coisas que eu nunca entendo? E estes tais segredos que dizes, quando trocamos e quais são? Não me lembro de ter lhe contado nenhum segredo. E de mais, por que me dizes de uma certa noite em que tocou as minhas partes intimas? Sabe amiga, tu sabes mais do que ninguém que meu hímen ainda está intacto, não sabes? Olha, eu não sei por que falas assim do Roberto. Ele é tão gentil conosco, é um amigo de verdade, apesar de ás vezes parecer um tanto infantil a me enche a cuca dizendo que me ama e coisas do tipo. Eu sei que ele não me ama e também sei que ele adora esses jogos de sedução. Mas no final das contas é uma ótima pessoa, um bom ombro para chorar quando se está desiludida, um amigo fiel, aliás, até mais fiel do que você que já me faltou com a amizade uma vez.&lt;br /&gt;Marcela, não me enchas mais com essas suas conversas corriqueiras. Não entendo do que falas. Ás vezes você me parece uma personagem do Bukowski. Você leva muito á sério esses assuntos libertinos. Devia pensar mais em outras coisas, coisas mais importantes. Qualquer dia destes, você pegará uma doença de algum destes garotos com quem anda por aí a cometer esses atos sujos. Sabia que tem uma amiga minha que pegou do namorado uma doença chamada sífilis? Dizem por aí que o Baudelaire morreu disto, de sífilis, e que lhe fora transmitida por uma de suas “flores do mal”.&lt;br /&gt;Esta semana quando saia do meu trabalho conheci um rapaz chamado Hermes, como o da mitologia grega. É verdade que ele tem uma cara de ser meio sonso, e não rias da cara dele se acaso o encontrar na rua a meu lado. Ás vezes é meigo demais, mas é uma doçura aquele olhar ingênuo. Primeiro, pedi a ele que saíssemos de perto do escritório (não gosto que me vejam conversado com homens, pois dentro do escritório sou uma moça séria e recatada, não que também não seja isto quando estou na rua, mas lá preciso ser mais recatada ainda), depois pedi a ele que me levasse a algum lugar de que gostasse, e adivinha onde me levou? Numa sorveteria amiga, numa sorveteria. Veja só que romântico... Pena que ele não seja tão atirado quanto Roberto, pois se não fosse tão amiga dele certamente seriamos belos amantes. O problema de Roberto é que ele se transforma para conseguir o que quer, ou achas que eu acredito naquela pose dele de romântico?&lt;br /&gt;Ah, my dear, ando me aprofundando na arte do romance. Às vezes me sinto como uma personagem dos livros de Castelo Branco, apaixonada perdidamente por um homem tolo, mas logo vejo o quão tolo é este homem e logo desisto de amá-lo. Até quando dar-me-ei a qualquer um?(repare na mesóclise que fiz em homenagem a Mariana)&lt;br /&gt; Já estou cansada de procurar um tipo que me satisfaça em todos os aspectos. Às vezes penso em entregar a minha virgindade a qualquer um pulha que me aparecer na frente, mas logo desisto, pois se já aguardei até hoje... Sabe que o Roberto é um ótimo candidato. Ele é meu amigo e carinhoso como nenhum outro, apesar disto ser apenas uma casca que ele cria para conseguir penetrar aquela sua pica torta (sei disto porque ele me disse certo dia) em minha amada virgenzita.&lt;br /&gt;Voltando a sua carta, amiga, o que queres dizer quando falas em uma certa noite em sentiu o gosto puro da minha... Não sei que noite foi esta, aliás, você me assusta quando diz estas bobagens. Acho mesmo que esta ficando louca, Marcela. Por isso acho melhor não nos encontrarmos. E se você quer saber, o Roberto ainda anda a me perseguir. Certo dia dei-lhe um beijo. Precisava ver a carinha de felicidade dele. Depois inventei uma briga para que ele não me enchesse com suas asneiras.&lt;br /&gt;Acho mesmo o Roberto um tipo. Achas que convences qualquer uma com seu ar de semi-deus. E se ficou curiosa, amiga, já digo: não sei qual é o tamanho de seu passarinho. Não deixei que encostasse em mim, pois se deixasse, certamente ele iria querer mais do que simples beijos. Sabe, darling, às vezes acho que o amo, mas depois olho-o novamente e vejo aquele olhar sombrio de lobo querendo desvirginar mais uma pobre e indefesa ovelha e desisto de amá-lo.&lt;br /&gt;Hoje irei sair com o Hermes. sei que estas a rir do nome dele, mas eu o acho muito provocante apesar daquele jeito de olhar. O olhar dele, amiga, mais parece de m desses cachorros que vivem pela rua a procura de um dono do que de um homem. Ah, você não sabe, no nosso primeiro beijo ele ficou passando a mão em meus cabelos, como um patético romântico que não sabe o que fazer com uma mulher, mas hei de me divertir com ele ainda. Não dessas diversões que certamente esta a pensar e que insinuas que faço em suas cartas. Sou pura mesmo. E nunca troquei confissões sórdidas com você. Às vezes você me parece a mesma adolescente que conheci no colégio a quatro anos atrás. Falando nisso, diga-me uma coisa: naquele tempo você já era esta pervertida que se tornou hoje?&lt;br /&gt;Fico por aqui porque o Hermes já deve estar me esperando. Hoje vamos no cinema, amiga. O filme, não sei ao certo, mas certamente é um romântico porque o Hermes é um rapaz bem sentimental.&lt;br /&gt;Adeus, amiga, não devemos nos encontrar, você não esta no seu juízo. Acho que o sexo anda a lhe fazer mal. Comece a gastar o seu tempo com coisas mais importante do que sexo, não esta lhe fazendo bem transar com qualquer um. Vai que um dia você caia nas mão de um tipo “Sade” e ele chicotei o corpo todo até sangrar. Por isso tome cuidado minha doce e sórdida amiga. Vigia, que o mundo anda cheio de loucos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8460368333055885634?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8460368333055885634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8460368333055885634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8460368333055885634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8460368333055885634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/08/ii.html' title='II'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4447404011963596016</id><published>2008-07-20T16:04:00.000-07:00</published><updated>2008-07-20T16:15:11.824-07:00</updated><title type='text'>Três do corpo, três do álcool e quatro para sentir a noite</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve aqui,&lt;br /&gt;no fundo do meu peito passional&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê se nele cabe ainda alguma magoa,&lt;br /&gt;Mesmo que pequena ela seja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os órfãos brincam, branqueiam e ficam ricos&lt;br /&gt;Tomam baque e morrem afogados no próprio vômito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve aqui,&lt;br /&gt;um tempo que em meu leito madrigal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançavam-se como brasas sobre a água&lt;br /&gt;Mesmo se morenas elas sejam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os órgãos inflam, inflamam e apodrecem&lt;br /&gt;De conhaque e morrem os fígados pelo próprio álcool.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele anjo branco deslizava&lt;br /&gt;Num mictório cinza do banheiro da central&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia para ver o pau de quem mijava&lt;br /&gt;Queria por na boca todos os paus do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando criança sonhava ser condor&lt;br /&gt;Cresceu e deu&lt;br /&gt;Pra quem quisesse comer&lt;br /&gt;Achava que foder era preciso&lt;br /&gt;Pra quem quisesse viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes ficava dias sem sair de casa&lt;br /&gt;Quando voltava dizia:&lt;br /&gt;Meu cú andava meio desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A piedade não é coisa que se preze&lt;br /&gt;Mesmo assim eu peço piedade ao álcool&lt;br /&gt;No álcool me reconheço&lt;br /&gt;É como se fosse o fundo das estrelas&lt;br /&gt;O fundo do copo de vinho vazio&lt;br /&gt;Vem, e entorna na boca essa ultima gota de piedade.&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pêlos crescem pela ponta dos dedos&lt;br /&gt;Os dedos tocam outra vez&lt;br /&gt;Com preciosidade a carne fresca&lt;br /&gt;E ela dança como se a ultima vez&lt;br /&gt;Sobre a pele suor, não lágrimas&lt;br /&gt;Há quem confunda e a jogue a rês&lt;br /&gt;Com vivacidade imunda&lt;br /&gt;o dedo afunda&lt;br /&gt;E ela goza como se a ultima vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era apenas para um chá que te convidaste, querida. Nada mais queria, a não ser a tua companhia. E que aquilo tudo me foste feito de sonho ou pesadelo, digo que me deleito quando me lembro dos teus lábios roxos de vinho tocando a carne exposta de meu pescoço salgado. Nem que não fossemos feitos de carne conseguiríamos resistir um ao outro naquela noite posta sobre a cama, o meu corpo a tua ceia e o teu a minha sobremesa. Era lasciva, e era vermelha a cor da tua segunda boca, e como ela beijava, como ela beijava o meu beija-flor. E como ele beijava, como ele beijava a tua papoula em chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era apenas um chá, e se tornara uma orgia sem tamanho. Querida, queria pedir-te que convide uma rapariga quando aqui voltar a ter. Sempre foi um sonho meu ter na cama três, pois se não, porque eu teria a pica e a língua para prazer dar? Se faltar a alguma pica, uso a língua também e tu sabes mais que todas que eu sei lhe usar bem. Se cansardes de minha língua te arrebento o cu com a mão, talvez assim você se lembre da adolescência e de como isto era bom. E se me achar pequeno troco ele de buraco, e te destruo o intestino. Será assim a única forma de te fazer mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço que me mande resposta. Sem mais. Adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga que não é difícil&lt;br /&gt;entender a perplexidade de agosto&lt;br /&gt;ou não escutar o silêncio dos passos&lt;br /&gt;na manhã de um outono meio inacabado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se não fosse cinza o calor de nossos lábios&lt;br /&gt;quando se tocam&lt;br /&gt;dentro dos desejos&lt;br /&gt;resguardados&lt;br /&gt;nos beijos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na auto-impiedade intratável&lt;br /&gt;de calçar as luvas e&lt;br /&gt;fingirnãoserlouco&lt;br /&gt;pouco a pouco transpassado na dissonância&lt;br /&gt;do inverno tropical&lt;br /&gt;do meu país latino&lt;br /&gt;subdesenvolvido&lt;br /&gt;católico&lt;br /&gt;caótico e&lt;br /&gt;veladamente preconceituoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler ao som de&lt;br /&gt;Ceora de Lee Morgan&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Lee Morgan quem tocava os trompetes&lt;br /&gt;E eu quem bebia outra dose tequila&lt;br /&gt;E esses pianos?&lt;br /&gt;Hancock, aposto!&lt;br /&gt;Posto aquilo ela preferiu Cinzano&lt;br /&gt;E nós tomamos,&lt;br /&gt;E nos tornamos alcoólicos&lt;br /&gt;Havia, sim, licor, gim&lt;br /&gt;“Vem que tem jazz à vontade”&lt;br /&gt;E nós dançamos Ceora,&lt;br /&gt;Realmente,&lt;br /&gt;é Hancock quem toca&lt;br /&gt;“escuta”, ela disse.&lt;br /&gt;E eu simplesmente sorri&lt;br /&gt;E servi mais um Cinzano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anseio escrever no teu corpo&lt;br /&gt;De volúpia&lt;br /&gt;No meio de uma transa passional&lt;br /&gt;Dos tempos das noites em claro&lt;br /&gt;Sem vômito, é claro&lt;br /&gt;Depois da apoteose adolescente&lt;br /&gt;Que zelamos entre silêncios desgostosos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No brilho da estrela refletida no dente&lt;br /&gt;Teu corpo claro e&lt;br /&gt;Sobretudo puro,&lt;br /&gt;Teu olhar escuro&lt;br /&gt;Púrpura de crepúsculo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tuas noites nem as minhas&lt;br /&gt;Serão as mesmas&lt;br /&gt;Após&lt;br /&gt;Escrever no teu corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha arcada dentária&lt;br /&gt;Sedentária e&lt;br /&gt;Sobretudo impura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela dançava,&lt;br /&gt;Seus olhos eram como duas jabuticabas frescas&lt;br /&gt;Sobre a mesa&lt;br /&gt;num domingo de manhã&lt;br /&gt;e ela sorria,&lt;br /&gt;como se ainda acreditasse que as estrelas&lt;br /&gt;não brilhavam tanto quando estava naqueles dias&lt;br /&gt;ou como se meu sexo não estivesse submerso&lt;br /&gt;em algum de seus buracos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a luz se espalhava&lt;br /&gt;como seus cabelos loiros&lt;br /&gt;e os metais no final da musica diziam&lt;br /&gt;que esta noite não teria mais fim&lt;br /&gt;e que meus sapatos gastos deslizariam&lt;br /&gt;sobre o mármore&lt;br /&gt;que é teu corpo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4447404011963596016?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4447404011963596016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4447404011963596016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4447404011963596016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4447404011963596016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/07/trs-do-corpo-trs-do-lcool-e-quatro-para.html' title='Três do corpo, três do álcool e quatro para sentir a noite'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6664542407766016891</id><published>2008-07-08T15:29:00.000-07:00</published><updated>2008-07-08T15:32:34.842-07:00</updated><title type='text'>O que pensam os anjos</title><content type='html'>Que pensam vocês. Acham que é fácil ter asas?&lt;br /&gt;Pois saibam que não é nem um pouco.&lt;br /&gt;Tem muitas coisas sobre os anjos que vocês nem sonham em saber. Coisas acerca de nossos sonhos e anseios, ser anjo não é tão fácil como dizem por aí. Vocês humano são tão... Ah, deixa pra lá, não vale a pena ficar recordando todos os defeitos humanos, pois são muitos, talvez até infinitos.&lt;br /&gt;O ínfimo angelical é tão complexo quanto o humano.&lt;br /&gt;Penso eu que é muito penoso e desastroso ser humano quando não se vale do amor. O amor é o único sentimento humano que vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os anjos não amam, considerando que o sentimento de um anjo não é exatamente amor, pois é uma obrigação. Os humanos não são obrigados a amar e proteger, o amor dos anjos pode ser comparado com o trabalho. Amar, para os anjos é trabalho, é uma obrigação e desta forma tudo se torna exatamente cinza. Não que eu tenha algum preconceito com as pessoas cinzas que caminham pelo centro das grandes cidades, também não tenho sentimento algum contra o olhar cinza destas pessoas, os passos cinzas destas pessoas... O amor cinza é a única coisa que eu tenho de repulsa em relação ao cinza.&lt;br /&gt;Pensam, vocês, que é fácil amar por obrigação?&lt;br /&gt;Saiba que o amor dos humanos é um sentimento livre, já o dos anjos é condenado. Além do mais não é nada agradável carregar estas enormes asas, vocês não imaginam o quanto pensam estas asas. Às vezes, fico cansado de ser anjo, destas asas, deste amor submisso, complacente... Deus não perdoa um só vacilo, ou vocês ao se lembra do nosso ilustre irmão o Satãn?&lt;br /&gt;Vida de anjo não é para qualquer um. Já fazem mais de dez anos que Deus não me dá uma férias, e ai de nós anjos se ousarmos a fazer greve. Aliás, o movimento sindical do céu anda muito parado, ele ficou assim desde que Lúcifer se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi se o tempo em que ocorriam as orgias aqui no céu, naquele tempo nossas estas eram ótimas, era sexo e mais sexo durante dias e dias. Os anjos podem ter o sexo que quiserem, um dia eu sou homem, no outro mulher. Faço amor com muitos santos, me lembro do dia em que conheci Padre Cícero. Eita cabra bom de meter. Ele acariciava minhas asas e me consumia durante horas e horas. Não há no céu coisa melhor do que o Cícero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se vocês querem saber, até Jesus participa das nossas festas, mas ele é fraquinho demais. Eu já nem me deito com ele, e além do mais ele fica muito apaixonado... eu odeio compromissos.&lt;br /&gt;Ah, cansei desta vida de anjo. Será que eu posso pedir demissão a Deus?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6664542407766016891?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6664542407766016891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6664542407766016891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6664542407766016891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6664542407766016891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/07/o-que-pensam-os-anjos.html' title='O que pensam os anjos'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-812332856646735019</id><published>2008-06-29T19:29:00.000-07:00</published><updated>2008-06-29T19:30:25.118-07:00</updated><title type='text'>Paredes:</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que nos impede de mostrar quem realmente somos.&lt;br /&gt;Ou seja, se não houvesse paredes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo seria arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As paredes incorporam os corpos&lt;br /&gt;Guardam, sagram, limitam portos&lt;br /&gt;Para os corpos fartos da formalidade&lt;br /&gt;E forma               de corpo, recatado, reprimido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corpos se rebelam,&lt;br /&gt;Se sangram e selam&lt;br /&gt;Uma libertinagem sem fim.&lt;br /&gt;Incorporados por Baco os corpos opacos&lt;br /&gt;Brilham a luz da lua,&lt;br /&gt;Eu sei, mas sonho em não ter mais fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-812332856646735019?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/812332856646735019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=812332856646735019' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/812332856646735019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/812332856646735019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/06/paredes.html' title='Paredes:'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-852700789434293537</id><published>2008-06-29T19:08:00.000-07:00</published><updated>2008-06-29T19:14:05.755-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Diga que não é difícil&lt;br /&gt;entender a perplexidade de agosto&lt;br /&gt;ou não escutar o silêncio dos passos&lt;br /&gt;na manhã de um outono meio inacabado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se não fosse cinza o calor de nossos lábios&lt;br /&gt;quando se tocam&lt;br /&gt;dentro dos desejos&lt;br /&gt;resguardados&lt;br /&gt;nos beijos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na auto-impiedade intratável&lt;br /&gt;de calçar as luvas e&lt;br /&gt;fingirnãoserlouco&lt;br /&gt;pouco a pouco transpassado na dissonância&lt;br /&gt;do inverno tropical&lt;br /&gt;do meu país latino&lt;br /&gt;subdesenvolvido&lt;br /&gt;católico&lt;br /&gt;caótico e&lt;br /&gt;veladamente preconceituoso&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-852700789434293537?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/852700789434293537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=852700789434293537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/852700789434293537'/><link rel='self' 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Ele olhou para ela com cara de quem quer dizer alguma coisa, mas não disse nada. Só viu que ela estava com ma caixa a mão. Aquela caixa fez com que ele entrasse em pânico, aquela caixa significava que ela iria mesmo embora e não seria como da outras vezes em que brigaram. Nas outras vezes ela não levou suas coisas embora, apenas passo alguns dias na casa de alguma amiga e depois voltou para conversar, então tudo se resolvia. Ela voltava para o apartamento e ele parava de beber por algumas semanas.&lt;br /&gt;Ele foi até o banheiro na verdade ele só queria ver o que ela estava fazendo no quarto, se estava realmente guardando as coisas para partir... E era verdade, ela estava realmente partindo desta vez, agora guardava as roupas na caixa, para ser mais exato, ela segura com muita angustia aquela camiseta do Tom Zé que ele havia dado para ela no primeiro aniversário de namoro.&lt;br /&gt;─ O que você ta fazendo? Perguntou ele.&lt;br /&gt;─ O que você acha?&lt;br /&gt;Ele abaixou a cabeça e foi até a sala pegar um cigarro. Voltou até a porta do quarto e disse:&lt;br /&gt;─ O meu cigarro acabou você tem aí? Era mentira, ele tinha um maço guardado no armário do banheiro.&lt;br /&gt;─ Você tem cigarro. Só tá querendo puxar papo, mas desta vez não vai funcionar, não adianta...&lt;br /&gt;─ Que merda, Márcia. Por que você ta fazendo isso comigo?&lt;br /&gt;─ Fazendo o quê? Foi você quem quis que fosse assim.&lt;br /&gt;─ Pô, Márcia, é de você que eu gosto, você sabe. Desde a faculdade agente tá junto. Fui eu quem te deu essa camiseta do Tom Zé.&lt;br /&gt;─ Eu não agüento mais você, Roberto, já me encheu o saco essa sua merda de vida e essa sua mania de beber demais. E além do mais se você quiser eu te devolvo essa porra de camiseta.&lt;br /&gt;─ Não precisa, ela é sua.&lt;br /&gt;─ Você é um gordo bêbado, metido a garotão hippie dos anos setenta.&lt;br /&gt;─ Se é por culpa da bebia, eu paro. Prometo.&lt;br /&gt;─ Você é o jornalista mais bêbado de São Paulo, não adianta vir com esse papo que não cola mais. Você não tem mais jeito, Roberto.&lt;br /&gt;Ele abaixou a cabeça e caminhou até a sala de estar. Ficou sentado no sofá esperando e esperando... Esperando que ela, por um milagre, mudasse de idéia. Acendeu um, dois, e no terceiro cigarro, resolveu ir até o quarto de novo para tentar, novamente, convencê-la a ficar.&lt;br /&gt;─ Márcia, fica. Pelo menos essa noite.&lt;br /&gt;─ Pra quê, Roberto? Pra você me convencer de que vai mudar e essas coisas? Eu já cansei, Roberto. Não agüento mais essa sua cara de merda quando acorda. Todo dia você acorda de ressaca porque passa a noite bebendo e escrevendo, aliás, esses contos que você escreve são todos ruins. Você é jornalista, e não escritor. Vê se cresce, Roberto.&lt;br /&gt;─ Porra, Márcia, também num precisa falar assim.&lt;br /&gt;─ Por que? Você é um bosta mesmo, você e aquele seu cavaleiro alado que você insiste em colocar naqueles seus contos de fantasia. É uma merda tudo aquilo que você escreve. Fantasia é coisa de europeu, Roberto. Aqui no Brasil o que pega é a realidade mesmo. Acorda, Roberto, por que você insiste em ser imbecil?&lt;br /&gt;─ Tem muitas pessoas que gostam do que eu escrevo.&lt;br /&gt;─ Quem?&lt;br /&gt;─ Tem muitas, eu não vou lembrar de cabeça.&lt;br /&gt;─ Fale uma, só uma pessoa que gosta do que você escreve.&lt;br /&gt;─ O Pedro, por exemplo, ele sempre me elogia.&lt;br /&gt;─ O Pedro é seu amigo, Roberto. Se ele não fosse, não elogiaria porra nenhuma, porque tudo que você escreve é muito ruim.&lt;br /&gt;─ Lá vem você com a síndrome dos letrados. Todos os letrados se acham donos da verdade absoluta, mas não passam de professores frustrados.&lt;br /&gt;─ Não fale assim da minha profissão, sou professora porque tenho um ideal.&lt;br /&gt;─ É professora porque não sabe escrever, porque se soubesse seria E-S-C-R-I-T-O-R-A.&lt;br /&gt;─ Não tem nada a ver uma coisa com a outra.&lt;br /&gt;─ Tem sim. E além do mais eu escrevo muito no jornal, to quase conseguindo uma coluna de crônicas...&lt;br /&gt;─ Desde que eu te conheci que você fala isso.&lt;br /&gt;─ Agora é verdade, ta pra acontecer.&lt;br /&gt;─ Desculpa ai, Bukowski de Pirassununga!&lt;br /&gt;─ Odeio quando você fala isso.&lt;br /&gt;Ele saiu caminhando com lágrimas nos olhos, foi até a sala, pegou uma dose de conhaque e acedeu mais um cigarro quando a fumaça iluminou a sua cabeça com uma idéia brilhante. Ele se levantou foi até o armário e pegou aquele disco do Velvet Underground e colocou aquela música que ela adora: “Femme Fatale”. Ela foi até a sala e o abraçou. Fazia dois meses que ela não fazia isso. Agora ele estava salvo.&lt;br /&gt;─ Não acredito que você ainda lembra.&lt;br /&gt;─ Pois é, eu posso não saber escrever, mas sei que você ainda adora a voz da Nico e as musicas do Lou Reed.&lt;br /&gt;Ela colocou a cabeça no seu ombro e dançou até acabar a musica. Depois foi embora. Ele tentou impedir colocando a musica de novo, mas não deu certo. Ela foi mesmo assim, mas disse que nunca mais amaria ninguém como havia amado ele. Aquela musica, ela amava... Ela se sentia um Femme Fatale quando saiu do apartamento, e ele um little boy. Ela a Nico e ele um Lou Reed abandonado. Entre os dois ficou a certeza de nunca mais amar ninguém como haviam amado um ao outro. Depois que ela saiu, ele repetia baixinho: “she’s a femme fatale...” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8500203550374965204?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8500203550374965204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8500203550374965204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8500203550374965204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8500203550374965204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/06/femme-fatale.html' title='Femme Fatale'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-247580745031360185</id><published>2008-06-02T18:06:00.000-07:00</published><updated>2008-06-02T18:07:46.625-07:00</updated><title type='text'>Uns mortos.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;Apenas os mortos sabem o que é felicidade,&lt;br /&gt;Apenas os mortos amam de verdade...&lt;br /&gt;Os mortos amam o limbo do caixão&lt;br /&gt;E o fundo da terra, as raízes, os vermes.&lt;br /&gt;Os mortos amam os vermes&lt;br /&gt;E detestam os velhos costumes.&lt;br /&gt;Os mortos deixam de ser matéria&lt;br /&gt;Passam a ser passado.&lt;br /&gt;Os mortos são feitos de lembranças&lt;br /&gt;Das lágrimas de quem ficou.&lt;br /&gt;Os mortos não choram, eles são felizes.&lt;br /&gt;Os mortos transferem suas cicatrizes&lt;br /&gt;Para aqueles que não sabem dizer não.&lt;br /&gt;Os mortos não sentem solidão,&lt;br /&gt;São gelados, cabeludos, são carne em decomposição.&lt;br /&gt;Depois, os mortos são montes de ossos,&lt;br /&gt;E o crânio do morto mais gentil&lt;br /&gt;Provocará repulsa no assassino mais frio.&lt;br /&gt;O crânio é símbolo macabro&lt;br /&gt;E não importa de quem tenha sido.&lt;br /&gt;O morto não quer respeito,&lt;br /&gt; Ele já morreu,&lt;br /&gt;O morto é muito mais feliz do que eu.&lt;br /&gt;Os mortos estão aconchegados na terra&lt;br /&gt;E eu ainda não encontrei o meu lugar.&lt;br /&gt;Talvez o morto em mim&lt;br /&gt;Queira, aos poucos, despertar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-247580745031360185?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/247580745031360185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=247580745031360185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/247580745031360185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/247580745031360185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/06/uns-mortos.html' title='Uns mortos.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8133449679892829229</id><published>2008-06-02T17:58:00.000-07:00</published><updated>2008-06-02T18:06:10.857-07:00</updated><title type='text'>Elegia à Kafka</title><content type='html'>Cansei desse quarto de hospedes,&lt;br /&gt;Cansei de ficar enclausurado na manhã crepuscular&lt;br /&gt;E no amanhecer que vem tecendo sua teia infernal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha casca e de minhas incansáveis pernas,&lt;br /&gt;Guardo ódio. Descrevo o desapreço&lt;br /&gt;Fazendo minha metamorfose e morro.&lt;br /&gt;Morro porque é a única saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E diga a Ele que o nome do meu advogado é Franz Kafka!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que não me envolva neste processo&lt;br /&gt;De desejos incestuosos, de mortes sanguinolentas.&lt;br /&gt;Cansei destes castelos abstratos,&lt;br /&gt;Destas cartas desgostosas, de desalento, de nostalgia.&lt;br /&gt;Uma madrugada, alguns dias,&lt;br /&gt;Gritos surdos de desespero&lt;br /&gt;Da alma imóvel do guerreiro&lt;br /&gt;Que se transforma em inseto&lt;br /&gt;Como se aquilo fosse a ultima saída.&lt;br /&gt;Da mesma metamorfose, da morte que traz a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8133449679892829229?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8133449679892829229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8133449679892829229' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8133449679892829229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8133449679892829229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/06/cansei-desse-quarto-de-hospedes-cansei.html' title='Elegia à Kafka'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8978894958007708550</id><published>2008-05-04T18:28:00.000-07:00</published><updated>2008-05-04T18:29:59.692-07:00</updated><title type='text'>Anêmico</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a neve do norte, note que ela está derretida&lt;br /&gt;E a vida é a mesma de sempre, desde que eu sou gente,&lt;br /&gt;Desde que o mundo é mundo&lt;br /&gt;Aquele que constrói é mudo. Eu sou mudo.&lt;br /&gt;Encaro o sol, precioso, estonteante,&lt;br /&gt;Antes do horizonte de barracos e tristeza,&lt;br /&gt;Porque depois, acaba toda a beleza&lt;br /&gt;E o que resta é pobreza marcada na cara de quem não come.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não come. Quem não come?&lt;br /&gt;Quem não come tem navalha,&lt;br /&gt;Quem não come mata, mata por matar,&lt;br /&gt;Não só para comer. Quem não come tem ódio,&lt;br /&gt;Ódio de não comer, ódio de quem come,&lt;br /&gt;Como eu, como você, nós comemos&lt;br /&gt;Eu sei disso, você que me lê come.&lt;br /&gt;Porque quem não come não consegue aprender a ler.&lt;br /&gt;E quem não come tem ódio&lt;br /&gt;De mim e de você. E de todos que tem uma casa&lt;br /&gt;E algo para comer.&lt;br /&gt;Quem não come tem medo&lt;br /&gt;De morrer por não comer,&lt;br /&gt;Quem não come não acha graça&lt;br /&gt;Em nada, nem em não ter o que comer.&lt;br /&gt;Dói pro estômago vazio dar risada da piada,&lt;br /&gt;Por isso que quem não come não acha graça em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que eu não sei cantar a flor&lt;br /&gt;E nem as glórias do dia&lt;br /&gt;Nem as luas dos namorados&lt;br /&gt;Nem de longe a alegria&lt;br /&gt;Eu não sei cantar primaveras&lt;br /&gt;Eu não sei fazer elegias&lt;br /&gt;De esperança em novas eras&lt;br /&gt;É outra a minha cantoria&lt;br /&gt;É que eu não sei cantar o amor&lt;br /&gt;Da família despedaçada&lt;br /&gt;Porque o pai não tem emprego&lt;br /&gt;Porque a mãe é oprimida&lt;br /&gt;Porque o filho não tem sossego&lt;br /&gt;Nem esperança alguma da vida&lt;br /&gt;É que eu não sei cantar belezas&lt;br /&gt;Porque eu só vejo tristeza&lt;br /&gt;Fome e covardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No inverno,&lt;br /&gt;O inferno frio,&lt;br /&gt;De quem na rua dorme.&lt;br /&gt;Mas quem dorme na noite fria?&lt;br /&gt;Por isso que aqueles meninos&lt;br /&gt;Amam tanto a luz do dia.&lt;br /&gt;No inverno,&lt;br /&gt;O inferno frio,&lt;br /&gt;A fome aumenta,&lt;br /&gt;Atormenta o estômago&lt;br /&gt;Vazio.&lt;br /&gt;O inverno&lt;br /&gt;Não é complacente,&lt;br /&gt;Na rua deveras o sente.&lt;br /&gt;O inverno é o inferno da gente!&lt;br /&gt;E agente não quer sentir fome,&lt;br /&gt;Agente não quer sentir frio,&lt;br /&gt;Agente não quer sentir&lt;br /&gt;O estômago da gente vazio.&lt;br /&gt;Agente cansou de ser bobo,&lt;br /&gt;Agente tá querendo lutar,&lt;br /&gt;Agente que o pedaço do bolo&lt;br /&gt;E agente vai pegar!&lt;br /&gt;Agente vai fazer a justiça&lt;br /&gt;Pra gente fome não passar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8978894958007708550?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8978894958007708550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8978894958007708550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8978894958007708550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8978894958007708550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/05/anmico.html' title='Anêmico'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4109823140104818215</id><published>2008-05-02T21:30:00.000-07:00</published><updated>2008-05-02T21:31:55.506-07:00</updated><title type='text'>E o vento traz de volta a garoa da noite passada.</title><content type='html'>Esse dia cinza, cinza de gota em gota,&lt;br /&gt;Dia que a chuva alimenta, que atormenta.&lt;br /&gt;As gotas suaves, leves, tocam minha pele imunda.&lt;br /&gt;Imundo, sem saber quão tolo são os solitários,&lt;br /&gt;Eu, involuntário, sangro mesmo sem ter sangue.&lt;br /&gt;Vem exorcizar a minha casa,&lt;br /&gt;Tirar dela esse vazio, essa solidão. Como se adiantasse...&lt;br /&gt;Abençoada seja a vossa tristeza,&lt;br /&gt;Pois só dela nasce, de gota em gota, a alegria, a beleza.&lt;br /&gt;O asfalto molhado da rua parece-se com campos orvalhados,&lt;br /&gt;Campos orvalhados negros. Uma imensidão,&lt;br /&gt;Plantação de rosas negras regadas de orvalho,&lt;br /&gt;Espesso, verde, quase cinza.&lt;br /&gt;A tristeza é o barulho da enxurrada,&lt;br /&gt;Calmo e turvo caminhando pelos ouvidos; de um lado para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pés gelados dentro dum tênis de pano&lt;br /&gt;É quase tudo o que tenho, e demais não me importa.&lt;br /&gt;Pois é, é mais um dia só, e só.&lt;br /&gt;Um dia polifônico, manso como um filhote panda.&lt;br /&gt;A garoa corta o rosto, serena, fria...&lt;br /&gt;Que o vento traz a nuvem cinza&lt;br /&gt;Para escurecer o céu. Como a fumaça do meu cigarro,&lt;br /&gt;E a alegria do palhaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4109823140104818215?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4109823140104818215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4109823140104818215' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4109823140104818215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4109823140104818215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/05/e-o-vento-traz-de-volta-garoa-da-noite.html' title='E o vento traz de volta a garoa da noite passada.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5101026252473836507</id><published>2008-05-01T20:44:00.000-07:00</published><updated>2008-05-01T20:45:49.711-07:00</updated><title type='text'>Essa noite</title><content type='html'>Por que a solidão insiste em ficar entre meus dentes?&lt;br /&gt;E de dente em dente se encontra quase uma gota de solidão,&lt;br /&gt;E de solidão em solidão se encontra um dente.&lt;br /&gt;Eu, gelado como as tardes de julho,&lt;br /&gt;Sorrio no espelho um sorriso amarelado como a lua.&lt;br /&gt;Os pés pelo mundo, os pêlos cobrindo o rosto&lt;br /&gt;De desgosto. Marcas da solidão.&lt;br /&gt;Os pés, pêlos mudos, mundos de solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5101026252473836507?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5101026252473836507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5101026252473836507' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5101026252473836507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5101026252473836507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/05/essa-noite.html' title='Essa noite'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1867581595480302785</id><published>2008-05-01T20:16:00.000-07:00</published><updated>2008-05-01T20:22:54.758-07:00</updated><title type='text'>Algum trocado</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;Eu não sufoquei em minha boca o teu beijo profano,&lt;br /&gt;Mas deite-me sobre o chão gelado da madrugada&lt;br /&gt;Para abortar o que sonhamos em um olhar fraterno.&lt;br /&gt;E se caminho assim meio sem direção, faço de conta que tenho um caminho&lt;br /&gt;Por seguir, por perseguir. Assim não me sinto tão culpado.&lt;br /&gt;Sei que pareço frágil porque sangro, mas nunca me senti tão forte,&lt;br /&gt;Já que agora caminhamos ombro a ombro.&lt;br /&gt;E já não sorrio para as tuas caras,&lt;br /&gt;Nem acho graça das tuas piadas,&lt;br /&gt;Ou ao menos sinto vontade de te ver, pois&lt;br /&gt;Como já disse, caminhamos ombro a ombro.&lt;br /&gt;O mesmo vazio que sinto, sentes também.&lt;br /&gt;Por isso sigo sozinho, abalado por minha infestação de caos.&lt;br /&gt;Transcrevo-me em palavras de crepúsculo, e de escuridão,&lt;br /&gt;A mesma que tens, aliás, a tua escuridão é maior que a minha&lt;br /&gt;Já que o tempo não é teu amigo.&lt;br /&gt;Me fascina essa tua dualidade, talvez ela até te ilumine em outros lugares,&lt;br /&gt;Mas a meus olhos tenha certeza, a escuridão tomou conta da sua face&lt;br /&gt;Assim   que negou estender-me a mão.&lt;br /&gt;Como já disse, agora caminhamos ombro a ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevi palavras sórdidas no desalento da minha descrença sobre a tua companhia, falso amigo,&lt;br /&gt;E não desdigo o que está escrito!&lt;br /&gt;E que elas sejam como cantos tristes de pássaros engaiolados,&lt;br /&gt;Sejam céticas e selvagens como o inferno segundo Dante...&lt;br /&gt;E que meu canto seja ódio e não lhe deixe dormir nem por um minuto, falso amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que te vale exterminar o meu apreço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo? Será que eu não sou uma ilha?&lt;br /&gt;Talvez eu te deixe mais algum trocado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1867581595480302785?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1867581595480302785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1867581595480302785' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1867581595480302785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1867581595480302785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/05/algum-trocado.html' title='Algum trocado'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2427492121118961817</id><published>2008-04-23T20:49:00.000-07:00</published><updated>2008-04-23T20:50:05.785-07:00</updated><title type='text'>Partindo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo ele se mostrava meio tímido, de poucas palavras, mas essas poucas palavras eram tão belas como os lírios. Naquela época ele não se mostrava, digo, assim frente a frente. Na verdade até hoje eu não sei ao certo qual é o peso de sua face, sei apenas que o brilho do seu sorriso ofusca tudo ao redor, não deixa em paz. Algumas pessoas até confundem o brilho de seu sorriso com alguma coisa maior como uma transgressão do espírito ou coisas do tipo, mas essas coisas são tão confusas que prefiro não pensar.&lt;br /&gt;A primeira vez que eu senti a sua presença foi em uma noite imensa, daquelas que só vemos a escuridão cinza. Ele foi se aproximando por todos os lados como quem sabe tudo o que se possa pensar, e sua enorme boca me dizia o que eu devia ou não fazer. Naquela noite senti que seria invadido por ele todas as vezes que desobedecesse alguma de suas ordens. Naquela noite vi o quanto ele era severo.&lt;br /&gt;Era uma noite de sexta, no céu havia uma lua latejante, cheia e amarela. Já não sabia mais o que devia fazer, queria enganá-lo, fugir para um lugar onde ele não pudesse me encontrar. Como poderia fugir dele? Seus olhos me perseguem, seus aguçados olhos já decifraram cada poro de meu corpo.&lt;br /&gt;Os pêssegos, na manhã de sábado, já se mostravam mofados. Alguns deixavam escapar uma ou outra parte podre, e mesmo que eu quisesse, não poderia comer outra coisa que não aqueles pêssegos. Logo que dei por mim, saindo daquele estado sonolento, vi que ele estava ao lado da fruteira. Resolvi não me aproximar muito, pois a sua sombra não o deixava esconder a sua insatisfação. Eu passei a seu lado e fingi não vê-lo, deixei os pêssegos mofados na fruteira, sem tocá-los, mesmo sabendo que a fome poderia me derrubar a qualquer momento. Fui ao banheiro e me tranquei para pensar em algum jeito de me livrar do calor dos seus olhos e do peso de sua incansável boca. Imaginei milhares de coisas que poderia lhe dizer caso houvesse alguma indisposição entre nós, mas na verdade havia uma indisposição entre nós desde o dia em que disse que não acreditava em suas palavras. Não havia como fugir, teria de enfrentá-lo mais cedo ou mais tarde mesmo.&lt;br /&gt;Quando saí do banheiro já imaginando o pior, percebi que ele não estava mais ali, ao lado da fruteira, imóvel com um ar de marido desconfiado. Nem ele, nem os pêssegos. Respirei em um alivio imediato, mas na verdade já sabia que ele, mais cedo ou mais tarde, voltaria. Aquela imagem da fruteira vazia trouxe alguns instantes de pensamentos singelos, não eram pensamentos ordenados, era apenas imagens desconexas até que no meio dessas imagens apareceu a de uma víbora pronta para o bote. “Acho que preciso de um cigarro”, pensei.  &lt;br /&gt;Procurei meu maço de cigarros por toda a casa, mas não encontrei. No cinzeiro havia um, pela metade, sujo de cinzas. Acendi, e minhas mãos trêmulas o levavam até minha boca de segundo em segundo. A cada tragada eu tentava imaginar qual seria seu próximo passo, sua próxima cartada. Caminhei até o quarto, deite sobre a cama. Encontrava-me entorpecido por minha existência, ou por sua presença. Na verdade eu nem sabia se ele estava novamente me observando, mas dizem que ele tudo vê. Será mesmo inútil me esconder? Acho que devo dormir um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado, ao cantar do primeiro pássaro, e ele já estava a meu lado. Observando o abrir dos meus olhos, o bocejar de minha boca imunda. Decidi enfrentá-lo de uma vez por todas, mas logo em seguida desisti já que a sua severidade estava estampada em sua feição. Busquei um ponto em que pudesse sair do quarto, olhei por tudo ao redor e não vi chance alguma de escapar de sua sombra. Quando me sentei sobre a cama, vi que ele deixou por um instante de me observar.  Ele havia se entretido com o reflexo de sua  sombra no espelho.&lt;br /&gt;Quando eu já estava quase cruzando a porta do quarto, sentindo o gosto de mais uma fuga, pude escutar os seus passos em minha direção. Minhas pernas estavam trêmulas, minhas mãos estavam suando, meu corpo parecia estar plantado no chão daquele maldito quarto. Não consegui dar nenhum outro passo sequer. Apenas consegui por alguns instantes observar que no canto do quarto havia: os pêssegos podres que certamente ele trouxera; o mofo dos pêssegos; a sua sombra arrasadora (que me provocava arrepio); o meu medo refletido no espelho. E do espelho eu pude ver os instantes que precederam o tocar de sua mão sobre meu corpo.&lt;br /&gt;Senti sua mão direita tocar o meu ombro com uma delicadeza quase singela, escutei a sua leve respiração se aproximando de meu ouvido... Quase entreguei os pontos naquele momento. Não sabia mais o que sentir, todas as minhas frustrações em relação as suas ordens caíram sobre minha cabeça de uma vez. Eu sentia medo. Não era medo propriamente, mas a única palavra que eu encontrei para descrever aquele sentimento foi medo. Algumas indagações explodiam em minha cabeça como: por quantas noites ele esteve aqui a zelar o meu sono?&lt;br /&gt;Talvez ele me ame, talvez não. Vi pelo espelho que suas incansáveis asas se abriram, pensei que ali seria seu golpe final. Pensei que se morresse, talvez até gostasse do inferno. Talvez ele me odeie. Em quase um segundo as suas mãos delicadas tornaram-se fortes e pontudas, tão pontudas a ponto de conseguirem separar o meu corpo do meu espírito e ali, no reflexo do espelho eu me vi, no corpo e no espírito.  As asas ele ofereceu a meu espírito para que ele seguisse rumo a outro corpo, um jovem corpo, sem pecados ou remorsos.&lt;br /&gt;Será mesmo que pode ele ser capaz de roubar-me o espírito? Logo ele que dizia perdoar todos os nossos pecados... No espelho eu vi meu espírito pala primeira vez e no espelho eu o vi partindo para sempre. Naquele momento de dor e sofrimento eu tive coragem de olhá-lo frente a frente, no fundo de seus olhos. E agora posso dizer com a maior convicção que seus olhos são vazios.&lt;br /&gt;Depois de tudo, ele colocou a sua incansável e enorme boca obre meus ouvidos. E eu mesmo sem saber o que estou dizendo, digo:&lt;br /&gt;─ Amém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2427492121118961817?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2427492121118961817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2427492121118961817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2427492121118961817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2427492121118961817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/partindo.html' title='Partindo'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6186271641994065174</id><published>2008-04-23T20:45:00.000-07:00</published><updated>2008-04-23T20:46:24.938-07:00</updated><title type='text'>III</title><content type='html'>Pelo sangue entre dedos&lt;br /&gt;Pelo nó da garganta&lt;br /&gt;Pelos filhos que nos ventres&lt;br /&gt;Pela dor que deveras sentes&lt;br /&gt;Por amar demais os entes&lt;br /&gt;Por cada palavra dita&lt;br /&gt;Por cada gota de vida&lt;br /&gt;Pelo amor que se situa no peito&lt;br /&gt;Por aquele amor de leito&lt;br /&gt;Pelos corvos que jantam restos&lt;br /&gt;Pelo resto que me transformei&lt;br /&gt;Por esse fio de vida&lt;br /&gt;Por essa vida a fio&lt;br /&gt;Pela navalha na carne&lt;br /&gt;Pelo cuspe na cara três vezes&lt;br /&gt;Pelo punho cortado&lt;br /&gt;Pelo coitado esmolando&lt;br /&gt;Pela poeira nas ruas&lt;br /&gt;Pela doença silenciosa&lt;br /&gt;Pelo medo que silencia&lt;br /&gt;Por aquele que em silencio mata&lt;br /&gt;Pelos ingratos pelos trapaceiros&lt;br /&gt;Pelo hospedeiro e suas doenças&lt;br /&gt;Pela doença que é a crença&lt;br /&gt;Pela criança com fome&lt;br /&gt;Por algo que te emocione&lt;br /&gt;Lute! Porque a luta mantém viva&lt;br /&gt;A esperança do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6186271641994065174?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6186271641994065174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6186271641994065174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6186271641994065174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6186271641994065174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/iii.html' title='III'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8515091533991996165</id><published>2008-04-18T20:18:00.002-07:00</published><updated>2008-04-18T20:22:48.121-07:00</updated><title type='text'>Diálogo contemporâneo em um bairro pobre seguido de tragédia.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vinha andado pela rua. Passos lentos, nariz avermelhado, boca ressecada e suor, suor por todo o corpo. Alguns diziam que ele havia mudado de vida. Agora, todos os dias na igreja. Para o pastor, ele era o fiel mais fiel. Agora, ele vinha pela rua com uma camisa azul com o logotipo da fábrica. A camisa, toda fechada, parecendo enforcá-lo. Nos tempos indos ele sempre estava sem camisa, exibindo as tatuagens que fizera nos meses em que esteve preso.&lt;br /&gt;O filho o esperava no alto do portão da casa onde havia alugado. Na casa ele morava com a esposa e o filho, um menino de cinco anos que adorava o pai. Mal sabia o menino do passado do pai.&lt;br /&gt;Ele morou a vida inteira ali no bairro, eu vi sua ascensão e sua queda. Foi triste para sua família, mas enfim tudo está no seu lugar. Ele estava tão entretido com suas coisas com Deus que se esquecera de cumprimentar os velhos amigos quando passava pelas ruas do bairro.&lt;br /&gt;De repente ele parou, resolveu mudar os rumos e caminhou em direção ao Tano, seu velho parceiro das baladas. O Tano era da noite, vivia em bar, vendia droga... Era “o” bandido do bairro. Enfim, ele caminhou em direção ao Tano e disse:&lt;br /&gt;─ E aí, Tano. E os ratos por onde andam?&lt;br /&gt;E a bala crivou-o no peito, a camisa azul ficou encharcada de sangue. O Tano pegou o cachimbo, guardou no bolso, e correu pelo bairro gritando:&lt;br /&gt;─ Tira a mão do meu pescoço!!! Eu não quero morrer enforcado.&lt;br /&gt;Depois de dois dias encontraram o Tano afogado em uma piscina de plástico no quintal da Tia Maria. E a viúva do morto convertido casou-se depois de dois anos com o pastor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8515091533991996165?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8515091533991996165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8515091533991996165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8515091533991996165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8515091533991996165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/dilogo-contemporneo-em-um-bairro-pobre.html' title='Diálogo contemporâneo em um bairro pobre seguido de tragédia.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7896957442446295107</id><published>2008-04-18T20:18:00.001-07:00</published><updated>2008-04-18T20:18:23.873-07:00</updated><title type='text'>II</title><content type='html'>Prepare o funeral deste corpo enfermo,&lt;br /&gt;Balançando sobre a chuva rala do oceano,&lt;br /&gt;Escutando o tilintar de crânios, cabeças a beira de um abismo confuso.&lt;br /&gt;Eu temo. Tenho uma febre maldita,&lt;br /&gt;Qual dos três lados da faca é a melhor saída?&lt;br /&gt;Qual punhal de solidão enterrei em meu próprio peito?&lt;br /&gt;Agora penso em frases que remetem preciosidade,&lt;br /&gt;Por que eu amo tanto estar em minha companhia?&lt;br /&gt;Febril, já não respondo em meu juízo. E temo.&lt;br /&gt;Talvez esse meu próprio ópio não passe de desconforto.&lt;br /&gt;Preso em uma saudação, faço a minha evocação e padeço.&lt;br /&gt;E com o mesmo copo que me embriago, adormeço&lt;br /&gt;Com seus cacos enterrados em meus frágeis punhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7896957442446295107?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7896957442446295107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7896957442446295107' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7896957442446295107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7896957442446295107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/ii.html' title='II'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8801426621268273889</id><published>2008-04-18T20:16:00.000-07:00</published><updated>2008-04-18T20:17:27.787-07:00</updated><title type='text'>Convite</title><content type='html'>Vivendo cada instante sigo eu tão inconstante,&lt;br /&gt;Então vem sentar-te comigo na ponta daquela estrela, vem!&lt;br /&gt;Vem comigo viver o segundo,&lt;br /&gt;Beijar pra afagar os instantes&lt;br /&gt;Antes do fim do mundo.&lt;br /&gt;Nada é tão sagrado quanto o nosso desejar,&lt;br /&gt;Então vem dançar comigo esta noite&lt;br /&gt;Mesmo que todos digam que é pecado.&lt;br /&gt;Nada é pecado, até que Deus nos prove o contrário!&lt;br /&gt;Tudo que somos é sagrado, então vem,&lt;br /&gt;Vem dançar comigo esta noite.&lt;br /&gt;Vem mostrar pro mundo&lt;br /&gt;Que nem tudo é tão absurdo assim.&lt;br /&gt;Então vem,&lt;br /&gt;Vem sentar-te comigo na ponta daquela estrela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8801426621268273889?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8801426621268273889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8801426621268273889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8801426621268273889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8801426621268273889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/convite.html' title='Convite'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3020214598241587054</id><published>2008-04-18T20:06:00.000-07:00</published><updated>2008-04-18T20:14:21.694-07:00</updated><title type='text'>Desesperança</title><content type='html'>Havia uma esperança, esperança de... Alguma esperança. Mas ele não voltava, ele nunca voltaria.&lt;br /&gt;Ela saiu triste e sozinha para comprar cigarro. E uma página rasgada de um livro que ela não sabia qual era voou e tocou seus pés. Ela se abaixou e tomou por sua a página pensando que aquelas palavras iriam amenizar a sua tristeza, mas na página só havia navalhas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sentir dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que guardas entre as pernas?&lt;br /&gt;Diga-me amiga aflita, O que não cabe em seu peito,&lt;br /&gt; mas que transborda o teu leito, teu leite do amor de mãe?&lt;br /&gt;O que guardas entre as pernas?&lt;br /&gt;A vergonha de ser puta, a memória dissoluta dos amantes que já teve...&lt;br /&gt;Sei que guardas entre esta porra um “Deus não deixe que eu morra,&lt;br /&gt;Sem provar o doce das amoras.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guarde triste e faminta, aquela nota de trinta que ganhou por teu trabalho,&lt;br /&gt;Guarde a cabeça erguida a muito já perdida por vergonha, por escárnio...&lt;br /&gt;Por medo de bem cedo se doar a um qualquer que por posse tiver alguns trocados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que guardas entre as pernas é só dor, humilhações e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estais nas esquinas que os faróis te iluminas, que teu corpo negro brilha&lt;br /&gt;Sob a luz dos automóveis, sob a luz das cigarrilhas que após o gozo brilhas,&lt;br /&gt;Teus olhos ficam opacos por não ter nada além de dor, no estômago e no peito.&lt;br /&gt;O que guardas entre as pernas são gozos da dramaturgia, por obrigação e não por alegria&lt;br /&gt;“E abaixo teta esquerda guarda toda a dor por não mais sentir nada que não seja dor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela leu e chorou, porque aquelas palavras rasgaram o seu peito, porque aquelas navalhas eram muito afiadas.&lt;br /&gt;Era apenas medo, medo do desejo... Engasgou com o sangue que invadira a sua garganta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3020214598241587054?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3020214598241587054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3020214598241587054' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3020214598241587054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3020214598241587054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/desesperana.html' title='Desesperança'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3316377849541535550</id><published>2008-04-13T19:19:00.000-07:00</published><updated>2008-04-30T20:02:17.614-07:00</updated><title type='text'>Aquela orquídea não morreu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de dizer algumas coisas antes que você parta neste trem, já que talvez agente não se veja mais. Talvez eu não diga tudo o que eu queria. Talvez eu diga... Ou mesmo talvez eu não diga nada, nada sobre mim, ou sobre nós. Primeiro eu queria dizer que aquela vez em que brigamos, lembra daquela vez? Então, eu estava errado, eu fui o culpado. Se pudesse voltar atrás eu voltaria, mas pensando bem, agora eu até acho que foi um pouco bom. Mesmo porque eu ficava com medo de chegar perto demais de você e ouvir você dizer que não, porque daquela vez foi tão traumatizante. Foi traumatizante para mim também; E também tem outra coisa que eu queria te dizer, agora que você já vai partindo nesse trem rumo às grades. Lembra daquela vez que eu disse que te amava? Então, era mentira. Era só para sentir como era estar por baixo de alguém, eu jamais te amei naquela época, mas agora eu já não posso dizer o mesmo. Para mim está sendo tão difícil ver você partindo, e como dói isso... Ah, tem outra coisa. Mesmo que você se esqueça de mim eu vou estar sempre aqui de braços abertos. Mesmo que eu não tenha braços. Outra coisa, aquele nosso lance, eu devo esquecer ou esperar que você ligue? É porque talvez um dia você sinta saudades e nem se lembre do que eu disse agora. Eu vou te esperar sim, mesmo que você não acredite. Olha, se você, um dia, quem sabe, talvez tenha um filho. Você coloca o meu nome nele? Porque assim eu vou ver que você lembrou-se de mim, mesmo fingindo não lembrar. Sei que talvez eu esteja parecendo um pouco chato, mas é que tem tanta coisa que eu queria e dizer, que eu nem sei por onde começar. Se você tiver alguma dúvida se um dia for me procurar pode saber que eu sempre vou te tratar dessa maneira, eu sei que você não gosta muito da maneira que eu te trato, mas... Sabe, eu estava me lembrando daquela noite em que ficamos olhando a lua da janela do meu quarto, uma lua amarelada e redonda, redonda como a bola do seu olho. Você é meio esquisita, tem os olhos saltando do rosto, mas eu aprendi a te amar do jeito que você é. E mesmo que você faça uma plástica e fique mais bonita, eu continuarei preferindo você assim, meio esquisita. Ah, tem também outra coisa. Sabe aquela orquídea que você me deu de aniversário? Todo ano ela floresce, eu sei que você não gosta muito e flor, mas achei que você iria gostar de saber que essa orquídea não morreu. Tem tantas outras coisas que eu queria te falar, mas não vai dar tempo. Estou espremendo as minhas memórias para te dizer tudo o que eu queria, mas eu sempre esqueço tudo que eu planejei. E foi você quem me disse isso pela primeira vez. Eu sei que o trem está partindo, eu sei que você não tem mais tempo, mas na verdade eu queria que você ficasse, eu queria que você esquecesse todas essas nossas diferenças. AH, DESCULPA. Eu sei que tinhamos combinado não tocarmos mais nesse assunto, mas... Eu não consigo te ver e não querer estar a seu lado. Eu te amo, porra! Você sabe disso. Eu te amo, não tem jeito. Eu fiquei esse tempo todo enrolando só para ver se te fazia perder essa porra de trem e esquecer de uma vez por todas essa briga. Não me olha com essa cara desprezo, que merda meu. Eu vou te falar pela ultima vez, mas por favor deixa essas malas ai no chão. Não vai nesse trem. Espera o próximo, vamos conversar. Eu sei que agente já conversou, mas para mim não foi o bastante. Ah, não vai não. Não me deixa falando sozinho, que merda. Eu te amo, porra!!!!!!!!!! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3316377849541535550?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3316377849541535550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3316377849541535550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3316377849541535550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3316377849541535550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/aquela-orqudea-no-morreu.html' title='Aquela orquídea não morreu'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7507048484409364974</id><published>2008-04-10T18:23:00.000-07:00</published><updated>2008-04-10T18:53:41.322-07:00</updated><title type='text'>Confesso</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eu sou amargo como as tardes cinzas&lt;br /&gt;Que não foram ensolaradas,&lt;br /&gt;amargo como um dia de trabalho,&lt;br /&gt;vômito de bêbado,&lt;br /&gt;e a resposta: “Eu também”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amargo no meu âmago&lt;br /&gt;e no meu mundo exterior,&lt;br /&gt;seco e cruel,&lt;br /&gt;cria de Kafka sim senhor!&lt;br /&gt;Orgia de policiais com putas&lt;br /&gt;Ou o tráfico de meninas...&lt;br /&gt;Sou o âmago cinzento&lt;br /&gt;como os muros de usinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um sincero paralítico&lt;br /&gt;Que não tem amor a vida,&lt;br /&gt;Irônico e invejoso&lt;br /&gt;Minhas lágrimas são frias.&lt;br /&gt;Amargo como o vizinho chato&lt;br /&gt;Que não suporta as crianças,&lt;br /&gt;Minha cor acinzentada mostra a desesperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou sêmen em sua boca,&lt;br /&gt; - É verdade, sou a gozada que não te espera&lt;br /&gt; Nem deseja dar prazer -&lt;br /&gt;Aquilo que tanto deseja,&lt;br /&gt;Mas que só te faz sofrer.&lt;br /&gt;Sua doença, sua censura,&lt;br /&gt;Seu hálito de manhã...&lt;br /&gt;Sou sujo, impuro, imundo&lt;br /&gt;E impiedoso como Satã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7507048484409364974?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7507048484409364974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7507048484409364974' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7507048484409364974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7507048484409364974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/04/confesso.html' title='Confesso'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7779848163484386613</id><published>2008-03-23T12:01:00.001-07:00</published><updated>2008-03-23T12:01:50.310-07:00</updated><title type='text'>Desejo carnal</title><content type='html'>Ultimamente tenho sentido gosto de sangue na boca,&lt;br /&gt;Ultimamente tenho sentido o gosto do teu sangue na boca,&lt;br /&gt;Ultimamente sinto o teu corpo entre meus dentes,&lt;br /&gt;Atrapalhando minha mordida, apodrecendo minha arcada,&lt;br /&gt;Assassinando meu paladar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente sinto teu corpo entre meus 32 dentes&lt;br /&gt;E uma vontade incontrolável de estraçalhá-lo,&lt;br /&gt;Vontade de romper cada fibra de tua carne,&lt;br /&gt;De quebrar cada costela tua, de morder teu olho&lt;br /&gt;Até que ele estoure e se derrame em líquido quente dentro de minha boca...&lt;br /&gt;Talvez assim&lt;br /&gt;eu não sinta mais teu sangue em minha boca&lt;br /&gt;ou ao menos talvez mate meu carnal desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7779848163484386613?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7779848163484386613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7779848163484386613' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7779848163484386613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7779848163484386613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/desejo-carnal.html' title='Desejo carnal'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3931228116995795049</id><published>2008-03-23T11:57:00.002-07:00</published><updated>2008-03-23T11:59:28.926-07:00</updated><title type='text'>A morte de uma velha árvore</title><content type='html'>Árvore velha, marcada de tempo em cinza,&lt;br /&gt;Escultura dos amores libertinos&lt;br /&gt;Que libertam o milagre da vida.&lt;br /&gt;Árvore velha, raízes incrustadas na terra disforme&lt;br /&gt;Contornos lascivos petrificados&lt;br /&gt;Por anos e anos imóvel, inatingível.&lt;br /&gt;Árvore velha marcada pelo suor de muitos,&lt;br /&gt;Pela saliva saída da boca afagando o gozo,&lt;br /&gt;Pelas unhas de muitas mulheres...&lt;br /&gt;Árvore velha, velha tarde violeta,&lt;br /&gt;A tua libido mostra quão erótica pode ser tua carne&lt;br /&gt;Por isso os homens vêm,&lt;br /&gt;A vêem e cortam, com lâmina serra.&lt;br /&gt;Secando tua beleza por sonhos libertinos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3931228116995795049?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3931228116995795049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3931228116995795049' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3931228116995795049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3931228116995795049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/morte-de-uma-velha-rvore.html' title='A morte de uma velha árvore'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5124392447344730241</id><published>2008-03-23T11:57:00.001-07:00</published><updated>2008-03-23T11:57:51.527-07:00</updated><title type='text'>Que beleza</title><content type='html'>Mas por que não consigo parar de escutar&lt;br /&gt;Ressoar o timbre destes metais?&lt;br /&gt;Diga a ele que este soul&lt;br /&gt;Está na minha alma, e que minha mente é liberta&lt;br /&gt;Quando escuto o eco desse trompete flutuante.&lt;br /&gt;Eu me escuto na tua voz,&lt;br /&gt;Talvez seja porque repeti por varias e varias madrugadas&lt;br /&gt; O seu soul alucinante...&lt;br /&gt;Com graves e suaves notas&lt;br /&gt;O Rosnar de sua voz na macha da tua cara,&lt;br /&gt;Nas noites de porre eterno, na tua noite eterna&lt;br /&gt;Eu matei a minha fome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5124392447344730241?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5124392447344730241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5124392447344730241' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5124392447344730241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5124392447344730241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/que-beleza.html' title='Que beleza'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5811631377645826649</id><published>2008-03-23T11:43:00.000-07:00</published><updated>2008-03-23T11:44:58.863-07:00</updated><title type='text'>Réquiem para os órgãos de um corpo imundo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Da primeira vez foi tudo muito estranho, eu estava um pouco triste porque os meus olhos acabavam de cair. É uma história um pouco agonizante e eu não gosto de contá-la, mas agora que já comecei... Talvez o medo de contar essa história fosse uma vontade implícita no mais profundo dos meus sentimentos de espírito, na verdade uma necessidade íntima que se encontrava guardada em mim desde o dia em que isso aconteceu. É estranho não ver nada, e também é estranho não ter nada no lugar em que alguns segundos antes habitavam dois grandes olhos. Sei que este era um réquiem para um órgão que já cansado de sofrer abandona um corpo imundo, “estes olhos cansaram-se de habitar esta pocilga!”, penso em minha escuridão. &lt;br /&gt;Eu não vi, mas imagino que foram uns ratos que moram no forno que comeram meus olhos. Eu escutei quando um deles levou um de meus olhos para dentro do forno, escutei quando seus dentes estouraram a camada fina que protegia a minha íris e sua língua lambendo o líquido que escorreu pelo chão da casa.&lt;br /&gt;Passado alguns dias quando eu havia me acostumado a viver sem meus olhos, outra parte abandonou este corpo que vos fala. Agora quem partia para sempre eram minhas mãos. Minhas calmas e magras mãos, as falanges, as unhas, os pelos ralos de cada dedo. Ah, o dedos... Esses sim farão uma tremenda falta. Agora eu não podia fazer mais nada que não fosse deitar e esperar a morte. Sem olhos, sem mãos estou fadado a não sentir nada que não seja o cheiro doce do perfume da única mulher que amei, se ao menos ela estivesse aqui...&lt;br /&gt;Vou para a cama já desiludido, eu assumo, entrego os pontos agora.&lt;br /&gt;─ Entrego os pontos!&lt;br /&gt;Gritei esperando que alguém me ouvisse. “Entrego tudo o que é meu, tudo que eu tenho de mais valioso”. E engasgo com minha própria língua, agora foi ela quem se soltou do resto do corpo, e o resto não é nada. Eu sinto uma angustia profunda, uma vergonha imensa. Até que escuto passos dentro do quarto. Não falo nada, e mesmo se quisesse não tenho mais língua...&lt;br /&gt;Esse alguém se aproxima, eu escuto seus passos... Eu não sei quem ele é, mas sinto que ele me conhece como ninguém. Ele me observa por alguns instantes. Escuto sua respiração como se fosse uma triste sinfonia, a mais triste das sinfonias, a minha única esperança. Temo o que ele pode fazer comigo, temo apenas por um instante, pois o que poderia ser pior do que isto que já me aconteceu?&lt;br /&gt;Escuto sua respiração se aproximando do meu ouvido direito, ele está se abaixando. O medo impede que eu me mova. E ao chegar bem próximo de minha orelha ele respira duas vezes como quem procura fôlego e diz bem baixinho:&lt;br /&gt;─ Posso lhe dar olhos de vidro, posso lhe dar mãos que trabalhem e uma língua que quase fale, desde que você me dê seu coração. O que você acha?&lt;br /&gt;Respondo positivamente balançando a cabeça, e em um instante eu estava acordado, enxergando, com as mãos coladas nos punhos e cantando uma velha canção. Até que um vazio imenso se apossou de meu peito,  então corri para o banheiro pegar o tarja-preta.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5811631377645826649?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5811631377645826649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5811631377645826649' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5811631377645826649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5811631377645826649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/rquiem-para-os-rgos-de-um-corpo-imundo.html' title='Réquiem para os órgãos de um corpo imundo.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5771351508087395704</id><published>2008-03-15T17:36:00.000-07:00</published><updated>2008-03-15T18:02:46.799-07:00</updated><title type='text'>Dentro do poço</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;I- Nos teus olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava sentado no banco da praça, dentro da noite. Meu relógio já apontava duas horas da madrugada. Não estava com sono, não era isso, era apenas uma vontade de estar só. Uma vontade de estar na noite, ou melhor, dentro da noite. A única coisa que eu queria naquele momento era ficar esperando a grande estrela da manhã surgir para clarear o céu, porque o sol seca a água do poço em que estou me afogando neste momento.&lt;br /&gt;Em um instante de glória e decadência Beethoven surge no assobio de um sujo mendigo. Mas agora o triste piano era apenas a música do caminhão de gás, aliás, a musica chata do caminhão de gás assoprada em notas desafinadas da boca já quase sem dentes. Uma boca cheia de ausência.&lt;br /&gt;Os meus olhos sentiam cada estrela, e cada uma com sua preciosidade, seu próprio brilho, seu próprio amor... Cada estrela é um diamante que ama no céu de teias eretas para demonstrar um altruísmo singelo com a grande mãe lua. O céu, precioso, que não foi o homem quem fez, mas foi o homem quem o sentiu com os olhos, com boca muda, com palavras como estas... Pairava sobre minha cabeça enquanto eu tocava as paredes do poço. O lodo das paredes penetrava na ponta de meus dedos, entre a unha e a carne. Eu estava entorpecido, dentro do poço... Dentro da noite, me afogando no poço. Veloz.... Eu era à noite, o Beethoven, o caminhão de gás e a lua diamante que um dia eu guardei nos teus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II-No meio, ausência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio, no espaço que há entre meus lábios não há nada. O puro e límpido vazio ovula em minha boca, e eu nada faço, nada quero. Sentia-me um pouco pesado, parecia pressentir alguma coisa quando de repente sinto alguém me apunhalando..Eu até me esquivaria se esse alguém não tivesse me apunhalado pelas costas.&lt;br /&gt;O punhal era pesado, me consumia cada vez mais e o sangue escorria por minhas costas transformando-a em um mar vermelho. Sinto vertigens e quando acordo, estou me afogando novamente na água do poço. O sangue avermelhava a água, esquentava o punhal, deixava o meu corpo e buscava outros caminhos. Misturava-se com o lodo, e com tudo que estava no poço naquela noite sem fim.&lt;br /&gt;A música que o mendigo insistia em repetir me trazia uma angustia maior do que a que eu sentiria normalmente. Eu caminhava por cenários que pareciam perfeitos para filmes pornográficos, eu já não respirava bem. O punhal havia atingido meu pulmão esquerdo, o punhal se banhava em meu sangue, entranhado em minha carne.&lt;br /&gt;Eu estava dentro da noite, me afogando na poça de sangue, veloz...&lt;br /&gt;Seria mesmo um desejo meu ser apunhalado pelas costas, sem poder sequer me defender?&lt;br /&gt;O que eu censurei em minha boca além de cada grito abafado pelo medo? E o que eu guardei de tudo isso? Será mesmo só a ausência do sangue que foi derramado pelo punhal? O que Beethoven tem a ver com a minha dor, coma minha dificuldade de respirar? É melhor acender um cigarro.&lt;br /&gt;São dias como domingo em que você pede ao tempo que passe um pouco mais devagar. Esse domingo é só mais um domingo verde, verde e vermelho. E o verde contamina a minha pele, invade os meus poros... Qual é mesmo a cor do punhal? Como irei saber se ele está apunhalado em minhas costas. “Agora sua cor se confunde com o vermelho de meu sangue. “Então é vermelho, e o verde vem da pele mesmo”.&lt;br /&gt;Quando acendo o cigarro, eu sei quem é a fumaça, mas a fumaça não sabe quem eu sou. A fumaça não sabe nada que não seja dar prazer para quem fuma.&lt;br /&gt;Eu sou o anti-modelo, aquilo que ninguém deveria ser, a cólera em forma humana. O pulmão preenchido de fumaça e cinza me completa, solto a fumaça e a vejo sumir no ar. A fumaça e o seu incontável prazer. Logo esta fumaça cicatrizará a ferida, mas o punhal fará parte de mim para sempre, fui eu quem o invadiu, fui eu quem se apropriou de sua afiada e imunda lâmina.&lt;br /&gt;Quando vejo que no meio de tudo há sempre ausência, me tranco nos confins da alma sanguinária. E penso comigo mesmo: “Logo eu, que fui abortado pelo céu da boca, eu que fui um mudo no mundo, sem pai ou mãe”... Penso e desisto como sempre. Acendo outro cigarro e me afogo no seu mar de fumaça preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III- As asas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última tragada já não fazia tanto sentido, eu já nem sentia o efeito da nicotina. O mendigo que assobiava fraco já se foi, mas o Beethoven não sai de minha cabeça. Vejo um cachorro faminto revirando o lixo, e um garoto faminto disputando com o cachorro a melhor parte do lixo. Sinto medo.&lt;br /&gt;Perco-me em pensamentos, são pensamentos soltos, desconexos, eu não os entendo. “Acho que devo parar de beber”. No meio destes pensamentos um me chama a atenção, me chama a atenção porque são palavras do poeta. Palavras que se confundem com a minha natureza, e uma voz grave ressoa em minha cabeça: “Quantas igrejas tem o céu?”&lt;br /&gt;Eu não sei responder e me calo.&lt;br /&gt;Consigo enxergar o garoto que disputa o lixo daqui alguns anos, e faço sua imagem neste mesmo local, assaltando alguma loja, batendo carteira... Sinto medo novamente.&lt;br /&gt;Eu lembro que me fez muita falta uma mãe, alguém que me amasse mais do que a si mesmo. Eu nunca consegui amar a ninguém, nem a mim mesmo. Talvez seja por isso que fui apunhalado pelas costas pela segunda vez, agora do lado direito de minhas costas. Será este o mesmo veneno, por que não o sinto? Porque eu não consigo esquecê-lo? Meu corpo frágil já nem sangra, com isso eu percebo que foi Deus quem me apunhalou.&lt;br /&gt;─ Por que fizeste isso comigo, Deus?&lt;br /&gt;Eu grito tentando fazer com que ele me responda. Mas escuto apenas o eco de minhas palavras ressoando pela praça, dentro da noite, tocando as estrelas como uma mãe toca seu filho pela primeira vez.&lt;br /&gt;Sinto uma dor imensa, começo a me contorcer no frio chão da praça, a noite observa a minha dança como eu observei o garoto disputando o lixo com um cachorro. Meus sentimentos se confundem, a dor parece me tornar mais forte. Sinto os dedos de Deus tocando os meus lábios. O pai tentando seduzir o seu filho, “mas não o amo...”, eu pensava enquanto sentia sua mão usurpadora tocando minha face. Logo após me tocar Ele voltou para o seu trono. Eu não vi a sua face, vi apenas seu sorriso branco reluzindo sobre meus olhos.&lt;br /&gt;Quando acordei havia um enorme par de asas em minhas costas, então saí voando vagarosamente do poço olhando para o horizonte como se não houvesse explicação alguma. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5771351508087395704?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5771351508087395704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5771351508087395704' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5771351508087395704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5771351508087395704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/dentro-do-poo.html' title='Dentro do poço'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7381968342414520438</id><published>2008-03-15T17:35:00.000-07:00</published><updated>2008-03-15T17:36:03.645-07:00</updated><title type='text'>Dentro do peito</title><content type='html'>Guardei meu corpo porco&lt;br /&gt;Na caixa de madeira ruim&lt;br /&gt;Sem janelas, porta coberta de terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardei meu corpo porco&lt;br /&gt;Na prisão de ser normal&lt;br /&gt;De tomar tapa na cara, calado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terra do pão mofado&lt;br /&gt;Entrei nesse tal mercado&lt;br /&gt;Para não morrer sem pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No corpo porco&lt;br /&gt;No rastro da lua&lt;br /&gt;Dentro do meu coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase humano&lt;br /&gt;Quase gente&lt;br /&gt;Quase preso&lt;br /&gt;Quase livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardei meu porco corpo (Porco corpo corpo porco)&lt;br /&gt;No rastro da lua(Porco corpo corpo porco)&lt;br /&gt;Dentro da minha prisão(Porco corpo corpo porco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase vivo&lt;br /&gt;Quase morto&lt;br /&gt;Quase porco&lt;br /&gt;Quase corpo&lt;br /&gt;(corpo porco corpo porco...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7381968342414520438?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7381968342414520438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7381968342414520438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7381968342414520438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7381968342414520438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/dentro-do-peito.html' title='Dentro do peito'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5816351163188312706</id><published>2008-03-15T17:34:00.000-07:00</published><updated>2008-03-15T17:35:25.425-07:00</updated><title type='text'>Denovo</title><content type='html'>Eu quero falar sobre ondas&lt;br /&gt;Que molham canelas no inverno&lt;br /&gt;Fingindo não perceber que acima andorinhas voam&lt;br /&gt;Abaixo estrelas queimam os pés presos na areia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero falar sobre café amargo&lt;br /&gt;Que fiz nesta noite de inferno&lt;br /&gt;Fingindo não perceber que a noite é curta&lt;br /&gt;E o rio continua a correr mesmo se minha&lt;br /&gt;Canela o corta, sendo assim,&lt;br /&gt;O rio entorta e segue seu rumo&lt;br /&gt;Rodeando a minha canela,&lt;br /&gt;até o mar de ondas&lt;br /&gt;Que molham canelas no inverno&lt;br /&gt;E os ossos fogem do corpo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5816351163188312706?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5816351163188312706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5816351163188312706' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5816351163188312706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5816351163188312706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/denovo.html' title='Denovo'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6067597065273962204</id><published>2008-03-15T17:33:00.000-07:00</published><updated>2008-03-15T17:34:35.488-07:00</updated><title type='text'>Uma viúva</title><content type='html'>Fui guardado a bel prazer por uma jovem viúva&lt;br /&gt;Fui morto por ela&lt;br /&gt;Agora eu vivo me vendo do inferno&lt;br /&gt;No inferno que eu me vendi&lt;br /&gt;Eu comi a viúva, seu gosto de uva&lt;br /&gt;Eu matei teu marido, teu homem fui eu que matei&lt;br /&gt;(o rosto se encheu de lágrimas)&lt;br /&gt;Ela se deu a mim para vingar a morte&lt;br /&gt;E me matou com muitos e muitos cortes&lt;br /&gt;Depois de guardar meu sono por muitas e muitas noites.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6067597065273962204?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6067597065273962204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6067597065273962204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6067597065273962204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6067597065273962204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/03/uma-viva.html' title='Uma viúva'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8424609991862698352</id><published>2008-02-17T04:49:00.001-08:00</published><updated>2008-02-17T04:49:51.986-08:00</updated><title type='text'>Vulgaridade</title><content type='html'>Desperto e adormeço num mundo que não conheço,&lt;br /&gt;E minha vitrola continua tocando Smiths...&lt;br /&gt;Em um instante fico preso na indagação singela:&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Pasárgada?&lt;br /&gt;E o telefone toca:&lt;br /&gt;─ Foi você quem ligou pedindo gás?&lt;br /&gt;“É preciso um pouco mais de fogo”, penso.&lt;br /&gt;Depois de Ask eu não escuto mais nada&lt;br /&gt;Apenas um ruído cinza da vitrola tímida.&lt;br /&gt;“É, preciso mesmo de um pouco mais de fogo...”&lt;br /&gt;Preciso ler Schopenhauer, e escutar mais Belchior.&lt;br /&gt;A janela está fechada para que o gato não entre em casa,&lt;br /&gt;Evita o gato, mas traz calor e impede que eu pense...&lt;br /&gt;Mas se alguém perguntasse:&lt;br /&gt;“Você tem fogo?”, eu responderia:&lt;br /&gt;“Tenho dois botijões de gás&lt;br /&gt;E a paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8424609991862698352?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8424609991862698352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8424609991862698352' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8424609991862698352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8424609991862698352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/vulgaridade.html' title='Vulgaridade'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3757119269546890011</id><published>2008-02-17T04:48:00.000-08:00</published><updated>2008-02-17T04:49:20.421-08:00</updated><title type='text'>Na boca</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O lustre da sala parecia aterrorizado com a cena, e meus olhos reviravam, minha boca sangrava já quase sem nenhum dente. Naquele momento eu fui quase Deus, quase porque a corda não conseguiu me segurar durante o tempo necessário. Ficaram apenas alguns hematomas no pescoço, marcas do momento mais efêmero de minha ilusória vida. O gato estava transtornado com aquilo e agora nem mais chegava perto de mim. Acho que ficou com medo daquilo que fiz comigo mesmo, acho que ele pensa que eu poderia fazer o mesmo com ele.&lt;br /&gt;Quando acordei estava deitado no chão da sala, minha boca ensangüentada não escondia o meu desespero, os dentes faziam falta na boca miúda, úmida. Tudo isso foi porque eu acordei sem os dentes na boca. Estavam espalhados pelo colchão, brancos e solitários. Agora estavam livres desta boca imunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que irei fazer sem meus dentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deve ser porque dormi escutando Shostakovich”, pensei no primeiro momento. Mas não, não havia explicação. Eu simplesmente acordei e eles não estavam mais presos a minha gengiva. Apenas vinte deles estavam espalhados pelo colchão. Certamente engoli o resto, já que não sobrou nenhum em minha boca.&lt;br /&gt;Corri para a rua em busca de algum dentista que resolvesse o meu problema. As pessoas me olhavam, eu estava ensangüentado, mas tentando parecer normal. Uma gengiva se encontrava com a outra, e minhas mãos guardavam aquilo que havia sobrado dos dentes grandes e brancos que há uma noite atrás estavam presos em minha boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As flores de plástico são as culpadas. Quando encontrar aquele coreano de merda vou matá-lo. Liguei para Joana, minha namorada, e ela veio correndo até a minha casa.&lt;br /&gt;Ela entrou e me viu jogado no chão da sala, com uma corda enrolada no pescoço, sem dentes na boca. Foi embora e prometeu nunca mais voltar.&lt;br /&gt;Enfim, cheguei ao dentista. Um senhor gordo de cara redonda e poucos cabelos na testam, seu nome era J. Quirela. Sorriu e foi logo pedindo para que eu abrisse a boca.&lt;br /&gt;─ Eu não mexo numa porra dessa não! Pode procurar outro dentista, num sei o que você fez, mas se foda eu é que não vou ser bucha de canhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa, liguei o som e senti que o vazio não era apenas em minha boca. Então chegamos na parte que eu descrevia quando comecei esta história. Amarrei uma corda  no batente da sala, subi em uma cadeira e também a amarrei a corda no meu pescoço. Pulei. Não morri, mas continuo sem dente.&lt;br /&gt;Acordo todo suado, e ofegante. Era apenas um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A merda vem mesmo é da boca, mas o cú é que faz o serviço sujo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3757119269546890011?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3757119269546890011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3757119269546890011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3757119269546890011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3757119269546890011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/na-boca.html' title='Na boca'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7884830730806239614</id><published>2008-02-17T04:47:00.000-08:00</published><updated>2008-02-17T04:48:32.355-08:00</updated><title type='text'>O gato</title><content type='html'>O gato estava deitado na porta da sala com a cozinha,&lt;br /&gt;Um gato negro, mas não só negro. Negro e branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gordo e curioso era o gato, seus olhos aguçados e penetrantes&lt;br /&gt;Tocavam-me como uma mãe que zela seu filho recém-nascido,&lt;br /&gt;Mas o gato zelava a passagem da casa grande para a senzala.&lt;br /&gt;E olhava ao redor como se fosse um príncipe&lt;br /&gt;E miava pedindo salmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lorena, negra linda trabalhadera, obedecia o gato.&lt;br /&gt;Salmão no prato, o gato&lt;br /&gt;Nem miava pra agradecer.&lt;br /&gt;Como se em seu instinto já soubesse que era obrigação de Lorena servi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pros patrões o gato era Caronte,&lt;br /&gt;Já pros da cozinha São Pedro era o gato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7884830730806239614?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7884830730806239614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7884830730806239614' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7884830730806239614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7884830730806239614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/o-gato.html' title='O gato'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8356972705092273919</id><published>2008-02-17T04:46:00.000-08:00</published><updated>2008-02-17T04:47:26.143-08:00</updated><title type='text'>Mentiras sangradas</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente preso na garganta da víbora&lt;br /&gt;Com o peito vazio de um pobre humano vil.&lt;br /&gt;Engasgado, desafinando a sinfonia,&lt;br /&gt;Agora, sou apenas um pigarro,&lt;br /&gt;De hálito raro, esquálido, um tumor maligno.&lt;br /&gt;Oh víbora insensata, rasgue com tuas presas o rosto desta magnólia.&lt;br /&gt;A flor inexata, de casca simbólica, silábica, rápida.&lt;br /&gt;Quem dera se minha agonia fosse magnólia,&lt;br /&gt;Quem dera se tu fosses à voz maligna do éden.&lt;br /&gt;Expulse-me de tua garganta víbora, expulse-me do éden,&lt;br /&gt;E das mentiras contadas por Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi que a água transbordava e varria os famintos,&lt;br /&gt;As víboras enroladas em arvores chovendo em nossas cabeças,&lt;br /&gt;Envenenando-nos, esverdeando nossas peles.&lt;br /&gt;A esperança era apenas um grão de areia no deserto,&lt;br /&gt;Estava perdida, opaca em meio a tantas angustias.&lt;br /&gt;E o espelho perguntava-me:&lt;br /&gt;─ E então, sagrou-se campeão?&lt;br /&gt;─ Nããão!!! Eu respondia.&lt;br /&gt;─ Nããão!!! Das entranhas acesas saía.&lt;br /&gt;Uma guilhotina cortava meus dedos a cada resposta,&lt;br /&gt;Uma guilhotina afiada e rouca, deixava a minha carne exposta&lt;br /&gt;E mudas as cordas do meu violoncelo.&lt;br /&gt;Fui levado pelas águas, envenenado pelas cobras,&lt;br /&gt;Esverdeado, desperançado e perdido&lt;br /&gt;Como um grão de areia no deserto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8356972705092273919?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8356972705092273919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8356972705092273919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8356972705092273919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8356972705092273919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/mentiras-sangradas.html' title='Mentiras sangradas'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-9019947503112995175</id><published>2008-02-17T04:45:00.000-08:00</published><updated>2008-02-17T04:46:32.965-08:00</updated><title type='text'>Necessidade</title><content type='html'>Preciso zelar a casa.&lt;br /&gt;E esquecer os gritos abafados,&lt;br /&gt;E aquecer a água do banho,&lt;br /&gt;Proteger da água da chuva...&lt;br /&gt;Preciso zelar a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso zelar a casa&lt;br /&gt;E os meus discos e livros,&lt;br /&gt;E certificar que o molho&lt;br /&gt;Está bem cozido, que o filho está bem lavado,&lt;br /&gt;Que o vizinho não mate o gato...&lt;br /&gt;Preciso comprar ração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso zelar a casa&lt;br /&gt;E consertar telha quebrada,&lt;br /&gt;Arrumar antena, pagar contas...&lt;br /&gt;Preciso fazer perguntas, e não pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando eu não tiver mais vontade,&lt;br /&gt;Nem paciência, nem dinheiro, nem competência...&lt;br /&gt;Preciso zelar a casa, zelar a casa&lt;br /&gt;E não morrer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-9019947503112995175?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/9019947503112995175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=9019947503112995175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/9019947503112995175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/9019947503112995175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/necessidade.html' title='Necessidade'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8272363679320747253</id><published>2008-02-17T04:44:00.000-08:00</published><updated>2008-02-17T04:45:38.164-08:00</updated><title type='text'>Poema inédito</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ache alguma coisa nova&lt;br /&gt;Que não seja repetida.&lt;br /&gt;Ache alguma coisa nova que não seja repetida!&lt;br /&gt;Ache alguma coisa&lt;br /&gt;Nova que não seja repetida.&lt;br /&gt;Ache alguma coisa inédita&lt;br /&gt;Que não seja repetida.&lt;br /&gt;É tudo recalchutado,&lt;br /&gt;Recomposto, resignificado,&lt;br /&gt;Repensado, requentado,&lt;br /&gt;- repetido- revisto...&lt;br /&gt;Ache alguma coisa nova&lt;br /&gt;Que não seja repetida&lt;br /&gt;E nem repetitiva como essa coisa&lt;br /&gt;            Que escrevo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8272363679320747253?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8272363679320747253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8272363679320747253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8272363679320747253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8272363679320747253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/poema-indito.html' title='Poema inédito'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4754601472461798376</id><published>2008-02-17T04:30:00.000-08:00</published><updated>2008-02-17T04:43:58.513-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Diante de Deus eu fiquei mudo,&lt;br /&gt;Não me redimi dos pecados...&lt;br /&gt;Deus me sentenciou ingrato&lt;br /&gt;E agora se banha com o sangue&lt;br /&gt;Que um dia já foi meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas gotas eu guardei&lt;br /&gt;Dentro do corpo que habitei.&lt;br /&gt;Apesar das chagas abertas&lt;br /&gt;que nunca se curam...&lt;br /&gt;Talvez seja porque o meu punhal&lt;br /&gt;foi feito com o mais puro diamante.&lt;br /&gt;Talvez seja porque este corpo não mereça&lt;br /&gt;Ter todo esse sangue, e um coração que o faça correr&lt;br /&gt;Por estas veias podres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quantas noites não fecharei meus olhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz gordo que sentenciou meu nojo,&lt;br /&gt;Se entregando as escondidas a Zeus&lt;br /&gt;Que me jurou vingança,&lt;br /&gt;Ou ao menos algo que não seja a esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vez derrotado,&lt;br /&gt;Oura vez um corpo sem espírito,&lt;br /&gt;E um espírito ruim que vaga pelos vales&lt;br /&gt;À procura de um lar seguro.&lt;br /&gt;Procurando sem cessar&lt;br /&gt;E sem cessar e sem cessar e sem cessar... &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4754601472461798376?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4754601472461798376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4754601472461798376' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4754601472461798376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4754601472461798376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/diante-de-deus-eu-fiquei-mudo-no-me.html' title=''/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4358872076311562993</id><published>2008-02-05T18:18:00.000-08:00</published><updated>2008-02-05T18:19:36.977-08:00</updated><title type='text'>Uma cortina chinesa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada passo que eu dava, sentia meu corpo sendo empurrado cada vez mais para dentro da casa. Na verdade era só uma casa mesmo, que tinha as suas histórias e seus gritos abafados pelo concreto. Suas paredes firmes pintadas de gelo com marcas de mãos deixavam o ambiente triste. Eu conseguia ser mais triste do que aquelas paredes.&lt;br /&gt;Quando entrei para o quarto da casa, que ficava no final de um longo corredor cheio de portas, senti que algo estava tentando me sufocar. Aquela asfixia me tornava cada vez menor, meu corpo encolhia-se de acordo com a pressão que a casa fazia sobre mim. Até o jardim me sufocava, e a bromélia que estava pendurada no quintal gargalhava da minha aflição. O vaso da orquídea, que não havia nenhuma orquídea, retorcia-se como quem procura dizer algo, mas eu nada escutava.&lt;br /&gt;Um cheiro podre invadiu o ambiente, minha cabeça perguntava aos meus olhos de onde é que vinha aquele cheiro. Meus olhos se calavam por medo.&lt;br /&gt;A casa vinha em silêncio, pouco a pouco invadindo meu corpo, enquanto eu invadia as entranhas da casa. O cheiro podre como o de um animal morto na beira da estrada, de tripas despedaçadas pelo asfalto e urubus rodeando, se tornava a cada vez mais forte.  A casa se apoderava de mim e eu tentava me livrar dela inutilmente. Quando dei por mim estava na rua caminhando rumo a fábrica onde trabalhava.&lt;br /&gt;No outro dia eu voltei a casa, não por um desejo próprio, mas por uma necessidade de estar ali. Dessa vez fui acompanhado do corretor que estava cuidando da venda. Ele era gordo e vestia um velho terno desbotado, uma gravata vermelha e um sapato mal engraxado.  A cada dois passos que dava, levava a mão à testa para limpar o suor que escorria de seu rosto redondo e vermelho.&lt;br /&gt;Eu estava aturdido com a casa, com as suas paredes manchadas, e principalmente o seu vazio. O vazio era o que mais me atraia. Já me imaginava dono daquele vazio, não queria nenhum móvel na casa. Eu sonhava com a casa e o seu vazio imenso e pesado...&lt;br /&gt;As portas eram sólidas e feias, de aço, com três trancas cada uma. Aquilo me encantava, me invadia, me tornava cada vez menor. Os cômodos eram grandes e suas paredes pereciam não ter mais fim, era de uma altura que me atordoava. Então eu evitava olhar para o teto.&lt;br /&gt;No terceiro dia pedi dinheiro a um agiota e corri ao corretor da casa para fechar o negócio, mas quando cheguei ao endereço que ele havia me informado não encontrei nada. Era um terreno escuro e vazio no final de uma grande ladeira. No fundo do terreno, por trás do mato alto, havia uma iluminação precária, tanto que eu nem notei à primeira vista. Resolvi verificar o que era aquilo.&lt;br /&gt;Fui caminhando em passos tímidos matagal à dentro, pensando na casa e em como eu necessitava dela. Quando havia caminhado apenas alguns passos me dei conta que a luz vinha de uma casinhola de madeira. A casinhola tinha um metro e meio de altura, e as gretas da madeiras deixavam vazar a luz.&lt;br /&gt;Fui me aproximando da casinhola e bati palmas verificando se havia alguém ali. O corretor saiu da casinha muito assustado pela minha visita, ele estava vestindo apenas uma camiseta regata e uma bermuda. Olhou-me com o rosto nada receptivo e disse:&lt;br /&gt;─ O que quer agora?&lt;br /&gt;─ Quero fechar o negócio da casa que vimos ontem.&lt;br /&gt;Sua feição fechada se abriu em um sorriso de canto. Ele caminhou na minha direção e me abraçou dizendo que eu havia feito uma boa escolha.&lt;br /&gt;Entramos em seu escritório e ali decidimos tudo, paguei à vista o valor combinado e saí com a escritura da casa nas mãos. Agora a casa era minha, a casa tão desejada e venerada por cada poro de meu corpo, por cada entranha da minha alma. Era minha a casa e sua frieza eterna.&lt;br /&gt;A sensação de ter aquela casa era única. Uma casa solitária. Formaríamos um par, um par sólido e solitário. Eu em minha paixão por ela e ela em sua frieza vazia. A única coisa que eu levei para a casa foi uma cortina chinesa que ganhara de minha mãe quando fui morar sozinho. Logo que entrei na casa preguei a cortina na janela da frente para evitar o sol da manhã.&lt;br /&gt;Agora eu me sentia completo. A casa seria o par perfeito para os meus sonhos sórdidos. Suas paredes acinzentadas, seus tetos brancos encardidos, sua cozinha repleta de gordura por todos os cantos, e seus quartos cheirando mofado atiçavam algo nunca descoberto por mim.&lt;br /&gt;Caminhei por aquela casa vazia, atravessando com olhar cada suspiro daquelas paredes frias. Ao tocar os cantos solitários da casa eu sentia os gritos de ódio, os pecados cometidos, as lágrimas abafadas entre suspiros e angústias. Quando consegui ver a dor que aquela casa guardava senti frio, um frio que tirava de mim toda aquela paixão doentia. Naquele momento tudo era dor.&lt;br /&gt;O tempo foi passando e eu fui aos poucos deixando de acordar para trabalhar. A casa me consumia, eu era a casa. Queria ser um lar, e não uma casa vazia com apenas uma cortina chinesa.  Todas aquelas portas batidas após as brigas, me assustavam. Roubavam o meu ar. Eu já não comia, estava pálido. Não via o sol da manhã, nem as estrelas. Só tinha olhos para as paredes geladas e sujas.&lt;br /&gt;Agora estou me escondendo do agiota que emprestou o dinheiro da compra. Camuflado naquilo que sobrou de mim no porão da casa, rodeado por cadáveres dos sonhos que tive um dia, até que os homens me encontrem, me matem e me tirem da casa. Talvez o grito que eu der quando a bala atravessar a minha carne seja mais um grito abafado pelas paredes pintadas de gelo. Talvez a casa me transforme em nada, talvez a casa seja o melhor de mim ou talvez eu não leve comigo a cortina chinesa.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4358872076311562993?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4358872076311562993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4358872076311562993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4358872076311562993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4358872076311562993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/02/uma-cortina-chinesa.html' title='Uma cortina chinesa'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8616437392565590306</id><published>2008-01-30T17:21:00.000-08:00</published><updated>2008-01-30T17:24:23.602-08:00</updated><title type='text'>Revertebrando</title><content type='html'>Revertebrando o meu álibi,&lt;br /&gt;Forjando todos os suicídios que eu cometi,&lt;br /&gt;Juntando todos os remédios que fazem sorrir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregue ao júri o banquete de anemia&lt;br /&gt;E ao juiz a palmatória que extorquia&lt;br /&gt;As letras lindas e resultados de frações...&lt;br /&gt;Demonstre ao júri sinceridade e simpatia&lt;br /&gt;E ao juiz integridade e consciência tranqüila,&lt;br /&gt;E não ressoe jamais estes refrões... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refazendo o meu discurso,&lt;br /&gt;Recompondo a feição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracenando com um quase-deus!&lt;br /&gt;“Na sua idade eu era um semi-deus,”(ele dizia)&lt;br /&gt;“Na sua idade eu era a cria pródiga...”(ele dizia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracenando com um quase-deus!&lt;br /&gt;“Na sua idade eu era a filha de Lázaro&lt;br /&gt;Com Maria, a virgem, mãe de um anjo...” (ele dizia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revertebrando o meu álibi,&lt;br /&gt;Forjando todos os suicídios que eu cometi,&lt;br /&gt;Juntando todos os remédios que fazem sorrir,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregue ao júri o atestado de anemia,&lt;br /&gt;E ao juiz diga tudo que sei fazer bem...&lt;br /&gt;Finja não ter mais covardia&lt;br /&gt;E ser sincero, já que é pro seu bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;─ O que? Perguntou-me quando lhe disse isso...&lt;br /&gt;─ Não sei, respondi tentando não ser promiscuo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contracenando com um quase-deus!&lt;br /&gt;Esconda da opinião publica o que é seu,&lt;br /&gt;Na minha idade eu era tudo menos o céu!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8616437392565590306?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8616437392565590306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8616437392565590306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8616437392565590306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8616437392565590306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/revertebrando.html' title='Revertebrando'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3430496563436343479</id><published>2008-01-20T17:27:00.000-08:00</published><updated>2008-01-20T17:51:02.060-08:00</updated><title type='text'>Voyeur</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;─ Vá até a padaria, e peça ao padeiro vinte pães na conta do teu pai! Gritou Iracy da cozinha.&lt;br /&gt;Iracy era grande por todos os lados e triste por todos os cantos. Vivia na casa de mamãe. Logo que ela gritou, já saí correndo porque adorava estar na rua. Naquela época eu era baixinha e magra, o que difere muito de hoje já que sou grande e gorda. Como Iracy era quando vivia na casa de minha mãe. Eu tinha por volta de dez anos e passava o dia trancada em casa junto de meu irmão mais novo e Iracy a prima de minha mãe que cuidava da gente enquanto mamãe trabalhava.&lt;br /&gt;Sair de casa nas tardes era uma alegria indescritível. Primeiro porque a cada vez que eu saia podia ficar provocando o meu irmão. Sabe aquela coisa de irmão ficar provocando inveja no outro, dizendo as coisas que pode fazer que o outro ainda não possa por ser mais novo?&lt;br /&gt;Segundo porque Iracy passava a tarde toda fumando um cigarro atrás do outro. Ela fumava tanto que até hoje eu me lembro a marca de cigarros que ela fumava. Derby, Derby azul, muitas vezes comprados na conta de meu pai na padaria e ele nem sabia. Era horrível ficar o dia inteiro respirando aquele ar impuro que pairava dentro de casa. Meu pai já havia brigado muito com Iracy por causa do cigarro, mas não adiantava ela continuava a fumar o dia inteiro e a casa continuava a cheirar a cinzeiro. &lt;br /&gt;Ao dar o primeiro passo na calçada de casa fitei junto ao pé de goiaba um casal de borboletas enroscado, um sobre o outro, se unindo. Fiquei por alguns instantes olhando aquelas pequeninas e frágeis borboletas, se amando friamente sem demonstrar qualquer tipo de afeto. Eu já sabia o que era aquilo, porque quando visitava Giovana, uma amiga rica, agente ficava assistindo na TV o canal dos bichos.&lt;br /&gt;A minha atenção nas borboletas fora interrompida por gritos de um casal de namorados. Eles brigavam feio, já estavam quase se atacando fisicamente e eu fiquei com um pouco de medo. Não sabia o que fazer então corri rumo à padaria sem olhar para trás.&lt;br /&gt;Quando já havia me distanciado um pouco do casal vi nos fios elétricos dois pombos, enquanto um fugia, o outro o seguia para lhe fazer as suas caricias. Aquele pombo que perseguia, certamente é o macho. Na época eu não entendia bem dessas coisas, mas agora posso afirmar que era certamente o macho. E ela, a pomba fêmea, parecia o chamar para a “dança do amor”. Um jogo da sedução, jogo que só fui aprender alguns anos após este dia em que descrevo. Só que comigo esse jogo não funcionou muito não. Só tive um namorado a muito tempo atrás, foram só alguns meses de namoro. De lá para cá não tive muita sorte com relacionamentos.&lt;br /&gt;Deus parecia querer dizer alguma coisa, pois certamente todos os dias há animais transando por todos os lados, mas eu nunca os notava em minhas caminhadas até a padaria, muito menos quando estava brincando com minhas amigas. Talvez fosse apenas uma coincidência da vida, ou talvez eu estivesse despertando para coisas novas. Coisas que quando se é criança não se nota.&lt;br /&gt;Enfim quando cheguei à padaria e notei um ar estranho no padeiro, ele estava um pouco nervoso com a minha presença. Sempre era muito gentil comigo, mas naquele dia estava com um ar seco e frio. Depois de algum tempo descobri que naquele dia Seu Juca, o dono da padaria, havia encontrado o padeiro que era seu funcionário aos beijos com sua filha. Eu não sei ao certo o que aconteceu, mas sei bem que Seu Juca não gostou nada daquilo.&lt;br /&gt;Caminhei até minha casa aérea, sem ver ou escutar nada, nem o canto dos pássaros e nem os carros passando na rua. Mas quando estava quase no portão de casa, vi aquele casal namorados.  Mas agora já não estavam mais brigando, e sim se beijando. E era um beijo... Aquilo sim era um beijo. Aquela foi a primeira vez que eu não senti nojo de um beijo, antes daquilo eu só odiava meninos. Foi depois daquele beijo que eu passei a olhá-los com outros olhos.&lt;br /&gt;Entrei em casa correndo e em passos miúdos, estava atônita... Não sabia o que fazer, nunca havia tido algum sentimento parecido com aquele que acabara de ter. Eu não sabia se era prazer, ou que era. Só sabia que havia gostado tanto que até senti um gosto de chocolate invadir minha boca. Mas aquele sentimento acabou-se instantes depois quando abri a porta do banheiro, e vi Iracy com os olhos saltando e o rosto de susto, mas um susto não tão grande quanto o meu que a pegara com seus dedos amarelados pelo cigarro tocando as partes intimas de seu corpo. Aquilo sim era falta de beijo!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3430496563436343479?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3430496563436343479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3430496563436343479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3430496563436343479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3430496563436343479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/voyeur.html' title='Voyeur'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4252988713898574181</id><published>2008-01-15T17:07:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T17:10:24.037-08:00</updated><title type='text'>A        faca</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era uma faca. Sem ponta, sem sangue, cega. Mas mesmo que não tivesse nem a lâmina, seria uma faca. E era. A única coisa que ela podia ser era uma faca. Uma faca sem corte, nem ponta, nem sangue. Ela não cortava, ficava ali em um canto, parada, morta... Mas era uma faca, daquelas que ficam no fundo da gaveta a ninguém vê. Só a enxergam no dia da mudança, e quando isso acontece, a jogam fora. Se em alguma emergência alguém precisar dela, ela estará ali, no canto, parada, morta... Mesmo sem ponta, sem sangue e cega. Ela era fria e linda como a neve. Ela queria ser, e era apenas uma faca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4252988713898574181?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4252988713898574181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4252988713898574181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4252988713898574181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4252988713898574181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/faca.html' title='A        faca'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5569431727447146284</id><published>2008-01-15T16:50:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T17:11:29.816-08:00</updated><title type='text'>Dúvida</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outra vez ele estava vencido. Caminhando sem rumo pela cidade depois de ter perdido mais um emprego. O tempo mudara de repente, e o vento soprava contra o seu corpo, seu rosto ainda estava inchado, marcas que as lágrimas deixam quando escorrem do olhos. “Por que será que as lágrimas ferem tanto o rosto?”, pensou. Parecia não pensar em nada, mas seus pensamentos flutuavam como balões de gás e sumiam por entre as nuvens. E ele pensava, pensava em como se superar. Pensava em como superar tudo o que estivesse em seu caminho.&lt;br /&gt;Seus passos eram lentos e por vezes sua boca esboçava sorrisos, sorrisos sem graça, de quem já perdeu tudo o que tinha. Os passos lentos que seu corpo dava contrastavam com os passos ferozes dos outros corpos que por ele passavam. “Mas quem são esses corpos?”, pensou. E sua alma se encheu de alegria.&lt;br /&gt;Uma revolta aconteceu no seu interior quando essa duvida iluminou a sua mente. E seus passos que a pouco eram tristes, agora eram passos de alegria e quase por um milagre as flores nasciam no caminho em que trilhava rumo a sua casa. Agora o emprego já não tinha importância para ele, agora queria saber quem eram aqueles corpos. Sua alma necessitava de uma resposta concreta por isso ela fazia o seu corpo caminhar o mais rápido possível. A dúvida, aquela dúvida era o primeiro passo de sua auto-superação.&lt;br /&gt;Abriu o portão de casa como se fosse a primeira vez, e correu até seu quarto que ficava no ponto mais alto da casa. O quarto era cinza, como parecia ser cinza a cor de sua pele. “O cinza contamina tudo ao seu redor”, ele dizia quando lhe questionavam a sua cor. A cama ficava no centro do quarto, só. Não havia nenhuma outra mobília dentro do quarto. Apenas um porta-retrato sem nenhuma foto. No canto direito da parede do fundo havia uma pequena porta, que a primeira vista quase não se nota que ali há uma porta, pois a porta também é cinza.&lt;br /&gt;Então ele correu ofegante até a porta e em um impulso a abriu. Respirou bem fundo e gritou:&lt;br /&gt;─ Quem são aqueles corpos?&lt;br /&gt;─ Que corpos? Perguntou de volta uma voz rouca e grave.&lt;br /&gt;─ Aqueles que passavam por mim pela rua.&lt;br /&gt;─ Ah... São só corpos! Concluiu a voz.&lt;br /&gt;Após ouvir aquela fria resposta, ele saiu com a cabeça baixa, humilhado, envergonhado. Agora ele estava mais arrasado do que estava antes. Após algum tempo ele fechou aquela pequena porta com tijolos e cimento para que ninguém nunca mais a abrisse. Depois daquele dia, ele nunca mais perguntou nada a Deus. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5569431727447146284?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5569431727447146284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5569431727447146284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5569431727447146284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5569431727447146284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/dvida.html' title='Dúvida'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6215013898018384329</id><published>2008-01-15T16:49:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T16:50:18.362-08:00</updated><title type='text'>O removedor</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Olhos nos olhos. O espelho reflete a cara da angustia, um algodão usado e um frasco de um barato removedor de maquiagem. Removendo as impurezas da noite sórdida. A glória da senhora penúria, um espelho com olhos vazios, uma maquiagem borrada e um removedor que não remove nada.&lt;br /&gt;A miséria tomou forma quando o reflexo lhe dava vergonha. E o escaravelho disse:&lt;br /&gt;─ A colheita será ingrata. Falta lhe dedicação. Sejamos claros, sei que o trabalho não é dos melhores, mas há outros tantos piores. Deixemos que os tontos se empreguem nestes trabalhos árduos. Faça do oficio o prazer, o gozo, a súplica do amor de adolescente. O oficio incandescente, “primeira profissão do mundo”!!!&lt;br /&gt;Enquanto escutava a voz das trevas, tragava o cigarro, a língua estava amarrada no tridente. E a criatura infame das trevas se atreveu a mandar flores á morte. Remove essa maquiagem da face e dança um fado! E chora na dança, se cansa e adormece. Ouvindo o gozo, a súplica do amor de adolescente. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6215013898018384329?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6215013898018384329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6215013898018384329' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6215013898018384329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6215013898018384329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/o-removedor.html' title='O removedor'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4416177791751720526</id><published>2008-01-13T16:42:00.000-08:00</published><updated>2008-01-13T16:44:00.497-08:00</updated><title type='text'>O ultimo Deus</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Estava no bar. Ofereceu à bebida, ela ofereceu o corpo.&lt;br /&gt;─ Pega um copo, disse ele.&lt;br /&gt;Ela olhou as mãos sujas de construção, preferiu arriscar. Mesmo vendo que o demônio assoprava em seu ouvido. Do copo pro corpo no hotel de quinta. Na cama, três. Deus, Uva e Diabo. O ultimo Deus arrancou-lhe os dentes. E feriu a culpa.&lt;br /&gt;─ Sinta-se salva, disse o Ultimo Deus, lambeu-lhe os ouvidos e escarrou em teu rosto. Feriu a mariposa e começou a chorar. Arrancou com o seu velho carro e deixou-a junto dos eucaliptos. Voou engolindo as montanhas como ferozmente consumiu tuas entranhas. Assim o ultimo Deus disse adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4416177791751720526?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4416177791751720526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4416177791751720526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4416177791751720526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4416177791751720526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/o-ultimo-deus.html' title='O ultimo Deus'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4492409686042173716</id><published>2008-01-03T17:43:00.000-08:00</published><updated>2008-01-03T17:44:15.751-08:00</updated><title type='text'>Um adeus ao inferno</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Desabei sobre o chão, trêmulo. Me livrei do inferno e do veneno.&lt;br /&gt;Depois do açoite, dilacerado, sangrei em lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As páginas impressas nestas paredes, rasguei-as com minhas unhas&lt;br /&gt;O gozo e a dor era o que compunha a nossa canção.&lt;br /&gt;Um grito surdo de desespero, outro verdadeiro&lt;br /&gt;de dor pelo enterro do amor que já sentimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora são farpas a cada ligação,&lt;br /&gt;não há outro jeito, não tem perdão.&lt;br /&gt;Um grito mudo, um muro entre a cama,&lt;br /&gt;Um mundo inteiro que nos espera,&lt;br /&gt;As chagas que sempre nos acompanham&lt;br /&gt;Para me lembrar do que eu era&lt;br /&gt;E do que eu não devo mais ser. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4492409686042173716?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4492409686042173716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4492409686042173716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4492409686042173716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4492409686042173716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/um-adeus-ao-inferno.html' title='Um adeus ao inferno'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6405484888151172048</id><published>2008-01-03T17:40:00.000-08:00</published><updated>2008-01-03T17:41:43.911-08:00</updated><title type='text'>Humanidade</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Certo dia vi que a beleza do mundo estava guardada em uma rosa. Tomei-a por minha, feri minhas mãos. Andei do jardim até dentro da casa e o rastro de sangue seguiu-me por todo o caminho, este sim era o caminho da beleza, caminho de sangue, que é a mais pura e infinda beleza. Não lhes digo a beleza humana, o humano não é belo. O humano é algoz de si mesmo, é o usurpador de tudo, é um bando de eucalipto na manada que é o resto do mundo, que o humano seca, cega, e mata. Então o que há de mais belo do que sangue humano? Cortar-se, ferir-se, matar-se é o ato mais belo que pode um humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6405484888151172048?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6405484888151172048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6405484888151172048' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6405484888151172048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6405484888151172048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/humanidade_03.html' title='Humanidade'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5726259306102915579</id><published>2008-01-03T17:31:00.002-08:00</published><updated>2008-01-03T17:32:16.310-08:00</updated><title type='text'>O cofre</title><content type='html'>Eu sou o silencio de um cofre. Um mudo no mundo&lt;br /&gt;E guardo dentro de mim algumas notas,&lt;br /&gt;Mas não dinheiro, as notas são musicais,&lt;br /&gt;E é tu quem toca em um piano triste.&lt;br /&gt;E a cada silencio (das pausas de tuas notas tristes) eu sinto o vazio do cofre, vazio e frio e cheio de notas soltas, tristes e ocas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5726259306102915579?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5726259306102915579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5726259306102915579' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5726259306102915579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5726259306102915579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/o-cofre.html' title='O cofre'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4816039088626407990</id><published>2008-01-03T17:31:00.001-08:00</published><updated>2008-01-03T17:31:47.164-08:00</updated><title type='text'>II</title><content type='html'>O que você guardaria em um cofre?&lt;br /&gt;Seu mais sórdido desejo? Seu primeiro beijo?&lt;br /&gt;Sua tristeza, sua mania de grandeza,&lt;br /&gt;O convite daquela festa, a calcinha daquela noite,&lt;br /&gt;A gozada daquela transa, o ultimo capitulo da novela,&lt;br /&gt;O sapato da Cinderela, a vitrola que ainda está boa,&lt;br /&gt;Um poema do Pessoa, as mentiras do presidente,&lt;br /&gt;Um dente, o ódio do gerente, a tristeza de toda essa gente...&lt;br /&gt;Diga, o que você guardaria?&lt;br /&gt;Nada? O “se” de ser feliz,&lt;br /&gt;O “se” de arriscar, o quase, o tudo.&lt;br /&gt;O não da Beatriz, o choro da atriz,&lt;br /&gt;A lua, a jovem nua, aquela rua,&lt;br /&gt;A minha boca e a tua, a minha roupa e a tua,&lt;br /&gt;O sexo pronto pro prazer,&lt;br /&gt;Alguns serviços por fazer,&lt;br /&gt;O ser, o crer, o quê? O que você guardaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4816039088626407990?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4816039088626407990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4816039088626407990' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4816039088626407990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4816039088626407990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/ii.html' title='II'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-575470037806269552</id><published>2008-01-03T17:30:00.000-08:00</published><updated>2008-01-03T17:31:00.694-08:00</updated><title type='text'>Querer</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eu quis ser tudo, sentei e esperei a vida passar.&lt;br /&gt;Eu quis ser tudo, e tive medo de arriscar, medo de falhar e me passar por tolo.&lt;br /&gt;Sentei e esperei a minha hora, mas ela nunca veio,&lt;br /&gt;E eu fiquei velho para usar tal euforia com a vida.&lt;br /&gt;Então olhei a vitrine. Ela refletiu meus olhos,&lt;br /&gt;Não vi nada que não fosse o nada. Vi inferno, olheiras e mais nada.&lt;br /&gt;Eu quis ser tudo, e nada. Quem irá curar as chagas?&lt;br /&gt;Eu quis ser tudo e nada, nem plebeu, nem rei,&lt;br /&gt;Pagão, cristão, bêbado, São...&lt;br /&gt;Eu quis ser tudo, e não fui nada&lt;br /&gt;E tudo que fosse o quase, mas quase não é nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-575470037806269552?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/575470037806269552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=575470037806269552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/575470037806269552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/575470037806269552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/querer.html' title='Querer'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4573872585671333982</id><published>2008-01-02T06:37:00.000-08:00</published><updated>2008-01-02T06:38:39.019-08:00</updated><title type='text'>Um travesti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Ela estava na esquina, os ponteiros do relógio já marcavam dez para as duas e a noite negra protegia o seu grande corpo. Começou a pensar em como tudo começou, em como havia se tornado uma prostituta. Apenas se lembrava de olhos que não aprovavam o seu comportamento, se lembrava de parentes dizendo: “Vira homem menino, vê se isso é coisa de um menino fazer!”, e da surra que levou quando seu pai achou uma foto do Antonio Fagundes no meio do seu caderno. Mas tudo isso não passava de imagens soltas que agora passavam por sua cabeça, imagens que a assombravam dentro da noite fria pela primeira vez. As estrelas dançavam por entre as tortuosas nuvens, mas ela nem a via, porque a esquina onde ficava era repleta de prédios por todos os lados. Prédios que escondiam o céu, e a sufocavam.&lt;br /&gt;Era a primeira vez que ela pensava naquilo, em como havia se tornado mulher. Apenas se lembrava que havia começado a fazer programa por fome mesmo, por não ter o que comer acabou na rua, transando com qualquer um por vinte reais. Na verdade ela até gostava daquilo, daquele frio na barriga por não saber se iria transar uma ou várias vezes na noite, se iria receber pelo serviço ou não. Ela gostava daquilo, mas evitava pensar nas surras que já havia levado pela noite afora por garotos intolerantes ou por clientes bêbados.&lt;br /&gt;Toda a noite era escura e fria no mês de julho, mas aquela noite parecia mais escura e mais fria. Parecia querer esconder a dor que até agora já avia sentido, ou toda a dor que haveria de sentir. As estrelas se entrelaçavam em uma dança alucinante, ela tentava enxergá-las por entre as pequenas gretas entre um prédio e outro. O vento cortava o seu rosto como uma navalha, e o carrasco que a torturava eram apenas os seus próprios pensamentos.&lt;br /&gt;Houve um tempo em que aquela vida, aqueles seios fartos, as nádegas enormes, e até mesmo a esquina eram vitórias que conseguira sofrendo muito. Quantas lágrimas haviam lhe custado tudo aquilo... Lembrou-se dos olhos do seu pai quando descobriu que ele estava tomando anticoncepcionais, que ele queria ser ela. Lembrou-se também da farda do pai sobre a mesa todas as manhãs.&lt;br /&gt;Como havia custado caro aquela metamorfose, mas neste mudo egoísta a lágrima não tem valor algum. Uma luz vermelha cortou os seus olhos que miravam as estrelas, ela se debruçou sobre o carro e notou o cheiro de álcool que exalava aquele pálido homem.  Ele ordenou que ela entrasse, mas ela disse que não iria, deu as costas e voltou para a esquina em que estava anteriormente. Estava tão compenetrada que nem reparou nos maldizeres do motorista alcoolizado.&lt;br /&gt;A esquina que ela ficava era entre a Rua da Glória e a da Tristeza. Em frente a uma loja com grandes vitrines. As luzes saiam da vitrine e iluminava o seu corpo moreno, seus olhos verdes brilhavam como estrelas tristes dentro da noite de horror. A loja era dourada e vendia lustres, à noite só o vigia ficava dentro da loja. Seu nome era Benedito, ele era um simpático velhinho que passava a madrugada toda assobiando e cantarolando as valsas que faziam os bailes da sua época pegarem fogo. No natal passado ela levou um tender para seu Benedito que agradeceu muito o presente. Depois disso ele passou a cumprimentá-la todos os dias na hora em que ela chegava.&lt;br /&gt;Em um instante começou a pensar em como seria se voltasse ao bairro que vivera a infância. Pensou, pensou... Os olhos de “eu sabia!” a assustaram, e a noite mandou outro vento forte e frio para cortar o seu rosto trêmulo, não de frio, mas de angustia. Agora a única coisa que conseguia sentir era medo. Medo de descobrir que era mesmo um monstro e não uma pessoa qualquer. Por que havia feito aquilo consigo, porque havia se tornado aquilo, uma mulher? Um homem que se tornara uma mulher. Outro vento forte bate e seus longos cabelos loiros e cobriram seus olhos, quando retirou o cabelo dos olhos fitou um carro parado e caminhou ferozmente em direção ao carro. Compenetrada em seus pensamentos, nem notou que este era o mesmo carro de minutos atrás, o carro do bêbado.&lt;br /&gt;Quando se deu conta já estava debruçada sobre a janela do carro e escutou o barulho da arma explodindo, desfigurando as plásticas que haviam metamorfoseado um homem e o transformado em mulher. O seu sangue escorreu pela calçada até a sarjeta e parou em uma caixinha de anticoncepcionais. Foi uma moça que jogou aquela caixinha ali para esconder dos pais que estava se prevenindo da gravidez. A polícia foi até o local e um policial ao notar que se tratava de um travesti cuspiu no cadáver. Nem notou que o cadáver era do seu filho mais novo, aquele filho que o frio policial jurou esquecer quando o colocou para fora de casa ao saber que o filho queria ser filha.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4573872585671333982?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4573872585671333982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4573872585671333982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4573872585671333982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4573872585671333982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2008/01/um-travesti.html' title='Um travesti'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-626016599575928431</id><published>2007-12-18T16:42:00.001-08:00</published><updated>2007-12-18T16:42:40.106-08:00</updated><title type='text'>À venda</title><content type='html'>Eu vendo vida, eu vendo viva.&lt;br /&gt;Eu vendo a vida e vendo o sonho,&lt;br /&gt;o nosso sonho de sonhar,&lt;br /&gt;nosso sonho de querer e poder.&lt;br /&gt;E vendo o nosso sono pesado sendo desperdiçado&lt;br /&gt;por sonho.&lt;br /&gt;Por sonho de poder sonhar sem precisar pedir ou se vender.&lt;br /&gt;Eu vendo tudo! Eu vendo aquilo que vejo,&lt;br /&gt;e vendo gente vendendo, agente se vende.&lt;br /&gt;Agente vende tudo o que se pode ver!&lt;br /&gt;E o que não se vê também, agente vende.&lt;br /&gt;Nosso sono, sonho nosso. Sonho de sono,&lt;br /&gt;Nosso sonho à venda?&lt;br /&gt;À venda! Sonho?&lt;br /&gt;Eu vejo sem venda que agente se vende quase sem perceber.&lt;br /&gt;Eu vendo tudo, me rendo... Me vendo? Me vendo no espelho.&lt;br /&gt;É, me vendo! À preço de liquidação, sem ver o valor,&lt;br /&gt;Com venda nos olhos.&lt;br /&gt;Eu vendo tudo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-626016599575928431?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/626016599575928431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=626016599575928431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/626016599575928431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/626016599575928431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/12/venda.html' title='À venda'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7918541513878651851</id><published>2007-12-18T16:41:00.001-08:00</published><updated>2007-12-18T16:41:57.101-08:00</updated><title type='text'>A amante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eu queria encontrar a madrugada, a sós, somente eu e ela, e o seu silencio. Porque o barulho da madrugada é sintético, é feito pelo relógio, pelas motocicletas que gritam e queimam o asfalto, e às vezes é feito até pelas estrelas. O barulho da madrugada é um eco assustador feito pela máquina da ganância dos homens de terno, causador da olheira do homem que não tem escolha, que não tem o silencio da madrugada.&lt;br /&gt;Mesmo quando o sono não vem, ela esta lá intacta, linda, calada. E todas as suas noites tristes derramam lágrimas sobre o céu, e sua tristeza inspira os novos namorados. Suas lágrimas enchem de beleza o seu negro e mudo. Quando a noite elas cantam, não a madrugada (ela sempre está calada), suas lágrimas, elas enchem de alegria a vida daqueles que o dia é todo de sofrer.&lt;br /&gt;No alto dos prédios, no parapeito da cobertura, há um lobo que uiva. Tomando uísque e fumando Havana, mas nós não escutamos esse lobo. Porque o nosso sono é muito pesado, e nossa insônia nos deixa surdos. Só escutamos o relógio rangendo os dentes.&lt;br /&gt;Qual será o gosto da madrugada? Debaixo deste vestido negro, o que há? A insônia é minha única amante agora, ela me visita todas as noites de angustia, de sonho e de pesadelo.&lt;br /&gt;Por isso a madrugada é a hora da paixão, mas não consigo ficar a sós com ela um instante sequer, há sempre a insônia para atrapalhar o nosso romance. Qual será o sabor do beijo desta bela e brilhante negra repleta de lágrimas?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7918541513878651851?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7918541513878651851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7918541513878651851' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7918541513878651851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7918541513878651851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/12/amante.html' title='A amante'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3840364826998192114</id><published>2007-12-14T18:23:00.000-08:00</published><updated>2007-12-14T18:24:49.330-08:00</updated><title type='text'>Facada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Eu quis que fosse assim. Não foi Deus quem quis! Fui eu, eu quem quis. Deus, ele não quer nada que não seja o poder que ele já tem, o poder de poder fazer o que bem entender com quem bem quiser. Então eu grito:&lt;br /&gt;─ Quem quer? Quem quer que Deus faça da vida o que bem quiser? Não é a vida dele que está em jogo, ele é imortal. É que nem mulher de bigode.&lt;br /&gt;Quando Deus não quer o homem faz o serviço sujo. Como eu acabei de fazer. Agora estou aqui eu e o cadáver, fui eu que quis que fosse assim. Esse cara quando era vivo vivia me importunando, dizendo o que eu podia ou não fazer, o que eu podia ou não vestir... Ah, mas eu cansei de ser humilhada por não ter um pinto. O próximo homem que cruzar o meu caminho eu passo a faca, que nem eu fiz com esse traste.&lt;br /&gt;Ele estava deitado no sofá assistindo o futebolzinho, então eu disse:&lt;br /&gt;─ Amor, quer que eu te de uma facada agora?&lt;br /&gt;─ O que? Ele me respondeu.&lt;br /&gt;Ai, foi-se a faca rasgar o pescoço dele. Sujou de sangue a sala inteira, então eu peguei a minha alma de mulher submissa e limpei a sala todinha, deixei ela brilhando, e ele enterrei no quintal.  Ele gritou um pouquinho quando lhe dei a facada, a TV continuou com o mesmo volume, o som, as revistas e o ventilador continuaram calados. Um vizinho meu, disse que era falta de Deus no coração, mas que se Deus quis que fosse assim, que assim seja! Que deus o que, quem quis que fosse assim foi eu, ou o Diabo.&lt;br /&gt;Agora todo mundo me olha de canto, aquelas vizinhas velhas que vivem carregando imagem de santo por aí, fazem até o sinal da cruz quando me vêem na rua. Não entendo por que. Será que tudo isso é por culpa de uma facada?&lt;br /&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3840364826998192114?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3840364826998192114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3840364826998192114' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3840364826998192114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3840364826998192114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/12/facada.html' title='Facada'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2367524935105196134</id><published>2007-12-09T11:35:00.001-08:00</published><updated>2007-12-09T11:38:26.211-08:00</updated><title type='text'>A espera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;                                              A esperança é como um abutre, pois não mata, mas vive da morte.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram seis horas da tarde e Suzana havia acabado de arrumar a mesa para o jantar. Irineu acabara de chegar do trabalho e estava no banho. Julio, o filho do casal, estava jogando bola com seus amigos na rua. Irineu sentou-se a mesa sem dizer uma palavra, comeu, levantou-se e disse à Suzana:&lt;br /&gt;─ Vô comprar cigarro e cerveja, você quer alguma coisa?&lt;br /&gt;Suzana sorriu, fez um sinal negativo com a cabeça, e pediu que ele não demorasse. Ele sorriu e beijou-a na testa. Caminharam juntos até o portão, ele estendeu os braços a ela e disse que nunca havia amado outra pessoa. Os olhos dela se encheram de lágrimas, pois ele nunca havia falado que a amava, era uma pessoa muito fechada.&lt;br /&gt;Já passava das nove e Irineu ainda não havia chegado, Suzana já estava impaciente e andava de um lado para o outro na casa.   Julio, seu filho, tinha nove anos e adorava o pai apesar dele ser um pouco frio com o menino. A vida em família era muito agradável para Suzana, ela adorava estar com os “seus meninos”, como ela costumava chamá-los. Dizia que se algum dia perdesse algum deles não saberia o que seria dela.&lt;br /&gt;A face de Suzana á demonstrava aflição e desespero, pois não conseguia evitar maus pensamentos em relação ao desaparecimento de Irineu. As horas passaram, já era meia noite e Irineu não havia retornado ao lar. Suzana resolveu ligar para a polícia para pedir ajuda, mas a informaram que não poderiam fazer nada antes de quarenta e oito horas.&lt;br /&gt; Suzana passou a noite em claro esperando pela volta de seu marido, mas sua espera foi em vão. O dia amanheceu e Irineu ainda não havia voltado. Os olhos de Suzana se encheram de lágrimas, ela sentiu uma angustia misturada com medo. Julio acordou e tentou consolar a mãe, mas sua tentativa foi em vão. Suzana não sabia o que pensar em relação a Irineu&lt;br /&gt;Dois dias após seu sumiço Suzana foi até a delegacia. Os policiais prometeram procurar por Irineu, mas passaram-se dias e dias e Irineu não foi encontrado nem pela policia e nem pelos parentes e amigos. Ninguém imaginava o que teria acontecido com Irineu.&lt;br /&gt;Passaram-se duas semanas que Irineu estava desaparecido, Suzana permaneceu à procura de Irineu pelos bares, pelas ruas, na casa de amigos, enfim, em todos os lugares que o casal conhecia. A cada lugar que ela o procurava e não o encontrava, aumentava mais a sua angustia. Então ela resolveu ir para casa esperar que ele voltasse.&lt;br /&gt;Durante um ano ela fingiu que nada havia acontecido e todos os dias arrumava a mesa de jantar para Irineu. Mas no dia do natal o seu coração não conseguiu suportar a falta que Irineu fazia. Então ela se trancou em seu quarto e ficou ali esperando ele aparecer, mas ele não veio visitá-la, nem mandou noticias, ou estava morto, ou fugiu sabe-se lá onde poderia estar.&lt;br /&gt; Suzana ficou trancada em seu quarto, disse que só sairia quando seu marido voltasse. Então os dias se passaram. Irineu não voltou, Suzana morreu de tristeza e Julio morreu de overdose seis anos mais tarde.&lt;br /&gt;A casa daquela triste família continua com os móveis, com as louças sujas, com os sorrisos nos espelhos e com as lágrimas no banheiro. O cheiro doce do perfume de Suzana e o cheiro de graxa da roupa de Irineu. A tristeza de Julio ficou guardada em seu quarto, no vazio das sombras, na tristeza das horas em que Suzana ficou a esperar por seu pai. No cinza dos dias em que Julio viu seu pai desaparecer e sua mãe morrer sem poder fazer nada a não ser ter esperança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2367524935105196134?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2367524935105196134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2367524935105196134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2367524935105196134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2367524935105196134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/12/espera.html' title='A espera'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7980204443059525803</id><published>2007-11-28T09:06:00.000-08:00</published><updated>2007-12-09T10:19:30.927-08:00</updated><title type='text'>Serafina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa que eu mais queria agora era uma caixa de leite para o meu filho, o Murilo. Ele é um desses meninos de barriga inchada, desses que passa na TV e todo mundo sente pena. Eu não sei de quê adianta tanta pena. Já viu barriga cheia de dó? De pena? O Murilo não é exceção, ela não consegue encher a barriga com a dó que as pessoas sentem dele. Ele tá chorando de fome, mas o que eu posso fazer. Faz dois dias que não tem nada para comer.&lt;br /&gt;E ao contrario do que muitos pensam, ele não enche a barriga nem com dó, nem com oração, mas mesmo assim eu faço ele rezar todos os dias, às vezes deus faz um milagre e tira a fome da gente. Um dia agente reza para curar a caganeira, no outro é para distrair a fome e às vezes é até para agradecer a comida que agente ganha de vez em quando.&lt;br /&gt;Quando minha teta secou fiquei morrendo de medo dele morrer, eu não tinha onde arrumar comida para mim imagine então como eu poderia arrumar para ele. Meu marido, o Sebastião, foi para São Paulo e deixou agente aqui nesse fim de mundo, quando ele partiu eu já estava grávida do Murilo. Agente tinha acabado de enterrar o Jacó, meu sexto filho, mas nenhum vingou só o Murilo que parece que não vai viver muito mais tempo.&lt;br /&gt;Quando Sebastião voltar vai salvar agente dessa miséria. Lá em São Paulo eles têm muito dinheiro, fartura, emprego... Aqui no sertão é diferente, falta de tudo. Só vive bem quem é parente de coronel, família de político e o padre. O povo vive tudo na miséria, o povo está sempre esfomeado. O povo faz um monte de filho porque só alguns sobrevivem. O povo não tem nada a não ser fome.&lt;br /&gt;Quem vive no sertão tem que aprender a não sentir fome, a enganar a morte. Mas criança não sabe dessas coisas. Aqui tem que aprender a comer terra, a beber água com barro, a comer mato. Aqui agente precisa aprender a não morrer.&lt;br /&gt;O Murilo tem três anos e mal aprendeu a falar. Não se aprende a falar com fome, muito menos com caganeira. Às vezes ele chora de fome, às vezes fome é tanta que ele não consegue nem chorar. Murilo é menino esperto já sabe até que mato é bom de comer. Um dia ele roubou uma fruta na fazenda de seu Quintino, mas eu fiz ele devolver. Seu Quintino é um dos fazendeiros mais bondosos da região. Quando Sebastião trabalhava na fazenda ele pegou um cacau escondido para o menino. Seu Quintino descobriu e mandou seus capangas arrancarem o dedo de Sebastião. Se fosse outro mandava matar, seu Quintino é homem bom.&lt;br /&gt;Aqui no vale tem pouca gente bondosa, não sei se é medo de um dia não ter o que comer ou se é por maldade mesmo. Mas o seu Manoel, dono da venda, é pessoa boa. No dia do natal Manoel me deu uma galinha. Fiquei muito feliz, o Murilo nunca tinha comido uma galinha. Só palma, tatu, farinha e terra.&lt;br /&gt;Agora Murilo tá deitado. Já faz dois dias que ele num sai da cama. Eu peço para ele rezar, mas ele só agoniza. Acho que ele não vai agüentar, eu sei porque foi assim com o Maciel, com o Benedito, com a Joaquina, com o Maicon, Justina e Jacó. Todos morreram assim. De fome, ou de esquecimento.&lt;br /&gt;A única coisa de bom nisso é que todo mundo fala que quer morrer dormindo, que essa é a melhor maneira de morrer. Então eu durmo tranqüila porque sei que apesar de novos, todos os meus filhos morreram sem sofrer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7980204443059525803?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7980204443059525803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7980204443059525803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7980204443059525803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7980204443059525803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/serafina.html' title='Serafina'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6471304256638132140</id><published>2007-11-26T18:18:00.000-08:00</published><updated>2007-11-26T18:19:38.657-08:00</updated><title type='text'>Brincando de Deus</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra madrugada em um quarto de pensão, pensando em coisas que não fazem parte da minha realidade. O que faz parte da minha realidade é apenas este quarto, este abajur, estes trapos que uso. Na verdade acho que eu já não faço mais parte da realidade. Pareço mais como uma atração de um circo, uma atração que falha e provoca vaias. Acho que sou isto mesmo, uma atração de um circo de quinta categoria.&lt;br /&gt;Sou o domador, domador da fera infame que habita minha cabeça. Bastaram apenas dois passos para esquerda para que eu visse um rato acuado em um canto, ao lado do armário. Um rato cinza, feio, sujo. Durante dez minutos eu fiquei parado, imóvel, olhando aquela criatura. Seu olhar perecia querer dizer-me alguma coisa, parecia me pedir piedade, pois já sabia que eu havia notado sua presença. O instinto animal ordena que os mais fortes destruam os mais fracos, e naquela ocasião ele era o mais fraco.&lt;br /&gt;Aquela pensão imunda me provocava nojo, na verdade nem me lembro como fui parar naquele maldito lugar. Apenas me recordava que já me encontrava neste estado alucinante há vários dias. Fiquei assim quando me vi jogado outra vez na sarjeta, as lágrimas nos olhos de Cristina, minha filha caçula, quando vi que o álcool falava mais alto do que todos que me amavam, resolvi deixá-los em paz para sempre. Aquelas lágrimas, aqueles olhos dilacerados. Aquelas palavras sangrentas me fizeram entende-los ao menos uma vez.&lt;br /&gt;Agora me sinto um pouco cansado, deve ser porque estes dias estão sendo tão atípicos,   ou então porque esta pensão é imunda, ou porque está um calor infernal e este ventilador insiste em não funcionar, ou porque já não como há um bom tempo. &lt;br /&gt; Há dois anos eu prometi para Maria que iria parar de beber. Permaneci um ano firme em minha promessa, mas Maria quis comemorar o aniversário de casamento... Deu uma festa em nossa casa, alguns parentes levaram bebidas. Uma hora após a festa começar eu estava trancado no banheiro dando uma bicada, aí foram uma, duas, três... Quando dei por mim não tinha dormido em casa e já estava a doze horas bebendo.&lt;br /&gt;Agora estou aqui, eu e o rato. Minha única alegria é saber que minha angustia não pode ser maior do que a angustia deste pobre rato. Angustia de medo, de medo de perder tudo o que se tem, e tudo o que este pobre rato tem é a vida. Vida que depende de sua luta diária por comida, mas agora também depende de minha boa vontade, de minha caridade. Acho que devo cessar o sofrimento desta pobre criatura de uma vez por todas, assim como Deus faz com os velhos que estão a sofrer. Só não sei por que Deus não faz também comigo o que faz com os velhos. Será que ele não vê que como estou sofrendo? Acho mesmo que Deus não existe, pois se existisse já teria cessado meu sofrimento.&lt;br /&gt;Eu já abandonei a luta pela vida, estou jogando fora pouco a pouco esta vida sórdida, mas isso não importa mais para mim. Já joguei fora tudo o que tinha. Inclusive o respeito que Cristina tinha por mim, ou pelo menos o respeito que ela teve no período de minha abstinência. Queria poder acabar com o sofrimento de Cristina por isso a abandonei. Agora já não tenho vontade de viver, mas sou um covarde e até agora não tive coragem de acabar de uma vez por todas com este sofrimento.&lt;br /&gt; Quando Cristina me encontrou naquela sarjeta minha vontade era de arrancar os seus olhos para que ela não me visse naquele estado, mas ela me viu, disse palavras sangrentas e pude ver naquelas palavras que ela não iria me perdoar jamais. Então tive vontade de desaparecer, de deixar de ser, mas confesso que sou um grande covarde e Cristina é quem paga por isso.&lt;br /&gt;Sem pensar em nada piso na cabeça do rato, que esperneia, grita convulsivamente antes de ceder à pressão que meus pés fazem sobre sua cabeça. Seus miolos ficam todos espalhados pelo assoalho. Seu sangue era de um vermelho tão intenso que fiquei encantado com a sua cor pura, flamejante. Era mais vermelho do que o meu sangue. Isso eu sei por que um dia eu bebi tanto que quando entrei em casa tropecei no gato e cai batendo o crânio na quina do fogão. Nunca tinha visto Cristina tão preocupada comigo, ela já estava acostumada com as coisas que eu aprontava e por isso nem se preocupava. Mas naquele dia ela achou que fosse algo sério e parecia que iria desmaiar a qualquer instante. Nunca pensei que pudesse pensar isto, mas fiquei muito feliz em saber que apesar de tudo, Cristina me amava.&lt;br /&gt;Fico por algum tempo olhando o que restou do rato, mas em um súbito momento de loucura abaixo-me e começo a lamber os miolos que estavam espalhados pelo assoalho. Como quem procura recolher os cacos das vidraças que quebra. De certa forma os miolos do rato tinham uma relação com Cristina, pois apenas fiz um favor a este rato infeliz, eu apenas seguei seu sofrimento, não lhe fiz mal algum. Queria que alguém fizesse isto por mim. Isto que fiz com o rato e com Cristina.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6471304256638132140?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6471304256638132140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6471304256638132140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6471304256638132140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6471304256638132140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/brincando-de-deus_26.html' title='Brincando de Deus'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2501081128820618753</id><published>2007-11-26T17:54:00.001-08:00</published><updated>2007-12-09T10:31:12.381-08:00</updated><title type='text'>O dia da partida (ou depois do açoite)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava sentado na privada fumando um cigarro barato às sete horas da manhã. O céu estava cinza, ele estava de ressaca e com sede. Olhou para o lado e viu uma mosca pousada no ombro direito. “É impressão minha ou sou mesmo uma bosta?”, pensou.&lt;br /&gt;Seu nome é Renato, ele é o corno do bairro e todos sabem disso inclusive ele, mas Renato não se importa com o que dizem por aí. Casou-se com Teresa quando tinha trinta anos, sabia que Teresa gostava de sair com vários homens, mas nunca se importava com isso, ou pelo menos fingia que não se importava.&lt;br /&gt;Teresa trabalhava em uma lanchonete no centro. quando algum cliente se interessava por ela, cobrava para sair com eles. Renato a conheceu na lanchonete, ele pediu um suco e ela disse:&lt;br /&gt;─ Olha meu bem, as laranjas dessa lanchonete tão tudo estragada. Agora se você quisé me come é trinta reais!&lt;br /&gt;Ele fez um sinal negativo com a cabeça e foi embora, mas voltou no dia do pagamento perguntando para ela se aquela proposta ainda estava de pé. Ela disse que sim, e que era para ele estar na porta da lanchonete às dez horas da noite, a hora que ela saia.&lt;br /&gt;Depois daquela noite Renato não conseguia pensar em outra coisa que não fosse Teresa, mas não tinha mais dinheiro para sair com a moça outra vez. Quando chegou o dia de seu pagamento e Renato apareceu na porta da lanchonete novamente.&lt;br /&gt;─ Olha moça, tá aqui todo o meu salário, trezentos e setenta reais. Te dou tudo se você casar comigo! Disse ele tremendo de medo. Ela sorriu e respondeu:&lt;br /&gt;─ Essa foi à frase mais romântica que eu já ouvi na minha vida. É claro que eu caso com você!&lt;br /&gt;Depois disso eles alugaram uma casinha no centro, no fundo da casa de uma viúva. No começo do casamento era só sexo e sexo todos os dias, mas o tempo foi passando e Teresa foi enjoando. Ela dizia que não conseguia ficar muito tempo dando para o mesmo homem. “Eu preciso muda de pica de vez em quando, Renato!”, ela gritava quando chegava tarde e Renato a cobrava por sua escapada. Com o tempo Renato foi acostumando, ficando quieto, fingindo que ela não existia.&lt;br /&gt;Semana passada Renato perdeu o emprego, fica o dia todo encostado em casa, tomando as cervejas que Teresa traz da lanchonete. Ontem ele exagerou na bebida, tomou um pouco de gim que tinha sobrado do dia do casamento, cerveja e meio litro de cachaça. Teresa cegou tarde e quando entrou no quarto notou que Renato tinha feito vômito por toda a cama. Ela começou a chorar e ele a espancou por isso.&lt;br /&gt;Agora ele está no banheiro, fumando. Teresa está no quarto chorando com a boca e os olhos cortados, pensando em um jeito de matá-lo. E ele está com muita dor de cabeça e refletindo se é ou não uma bosta.&lt;br /&gt;Queimou o dedo com o cigarro, já tinha chegado ao filtro. Ele joga no lixo o cigarro que ainda estava aceso e isso faz com que pegue fogo no lixo, mas ele nem se importa. Teresa sente o cheiro de plástico queimado e vai até a porta do banheiro para ver o que havia acontecido. Fica parada em frente à porta alguns minutos, olhando, tentando decifrar o que Renato estava fazendo. Resolve bater e perguntar o que estava acontecendo. Resolve não incomoda-lo, estava com medo da violencia do marido.&lt;br /&gt;já estava se virando para retornar ao quarto, quando vê a porta abrindo e Renato com uma pistola calibre trinta e dois na mão esquerda. Renato olhava fixamente para os olhos de Teresa, seus olhos eram de cólera. Ela tentava falar alguma coisa, mas não conseguia. Renato puxou o gatilho e o sangue de Teresa espirrou em sua camiseta branca. Ela não reagiu, o tiro foi no meio da testa. Renato sorriu e foi embora para onde só Deus sabe.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2501081128820618753?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2501081128820618753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2501081128820618753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2501081128820618753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2501081128820618753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/o-dia-da-partida-ou-depois-do-aoite.html' title='O dia da partida (ou depois do açoite)'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8893825609827526134</id><published>2007-11-24T16:02:00.000-08:00</published><updated>2007-11-24T16:03:56.746-08:00</updated><title type='text'>O mendigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não diga que eu não sei nada! Olhe meu amigo, eu existo, e isso prova que sei muitas coisas. Sei para o que sirvo e também sei que sou aquele que você detesta, mas veja bem, seu coração não pode viver sem mim. E sabe por quê?&lt;br /&gt;Porque seu coração precisa sentir pena de algo, ou até mesmo sentir que há alguém que está em condições piores do que a sua. Você precisa lembrar que é humano meu chapa. E sem mim, o mendigo, talvez você se transformasse em uma fria máquina de uma vez por todas. A única coisa que lhe peço, amigo, é que não diga que não sei nada, pois eu sei muitas coisas.&lt;br /&gt;Eu sei pedir esmola e ver a sua boca arranhar um não, mas sempre que tem um trocado no bolso não consegue desistir da sensação de ser melhor do que alguém. Então você coloca a mão no bolso, diz sim balançando a cabeça e joga a moeda em minha mão. Sem abaixar ou demonstrar qualquer sentimento de compaixão. O seu prazer é fazer com que eu me sinta desprezado, mas já nem me importo com isso, o seu desdém é apenas mais um em meio de tantos que eu recebo por dia. E mesmo que você me olhe de canto ou até mesmo que você nem me olhe, eu tenho coragem de olhar no fundo dos seus olhos para pedir um cigarro. E você, sabe negar?&lt;br /&gt;Não, você nunca nega. Se nega é porque não tem. Eu não sei ler e nem escrever, mas me diga se alguém (retirando os políticos) sabe produzir um texto oral melhor do que o meu? E sempre com aquela velha ladainha de “Tenho filhos para criar”, “Preciso comer”, ”Vim de outra cidade à procura de um emprego”... E você sabe que é mentira, mas não consegue se segurar, olha com desprezo e joga a moeda em minhas mãos. Como de costume faço reverencias a Deus, mesmo que você seja ateu não desdenha o “Deus te abençoe”. Isso alimenta o seu ego tanto quanto sua moeda irá alimentar as minhas lombrigas.&lt;br /&gt;Eu sei olhar de baixo e fazer você sentir-se um gigante assustador enquanto você me olha de cima e acha um pequenino atrofiado, uma verdadeira lagartixa. Talvez eu seja mesmo uma frágil lagartixa que vive pelos cantos se alimentando de moscas, mas pelo menos eu assumo o que sou. Diferente do seu patrão que também come e bebe as suas custas, mas fica posando de bom moço. Está aí, eu sou o pedinte mais leal de todos. Peço, sei que peço e você também. Digo que preciso, imploro se for o caso, mas você sempre está ciente de tudo, e seu patrão não, ele faz você acreditar que ele é “o bom moço”, quando na verdade é ele quem precisa de você.&lt;br /&gt;Não é porque estou ancorado nesta calçada que eu não seja importante. Posso estar sentado aqui sem fazer nada a ninguém, e a qualquer momento seus filhos atearem fogo em meu corpo, isto seria desumano, mas quem tem noção de humanidade hoje em dia? Você? Será que a palavra hombridade não faz mais parte do vocabulário atual?&lt;br /&gt;Dizem por aí que eu sou o tumor do corpo social, mas veja bem, quando alguém tem um tumor e consegue curá-lo esse alguém passa a dar um valor muito maior às coisas realmente importantes da vida. Você sabe porque estou nesta situação e acha que a melhor maneira de aquecer o seu coração é oferecendo migalhas. Você não consegue perceber que você precisa de mim tanto quanto eu preciso de você, e isso me dá uma vantagem nesta batalha que travamos.&lt;br /&gt;Agora que eu provei que sei muitas coisas, até muito mais do que você, libera o dinheiro porque meu estomago já está roncando.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8893825609827526134?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8893825609827526134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8893825609827526134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8893825609827526134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8893825609827526134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/o-mendigo.html' title='O mendigo'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-186141058799873050</id><published>2007-11-16T14:42:00.001-08:00</published><updated>2007-11-16T14:42:52.725-08:00</updated><title type='text'>O olho de vidro</title><content type='html'>Eu caminhava sobre as trevas do asfalto fresco, seu cheiro de petróleo o óleo que é sangue da terra, me fez lembrar os erros de Eros e da vida que enterro em tristes palavras. A rua em que eu caminhava era próxima ao rio e seu cheiro me confundia às vezes, o cheiro do rio e do asfalto, o cheiro molhado e quente, de umidade oleosa.&lt;br /&gt;Vi minha vida passar em vertigens e um olho de vidro agarrado ao fresco asfalto. O olho de vidro que viu minha vida, de vidro de vida, de dívida, de dádiva. O olho esbugalhado envolto de óleo quente, olho que viu minha vida, de vidro.&lt;br /&gt;A beleza do mundo apareceu com a chuva, e que gotas que contas que gostas e caem sobre o asfalto. Evaporam, evaporam de cheiro de chuva, de cheiro de beleza. O cheiro que beira a sublime imagem, que limpa o olho de vidro e o casco em que vivo.&lt;br /&gt;Eu caminhava sobre a nova rua e vi a nova vida, vi o sol entrar pela janela daquela casa amarela, aquela casa que seria minha.&lt;br /&gt;Mas eu volto e sou sempre o mesmo, sempre o mesmo, com mesma casa, com mesma rua, com o mesmo olho de vidro vivido que vê minha vida. Olho privado de dádiva, corpo tremendo de raiva, solto e só pelo mundo.&lt;br /&gt;Eu caminhava sobre a velha casa que tinha telhado de vidro. Cinzeiros sujos, isqueiros quebrados, papéis impressos com palavras sangradas, de letras vermelhas e tortas e mortas. A casa sem parede, mas com telhado de vidro, telhado quebrado que corta essa carne imunda do mundo, carne muda, mundana. Carne sangra, sagra muda no mundo imundo, muda, muda... Tentando mudar os rumos, mudo, mudo.&lt;br /&gt;São três fechaduras. Sem chaves, fechaduras que trancam para sempre esta alma aflita. Eu vejo o fogo corroendo o corpo, o fogo no copo, um fogo ópio. Ainda são três, uma que tranca a alma, outra que tranca o corpo, e outra que tranca o coração. Coração que troco, mas tranco o trocado em um traço de mágico, para o truque aplausos após o desastre. Aplausos de um surdo.  &lt;br /&gt;Sempre que busco o caminho, sempre que busco o caminho acabo sozinho, trancado na caixa. Como o olho de vidro preso no asfalto. Vendo vertigem, vivendo e vendendo sonho, vivendo as trevas do fim do caminho, o olho de vidro, sozinho... O olho de vidro.&lt;br /&gt;O telhado quebrado, um corte no norte e um rumo despedaçado. As lágrimas negras do olho de vidro, olho de vida que tudo vê, que vê vertigens e vive delas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-186141058799873050?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/186141058799873050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=186141058799873050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/186141058799873050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/186141058799873050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/o-olho-de-vidro.html' title='O olho de vidro'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1151003423991897220</id><published>2007-11-16T14:32:00.000-08:00</published><updated>2007-11-16T14:39:45.175-08:00</updated><title type='text'>Um adeus ao inferno</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Desabei sobre o chão, trêmulo. Me livrei do inferno e do veneno.&lt;br /&gt;Depois do açoite, dilacerado, sangrei em lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As páginas impressas nestas paredes, rasguei-as com minhas unhas&lt;br /&gt;O gozo e a dor era o que compunha a nossa canção.&lt;br /&gt;Um grito surdo de desespero, outro verdadeiro&lt;br /&gt;de dor pelo enterro do amor que já sentimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora são farpas a cada ligação,&lt;br /&gt;não há outro jeito, não tem perdão.&lt;br /&gt;Um grito mudo, um muro entre a cama,&lt;br /&gt;Um mundo inteiro que me espera,&lt;br /&gt;As chagas que sempre me acompanham&lt;br /&gt;Para me lembrar do que eu era&lt;br /&gt;E do que eu não devo mais ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1151003423991897220?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1151003423991897220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1151003423991897220' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1151003423991897220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1151003423991897220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/um-adeus-ao-inferno.html' title='Um adeus ao inferno'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2123384071235885509</id><published>2007-11-09T18:04:00.000-08:00</published><updated>2007-11-09T18:05:32.228-08:00</updated><title type='text'>Rês</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Por mais humano que sei que sou desisti das lágrimas, enraizadas nessas caras pálidas, iguais. Tenho às vezes certos sonhos, vertigens épicas da vida ou até mesmo dos impulsos. Ah, se eu não fosse corrompido por esta moral estúpida, seria talvez tão melhor a vida.&lt;br /&gt;Às vezes posso ver as correntes, acreditas? Nem todos podem vê-las, aliás, eu só as vejo em minhas vertigens. Mas já nem me importo com isto, pois ultimamente o que mais me aflige é este maldito fardo. Como vocês podem carregar por toda a vida este fardo? Tentei por várias vezes me livrar deste infortúnio, mas nunca fui feliz em minhas tentativas. Outro dia fui à beira de uma ponte, mas os impulsos incitantes não me convenceram a saltar, a deixar este fardo boiando n’água.&lt;br /&gt;O peso de minha existência, de meus erros, de meus lamentos, parece redobrar a cada passo. Assim como estes grandes bancos cobram o atraso, dobrando e redobrando o valor a cada dia. Até que um dia este peso acabará me deixando entrevado nesta cadeira, que desabo, após cada dia de trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2123384071235885509?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2123384071235885509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2123384071235885509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2123384071235885509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2123384071235885509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/rs.html' title='Rês'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1507326182838933481</id><published>2007-11-02T21:55:00.001-07:00</published><updated>2007-11-02T21:55:57.083-07:00</updated><title type='text'>Primeira sinfonia</title><content type='html'>A sinfonia da chuva, singela, gelada...&lt;br /&gt;De um compasso singular, latejante,&lt;br /&gt;Contínuo, infante como cristais delicados e únicos.&lt;br /&gt;Milhões de gotas ungem a terra verdejando sua língua,&lt;br /&gt;Trazendo um verde puro,&lt;br /&gt;Reluzente em meio a tanto cinza.&lt;br /&gt;Uma musica fulminante que grita para os surdos,&lt;br /&gt;Seu compasso é perfeito, ereto. Tu escutas?&lt;br /&gt;A nobre e velha violeta descende a chuva passada.&lt;br /&gt;A amada margarida, às vezes tão amarga, com ela se acalma.&lt;br /&gt;Vai água turva escorre até o rio,&lt;br /&gt;Leva estas águas tuas “pros” peixes sem temer a podridão do homem.&lt;br /&gt;Vai água ereta, ácida, caía sobre os ombros dos que tem fome,&lt;br /&gt;Sede e cesse a dor do estômago destes que quase nunca comem.&lt;br /&gt;E a sinfonia continua, nua, contínua,&lt;br /&gt;Nua, assídua, órfã de mãe&lt;br /&gt;Jogada “pros” homens que a matam por sede.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1507326182838933481?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1507326182838933481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1507326182838933481' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1507326182838933481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1507326182838933481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/primeira-sinfonia.html' title='Primeira sinfonia'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-6296679549423329203</id><published>2007-11-02T21:52:00.000-07:00</published><updated>2007-11-02T21:53:28.444-07:00</updated><title type='text'>As núpcias e as feridas</title><content type='html'>O umbral da casa de Deus recebia a alma sórdida, parecia flutuar sobre passos verdejantes, carregava na face um sorriso plástico e nos olhos um mar de lágrimas. Sorria sorria sorria, mesmo sem sentir vontade. A sorrir por vaidade. Apenas por sorrir, por ser covarde.&lt;br /&gt;A brancura já não ofuscava a alma impura que o homem reprovava. O sal, o sol, o arroz, a angustia, a perda... Enfim o Buquê murchou, e continham-se as lágrimas das dádivas alivia. O casamento da dor com o nada. Desalma, desame o desamor infortúnio da alma impura do mundo. Já na primeira noite começam as chagas que afagas em lágrimas para o espelho, que enxugas e volta à servidão, sem importar-se com a dor do peito, no leito é passiva, quase não-viva. Sonha em ser viúva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-6296679549423329203?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/6296679549423329203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=6296679549423329203' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6296679549423329203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/6296679549423329203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/as-npcias-e-as-feridas.html' title='As núpcias e as feridas'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3013799044139041194</id><published>2007-11-02T13:11:00.003-07:00</published><updated>2007-11-02T13:11:51.584-07:00</updated><title type='text'>Das maquinas.</title><content type='html'>Atirei no peito, no leito e na gravata.&lt;br /&gt;Rasguei a bata, um livro, a carta,&lt;br /&gt;E o casco da barca em que cortei o oceano a esmo.&lt;br /&gt;Mesmo que não fosse necessário, pário, involuntário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rompi o conceito, o feito da alma escrava.&lt;br /&gt;Atingi a lata, o limbo, a larva,&lt;br /&gt;E a batina da arca em que naufraguei sem mesmo.&lt;br /&gt;A esmo é preciso, conciso, indigno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escutei as trovas que as máquinas diziam,&lt;br /&gt;E os versos que gritavam martelados. No compasso...&lt;br /&gt;O aço quente corta a carne em um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilacerando a alma num sorriso forçado,&lt;br /&gt;E os servos que gritavam morfinados. Sem compasso...&lt;br /&gt;Em um abraço frio que corta a carne como aço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3013799044139041194?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3013799044139041194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3013799044139041194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3013799044139041194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3013799044139041194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/11/das-maquinas_02.html' title='Das maquinas.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1689729027052042903</id><published>2007-10-25T17:02:00.000-07:00</published><updated>2007-10-25T17:03:27.025-07:00</updated><title type='text'>Catarse</title><content type='html'>Eu vi que estes prédios sufocavam.&lt;br /&gt;Transformavam o mangue em canibal,&lt;br /&gt;Mangue que como mangue, dor que acaba em ódio.&lt;br /&gt;Rádio ressoa o inferno, que é simplesmente caótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar sufocava, a fumaça, a desgraça...&lt;br /&gt;Por que não tem céu? Tudo aqui é inferno!&lt;br /&gt;Com o gosto de fel, primeiro leite materno.&lt;br /&gt;O ar desgraça sufocava a fumaça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão cinza é o horizonte, como as cinzas do canibal.&lt;br /&gt;A glória aqui é o suicídio o frio estomacal.&lt;br /&gt;O que nos reduziu ao nada?&lt;br /&gt;O massacre da terra das fadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar envenena, terra que não refresca,&lt;br /&gt;Mangue que não é mangue, fome que atesta.&lt;br /&gt;Desgraça da vida, infância envelhecida.&lt;br /&gt;Sufoca o inferno da alma querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é impuro e infame, é lobo sobre lobo.&lt;br /&gt;Trapaça no jogo do céu, a perda é o lodo.&lt;br /&gt;Mangue que é inferno, tudo que é nada.&lt;br /&gt;Inferno que é mangue, alma que sozinha vaga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1689729027052042903?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1689729027052042903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1689729027052042903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1689729027052042903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1689729027052042903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/10/catarse.html' title='Catarse'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2651966638357845244</id><published>2007-10-17T12:09:00.000-07:00</published><updated>2007-10-17T12:25:18.603-07:00</updated><title type='text'>Sentimentos</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O que sinto é nos poros! O resto não é nada.&lt;br /&gt;O que sinto é no corpo, a alma veste armadura.&lt;br /&gt;Escura com os desejos mais sórdidos, como a sorte no jogo em que apostei minha vida.&lt;br /&gt;Logo pensarei a mentira, mas ela eu não posso sentir.&lt;br /&gt;No jogo um infeliz gigante crava a lança em minha alma,&lt;br /&gt;Para a sorte da feliz alma que retira a armadura e morre leve e desalmada.&lt;br /&gt;Agora é o corpo quem pena com o peso dos sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2651966638357845244?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2651966638357845244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2651966638357845244' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2651966638357845244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2651966638357845244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/10/sentimentos.html' title='Sentimentos'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1533349804707763892</id><published>2007-10-12T19:11:00.000-07:00</published><updated>2007-10-12T19:13:56.385-07:00</updated><title type='text'>O fardo</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Uma ama-de-leite que te aceite,&lt;br /&gt;É isso que você quer.&lt;br /&gt;Uma ama-de-leite,&lt;br /&gt;Não uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmamado como um bezerro frágil&lt;br /&gt;Que sente falta da vaca,&lt;br /&gt;Amado por qualquer fêmea ágil,&lt;br /&gt;Ressoando vozes opacas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A isso se resume o amor,&lt;br /&gt;o amor de homem/mulher.&lt;br /&gt;Amor de bicho é para a mãe o clamor,&lt;br /&gt;o resto é coisa qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é criatura sem alma,&lt;br /&gt;Só a mulher sabe o que é amor.&lt;br /&gt;Por isso seus beijos o acalma,&lt;br /&gt;Mas para ela causam dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher é ama-de-leite,&lt;br /&gt;O homem é bicho desmamado&lt;br /&gt;Que procura alguma que o aceite&lt;br /&gt;Para culpá-la por seus pecados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1533349804707763892?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1533349804707763892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1533349804707763892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1533349804707763892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1533349804707763892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/10/o-fardo.html' title='O fardo'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-5201992631558805838</id><published>2007-10-12T19:08:00.000-07:00</published><updated>2007-10-12T19:10:06.998-07:00</updated><title type='text'>O verme</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas férias de julho minha família sempre viajava e naquelas férias não foi diferente, nós fomos para o sitio de uns primos de minha mãe. Já eram duas da madrugada e ninguém havia dormido ainda, minha mãe ficava gritando com todo mundo. Era costume dela ficar nervosa nas vésperas de nossas viagens.  Meu pai até tirava uns minutinhos para cochilar, mas dormir mesmo era impossível, porque como eu disse minha mãe ficava gritado com todo mundo.&lt;br /&gt;Eram seis horas da manhã e minha mãe já vinha subindo as escadas para me acordar, e então ela esmurrou a porta e ficou gritando que já passou da hora. Eu levantei escovei os dentes, e fui logo para o carro para continuar dormindo. Eu sabia que eles ainda demorariam porque certamente iriam ficar mais umas duas horas discutindo antes de sair, mas eu fazia logo a minha parte para evitar problemas.&lt;br /&gt;Mal estávamos na estrada e meu pai já queria parar para tomar café, ele era viciado em café. Paramos um pouco e continuamos o nosso caminho. Entramos em uma estrada de terra e após duas horas e meia de poeira chegamos ao sítio.&lt;br /&gt;O povo do sítio nos recebeu com muito carinho, fizeram bolo e doces, o que eu achei a melhor parte. Pedi a minha mãe que me deixasse caminhar um pouco, pois já estava cansado de permanecer sentado. Ela deixou com a condição que eu não fosse muito longe. Fiquei por longas horas caminhando pelo pasto, até que vi uma figueira do outro lado da cerca. Resolvi ir até lá, pois que mal poderia encontrar no meio desse matagal?&lt;br /&gt;Ao chegar em baixo da figueira a sua sombra era tão fresca que tive a vontade de deitar-me por um tempo. Quando já estava quase cochilando ouvi algo se aproximando rapidamente, levantei-me em um pulo e então pude ver do que se tratava. Era uma enorme cobra, a maior que eu já tinha visto (até aquele dia eu só havia visto cobras-cegas). Ela era maior do que a cobra do filme “Anaconda”, seus dentes eram do tamanho dos meus braços, sua cabeça era maior do que meu corpo inteiro. Ela era verde e preta, e tinha olhos de cólera.&lt;br /&gt;A cobra permaneceu intacta, como eu, por duas horas. Eu olhando para os olhos dela e ela fixada em meus olhos. Depois de duas horas que ali estávamos resolvi tentar sair de mansinho, mas a cobra continuava a me olhar. Dei alguns passos para trás e ela permaneceu na mesma posição. Virei-me e comecei a correr, mas minha corrida não durou mais do que dez passos, pois a cobra me abocanhou de uma só vez.&lt;br /&gt;Depois de algumas horas desacordado pelo susto, acordei com muito calor. Estava muito apertado e quente, eu também estava todo molhado, mas não era água, aquilo era uma gosma que eu acho que servia para que a presa deslizasse mais facilmente para a barriga da cobra. Fiquei sem comer durante seis dias até que a cobra engoliu um coelho, você não sabe como é gostosa a carne de coelho cru.&lt;br /&gt;A vida dentro da cobra não é muito ruim, o único problema é que a água é pouca por isso eu nunca tomo banho, mas isso para mim não é problema. Nunca gostei de tomar banho mesmo. No verão faz um pouco de calor, mas com o tempo agente acostuma. Este mês a cobra engoliu um boi inteiro, agora tem comida para uns dois meses.&lt;br /&gt;Alguns dias depois de ter engolido o boi, pude perceber que ela havia abocanhado outra presa, achei muito estranho por que ela passava meses sem alimentar-se. Quando de repente chegou à minha companhia uma pequena caixa preta. Reparei um que nada selava a caixa, ela estava completamente aberta bastava só eu retirar a sua tampa que estaria pronto para deleitar-me com o que havia dentro da caixa. Mas o que será que a caixa guardava?&lt;br /&gt;Hesitei por alguns instantes, mas acabei por abrir a caixa misteriosa. Para minha surpresa a caixa guardava velhos papéis rabiscados. Fechei-a e fui dormir, já estava a muito tempo acordado e precisava descansar um pouco.&lt;br /&gt; Depois de algumas horas acordei a comi alguma coisa, como era difícil romper a carcaça do boi. Quando terminei o desjejum fui logo até a caixa ver o que tanto guardava aqueles papéis.&lt;br /&gt;Peguei aquelas incontáveis folhas e comecei a dissecar as palavras impressas, não havia nenhuma palavra bonita. Na maioria das folhas estava escrito apenas uma palavra, morto, suicídio, cólera, eram algumas das palavras que encontrei. Mas a palavra que me chamou a atenção mesmo foi “verme”, como pude permanecer aqui por tanto tempo sem pensar nesta palavra? Verme a palavra da minha vida insignificante, eu sou o verdadeiro, ou melhor, “o próprio verme”.&lt;br /&gt;Aquela palavra me perseguia, me causava cólera. A angustia tomava como um sopro o meu frágil peito de verme. A pobre cobra por meses suportou-me aqui sugando tudo que ela conquistava por seus méritos, como pude ser tão algoz?&lt;br /&gt;Depois de perder a batalha que travei em minha consciência resolvi voltar pelo mesmo caminho onde havia entrado, mesmo que isso traga riscos para minha integridade física. Porque para o meu espírito não trará nenhum risco. Deixar de ser verme era o que eu mais queria naquele momento. Não conseguia mais carregar este fardo que pesava sobre o meu corpo desnutrido.&lt;br /&gt;Passei a gosma do estomacal da cobra no peito e colei o papel que significou meu desassossego. E com a verdade estampada no peito saí desbravando o interior da cobra, mas quando cheguei próximo a sua boca ela sentiu-se sufocada e espirrou. Atirando-me de encontro as suas presas e a ponta feriu-me. Ela me jogou imediatamente para fora de sua boca. Finalmente deixei de ser um verme.&lt;br /&gt; Mesmo tendo morrido devido ao veneno que me penetrou quando suas presas me perfuraram, estou feliz porque agora posso dar algum sentido a minha vida, ou melhor, a minha morte. Alguns vermes estão alimentando-se do meu corpo. Como pode um verme comer o outro?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-5201992631558805838?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/5201992631558805838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=5201992631558805838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5201992631558805838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/5201992631558805838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/10/o-verme.html' title='O verme'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3864489616790051022</id><published>2007-10-11T13:47:00.000-07:00</published><updated>2007-10-11T13:48:55.924-07:00</updated><title type='text'>Cigana</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis nas minhas palavras ser o teu nome&lt;br /&gt;Para embarcar o meu foguete no teu universo.&lt;br /&gt;Quis nas minhas palavras ser o teu nome,&lt;br /&gt;Mas o que consegui foi só você.&lt;br /&gt;Você é minha palavra, é o rio em que me afogo&lt;br /&gt;Que afaga a minha chaga, é no deserto a água que imploro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis que o teu nome fosse minha palavra&lt;br /&gt;E que tua boca fosse meu beijo.&lt;br /&gt;Queria ser alvo se você o dardo,&lt;br /&gt;A carniça se você a hiena.&lt;br /&gt;Eu repleto de moscas quando surge a gargalhada louca&lt;br /&gt;Que devora os meus restos, podres, indigestos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis nas minhas palavras desenhar as tuas formas,&lt;br /&gt;Os teus trejeitos, as tuas manias.&lt;br /&gt;Teus lábios, tuas bijuterias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiraste do meu corpo os segredos mais sórdidos.&lt;br /&gt;Por isto desconfio que tu sejas cigana&lt;br /&gt;E que o teu lenço me cega o horizonte.&lt;br /&gt;Por que o meu mudo é você. Cigana profana.&lt;br /&gt;Me enfeitiça, me atiça que eu ponho os meus dentes de ouro na tua boca que escarra destinos.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3864489616790051022?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3864489616790051022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3864489616790051022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3864489616790051022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3864489616790051022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/10/cigana.html' title='Cigana'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3834646824170197251</id><published>2007-10-11T13:41:00.000-07:00</published><updated>2007-10-11T13:43:10.401-07:00</updated><title type='text'>Os pescadores</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imensidão cinza, repleta da alma impura&lt;br /&gt;Carrega na rede o gládio, a arma da brancura.&lt;br /&gt;Armada na água a rede, essa água que não mata a sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo então sede a fome&lt;br /&gt; E afoga a alma do homem.&lt;br /&gt;No mar de águas impunes&lt;br /&gt; Sinto o doce sabor do azedume.&lt;br /&gt;Do vazio que enche o estomago&lt;br /&gt;Na insônia das águas me afogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui a rede, que se chama esperança.&lt;br /&gt;Eu e meus companheiros jogamos a rede no mar,E atentos observamos a esperança se afogar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3834646824170197251?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3834646824170197251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3834646824170197251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3834646824170197251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3834646824170197251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/10/os-pescadores.html' title='Os pescadores'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-9052879841401404856</id><published>2007-10-08T19:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T19:19:04.760-07:00</updated><title type='text'>Cavaleiro alado.</title><content type='html'>Eu voei como o eco da melodia mais infame,&lt;br /&gt;Mas minhas frágeis asas de morcego cederam.&lt;br /&gt;E fez-se a poeira! Cai como um raio sobre a tua despedaçada casa.&lt;br /&gt;Quis demais, quis um reino só meu.&lt;br /&gt;E tive as asas amputadas por alguém que sonhei ser,&lt;br /&gt;Só sobrevoei a guerra e vi os despedaçados implorando por misericórdia,&lt;br /&gt;Assim me fiz profano rei, que caminha sobre o as brasas incandescentes.&lt;br /&gt;Desde meu ultimo vôo não sei mais o que é liberdade.&lt;br /&gt;(Minha ascensão frágil confundiu-se com o doce legado de um palhaço triste,&lt;br /&gt;Minha queda foi o único sorriso.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ergueste a espada e travaste a árdua batalha,&lt;br /&gt;Lento, quando firmei o gládio cravaste em meu peito&lt;br /&gt;Como outro teve as mãos cravadas.&lt;br /&gt;Dormirei tranqüilo, pois apesar da derrota&lt;br /&gt;Honrei a espada negra.&lt;br /&gt;Cave uma cova onde caibam minhas asas&lt;br /&gt;E limpe o meu sangue de tua espada.&lt;br /&gt;Me enterre ao som das notas cínicas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-9052879841401404856?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/9052879841401404856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=9052879841401404856' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/9052879841401404856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/9052879841401404856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/10/cavaleiro-alado.html' title='Cavaleiro alado.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1159186588529090870</id><published>2007-09-30T08:56:00.001-07:00</published><updated>2007-09-30T08:56:58.506-07:00</updated><title type='text'>O alvorecer</title><content type='html'>O alvorecer é sórdido, mas serve para limpar a maquiagem. E ao ouvir o pássaro cantar o objeto chora. Dançando a velha canção do nada para espantar os abutres da calçada.&lt;br /&gt; ─Quem pode responder esta pergunta estúpida? Queria eu deitar sobre o busto de Diana para curar a chaga desta alma profana. Não há nada a se fazer a não ser recolher os morcegos que habitam o meu quarto. Por anos pensei que anjos transavam no porão da minha casa, mas agora sei que são demônios transando com fadas. O alvorecer já não me faz esquecer a dor das trevas... Pedirei a Zeus que me livre do inferno, mas sei que o paraíso queima. Quero apenas o purgatório!&lt;br /&gt;A estrela maior acorda e seu calor faz arder à cicatriz, mas seca dos olhos o rio e aquece o coração servil. Outro copo, outro cigarro. Olhos dissimulados no espelho, vermelhos, vazios. Para ela o alvorecer é a treva do ser, de ser o que é. Diana oferece o colo e ela adormece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1159186588529090870?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1159186588529090870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1159186588529090870' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1159186588529090870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1159186588529090870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/o-alvorecer.html' title='O alvorecer'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4743892252366171327</id><published>2007-09-30T08:52:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T08:53:26.725-07:00</updated><title type='text'>As explosões do purgatório</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Depois de um baque de remédios ela vê o purgatório, notório e sanguinário. Senta-se em uma pedra ensangüentada, a pedra da penúria, acende um cigarro e observa os empregados do diabo. Um rio corria à sua frente, o rio em que se afogavam as almas aflitas. No rio havia gaivotas que se alimentavam como urubus, da carniça das almas podres que boiavam no rio.&lt;br /&gt;Algumas almas vinham cumprimentá-la, abraçavam-na, sussurravam em seu ouvido algumas palavras e partiam.&lt;br /&gt;─ Ódio, medo, tristeza e dor.  Disse uma alma solene. O hálito das almas eram amargos como as folhas das arvores do vale da inveja. Uma alma lhe disse palavras bonitas e ela a beijou. Seu corpo jogou-se contra o chão e o vômito invadiu suas narinas. Acordou em hospital, explodindo, gritando para o mundo surdo escutar a sua dor.&lt;br /&gt; As explosões no purgatório, o medo e os delírios. Os remédios já não aliviam a dor e sim a aumenta. Os remédios trazem a dor para a alma e a torna aflita, como aquelas que vagam no purgatório, a estrada do desespero que leva a cidade da miséria.&lt;br /&gt;Um eclipse adornou a noite, e da janela do hospital ela pode ver pela primeira vez a escuridão do céu que era doce, então ela se apaixonou. E gozou, pois a escuridão adentrou tuas entranhas, gozou pela primeira vez.&lt;br /&gt; Os lábios das trevas tocaram tua alma e o teu corpo, ela sentiu a boca latejante da escuridão incandescente, os lábios das trevas beijando a dama de ébano.&lt;br /&gt; No primeiro sussurro os deuses tocam a sinfonia, de uma harmonia pura e bela, simples e singela, o amor desalmado ou a almada dor. Tocaram as trombetas fúnebres e os órgãos sátiros, algumas notas são cínicas, mas se tornam belas e talvez até ingênuas.&lt;br /&gt;E todas as sinfonias do mundo emaranhavam-se para formar a mais pura e bela harmonia já feita. E para ela o mundo era novo, a vida começara agora, após voltar do purgatório.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4743892252366171327?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4743892252366171327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4743892252366171327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4743892252366171327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4743892252366171327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/as-exploses-do-purgatrio.html' title='As explosões do purgatório'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4772919031867664615</id><published>2007-09-30T08:45:00.000-07:00</published><updated>2007-09-30T08:47:17.061-07:00</updated><title type='text'>O homem, o campo...</title><content type='html'>A foice e a enxada, já não mais afagam a chaga.&lt;br /&gt;A foice, a enxada e o céu. O cansaço, a vertigem e mais nada.&lt;br /&gt;Faço a semeadura, limpo esta terra impura e adubo-a.&lt;br /&gt;Com minhas unhas duras preparo-a e torno-a fértil.&lt;br /&gt;E eu, o que tenho?&lt;br /&gt;Tenho as mãos calejadas. Um rosto repleto de lágrimas, a boca pálida.&lt;br /&gt;Ossos aparentes, voluptuosos, descontentes.&lt;br /&gt;Cheiro forte de água-ardente, vazio entre os dentes,&lt;br /&gt;Olhos secos como sementes.&lt;br /&gt; E neste milharal sombrio, fétido e frio&lt;br /&gt;Deste olho escorre um rio de lágrimas&lt;br /&gt;Que se perdem entre as rugas ásperas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4772919031867664615?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4772919031867664615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4772919031867664615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4772919031867664615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4772919031867664615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/o-homem-o-campo.html' title='O homem, o campo...'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2756274981852833841</id><published>2007-09-26T13:23:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T14:09:14.883-07:00</updated><title type='text'>“A corrente e a liberdade”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Havia uma corrente atormentada jogada em uma calçada.. Ela, a corrente, sempre sonhou em ser uma corrente comum, destas que fecham portões e coisas parecidas, mas teve muito azar em seu oficio e sempre se ocupava de executar o papel das correntes do mal. O papel de aprisionar pessoas e animais. Seus traumas eram profundos, já havia acorrentado elefantes em um circo, já havia sido coleira de um tigre, enfim, já havia sido usada das maneiras mais penosas.  Agora o que ela queria mesmo era o merecido descanso após anos e anos de trabalho árduo. Sonhava em aposentar-se e ficar em um canto oxidando até morrer, pois já estava triste e sem forças para segurar qualquer frágil passarinho.&lt;br /&gt;Seis homens pardos viram-na jogada em uma rua, ela começou a ficar aflita, pois seus últimos donos não eram nada comuns Os seis homens saltaram sobre ela de uma forma voraz enquanto a pobre corrente retorcia-se de medo. Ela conseguiu escutar alguma coisa do que eles falavam, diziam que agora o protesto estava completo... Que todos iriam se sensibilizar com o drama dos sem-teto... Mas não conseguia entender o que planejavam aqueles homens.&lt;br /&gt;Eles levaram-na a frente de uma igreja, na verdade a maior igreja que ela já havia visto. E passaram-na por entre seus punhos e calcanhares. As pessoas começaram a se aproximar e perguntar o porquê da corrente. Então vieram jornalistas e fizeram reportagens, todos tiravam fotos da corrente enquanto a pobre corrente encolhia-se de vergonha por não estar acostumada aos flashs da badalação. Mas com o tempo acabou acostumando-se com o alvoroço, e arriscou até algumas poses para as fotos. Todos paravam e a admiravam, como se o seu papel não fosse acorrentar e sim libertar aqueles homens.&lt;br /&gt;Em tempos passados a corrente era muito triste, pois conseguia enxergar as lágrimas que escorriam dos olhos de quem estava sendo aprisionado. Sempre se sentia humilhada, pois os seus ideais eram libertários e todas as suas colegas correntes achavam hilária essa coisa de uma corrente ser libertária, mas ela não achava nada engraçado e evitava falar em ideais perto de suas companheiras de espécie. Havia tornado-se libertária quando serviu de algemas para um preso político, o rapaz era anarquista e levou consigo, para a cadeia, vários livros que tratavam do ideal anarquista. A corrente, por estar nos punhos do rapaz não pode evitar ler o que continha nas páginas destes livros, por isso acabou se tornando libertária.&lt;br /&gt;Por ironia do destino ela seria a primeira corrente a libertar ou pelo menos tentar libertar alguém. Até que a pedido do padre a policia foi até a igreja para retirar do local os seis homens. Houve muita violência, desse tipo que passa em programas policiais no rádio e na TV. A corrente quebrou no meio da confusão não pode ver o jornal do dia seguinte que estamparia em sua primeira página: “A corrente da liberdade”.  Infelizmente mesmo com a manchete de jornal os seis rapazes acabaram sendo presos, o que parece outra ironia do destino.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2756274981852833841?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2756274981852833841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2756274981852833841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2756274981852833841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2756274981852833841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/corrente-e-liberdade.html' title='“A corrente e a liberdade”'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4020434782020410583</id><published>2007-09-24T14:17:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T14:20:02.409-07:00</updated><title type='text'>Os elefantes</title><content type='html'>Disseram-me que são pesadas minhas palavras. E são sim, são como elefantes.&lt;br /&gt; Morto, morte, facínora, genocídio, chacina, carnificina...&lt;br /&gt;Vocês vêem os elefantes? Elétricos, infantes. Os meus elefantes não têm medo de vocês, ratos. Eles irão avante como nobres elefantes bastardos e sórdidos.&lt;br /&gt;Eles enfrentarão os abutres e não obedecerão aos leões.&lt;br /&gt;Oh, como são bravos meus elefantes.&lt;br /&gt;Levante elefante e crave teu marfim no calcanhar deste gigante.&lt;br /&gt;Espalhem sobre a relva ardente como a mente de quem os carrega.&lt;br /&gt;Oh, amargo elefante ardente, levante infante e mate o gigante!!!!!!!!&lt;br /&gt;Eu sobrevivi ao matadouro, e lá havia carniça, cachaça e assassinos.&lt;br /&gt; Agora desejam que sejam leves minhas palavras? Matem-me. Ou carreguem para sempre os elefantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4020434782020410583?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4020434782020410583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4020434782020410583' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4020434782020410583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4020434782020410583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/os-elefantes.html' title='Os elefantes'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2523861855938597133</id><published>2007-09-18T14:14:00.000-07:00</published><updated>2007-09-18T14:15:29.077-07:00</updated><title type='text'>O espelho</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Fiz uma construção concreta, em condições precárias.&lt;br /&gt;Minhas mãos calejadas construíram este horizonte,&lt;br /&gt;Pouco a pouco, par a par, devorando o cimento&lt;br /&gt;Que misturado com vento adoece o meu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhar esse que nada pode enxergar além destes tijolos,&lt;br /&gt;Vermelhos, rivais, pobres,&lt;br /&gt; Por serem mais iguais que nós...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2523861855938597133?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2523861855938597133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2523861855938597133' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2523861855938597133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2523861855938597133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/o-espelho.html' title='O espelho'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3336407265815515175</id><published>2007-09-16T10:11:00.000-07:00</published><updated>2007-09-16T10:12:30.272-07:00</updated><title type='text'>Nada de podre no estado capitalista me espanta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os jornais estamparam na suas primeiras páginas esta semana a absolvição do presidente do senado Renan Calheiros, este fato me chamou muito a atenção para a estupidez das pessoas.  Olhe quão tolo somos nós (do mundo, pois não é só aqui no Brasil que isto acontece.), como podemos aceitar que outras pessoas decidam por nós aquilo que nós devemos decidir?&lt;br /&gt;Coisas ilícitas acontecem todos os dias dentro das sedes políticas, são roubos, nepotismo, e todas as formas de benefícios que alguém que possui poderes pode fazer. E isto acontece em todas as cidades, mas só aparece quando o governante é inimigo político dos meios de comunicação. Estes senhores querem apenas adquirir latifúndios, imóveis, poder etc., eles nada tem haver com melhorias sociais. Que governo do povo porra nenhuma, todo governo seja ele de direita ou de esquerda precisa se centralizar para se manter. E quem está no centro? O povo? Os burgueses? No centro estão as corporações, as multinacionais do G7. Estas sim têm algum interesse em manter centralizado o poder dos países.&lt;br /&gt;Renan Calheiros não é nenhuma aberração, todos que estão no poder são como ele, inclusive este presidente estúpido que aceita ser manipulado para se manter no poder. Os piqueteiros do passado só queriam chamar atenção, alías todos aqueles que acreditavam realmente no que diziam foram esmagados, mortos ou boicotados por estes falsos personagens do teatro midiático. &lt;br /&gt;Todos nós possuímos um lado individualista e este lado se torna muito mais forte quando possuímos algum tipo de poder. Por isso não me espanta quando estes donos do poder são desmascarados. Qualquer pessoa que se torna poderosa usará isto a seu próprio favor e não a um favor social. O coletivo só se envolve no individuo quando se compartilha interesses em comum. A democracia é uma utopia quando se fala em igualdade, nunca existirá igualdade em um estado democrático, pois a elite sempre usará seu capital para proteger seus feudos.&lt;br /&gt;O caso do presidente do senado está em evidencia nos meios de comunicação porque certamente ele mexeu aonde não devia, no popular “colocou a mão na cumbuca” até parece que este não é macaco velho.&lt;br /&gt;Agora a elite “colocou as asinhas de fora” e está organizando um movimento chamado “Cansei”. Quando escuto a propaganda no rádio ou na TV começo a rir desta piada inventada pela ordem dos advogados, uma piada elitista que visa derrubar o que está péssimo para construir algo pior.  Para detectar que há algo de podre neste movimento basta escutar a propaganda, pois se a propaganda toca no rádio, um veículo a serviço das grandes corporações, já dá para imaginar o que está por vir. Dizer que estão do lado do povo é uma mentira sem tamanho, um movimento que tem o apoio da “Vaca Camargo”, faça-me o favor. Vocês se esqueceram que ela perguntou em seu programa de imbecilidades por que todo pobre tem o calcanhar rachado? Não preciso dizer mais nada a esse respeito, isto já basta neh?&lt;br /&gt;A organização da sociedade deve ser feita de forma direta, por cada comunidade. Assim haverá igualdade e liberdade.  O poder teve e tem até hoje o cuidado de marginalizar as idéias anarquistas, pois assim eles conseguem continuar explorando o corpo e mente de todos que vivem em um estado capitalista. Mas em todos que conseguiram limpar os olhos e enxergar o que está por traz deste espetáculo, há uma chama, uma chama que não se apagará nunca.&lt;br /&gt; Os novos tempos estão chegando, pois com a marginalização dos professores a classe dominante esta seguindo outras carreiras. Os cursos de licenciatura estão repletos de oprimidos, pessoas que sentem e sempre sentiram o que poder faz por pura ganância. A educação dentro de anos estará nas mãos de pessoas que almejam uma verdadeira mudança. Então será a hora em que a revolução começará, será a vez dos excluídos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3336407265815515175?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3336407265815515175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3336407265815515175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3336407265815515175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3336407265815515175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/nada-de-podre-no-estado-capitalista-me.html' title='Nada de podre no estado capitalista me espanta'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4665360386953580870</id><published>2007-09-15T19:01:00.000-07:00</published><updated>2007-09-15T19:02:06.845-07:00</updated><title type='text'>O engarrafamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era inevitável a pressa daquele ônibus, todos eram muito apressados. O ônibus sempre estava cheio, as pessoas conversavam coisas fúteis, assuntos de ônibus. Uns discutiam onde queriam ser enterrados, outros comentavam sobre a festa que iam no final de semana, mas no geral todos estavam muito preocupados com a hora.&lt;br /&gt;E o ônibus corta a cidade como um raio para logo chegar ao seu devido destino. Rasgando o vento, queimando o asfalto. Pouco a pouco saía da cidade, ao redor, só o distrito industrial. Já estávamos entrando na zona rural. As estrelas brilhavam no céu, não havia nenhuma nuvem. Só mesmo as estrelas e a lua. O calor era quase insuportável. O rapaz que se encontrava ao meu lado dormia um pouco, sua feição demonstrava cansaço, um repouso de vinte minutos em um ônibus superlotado pode ajudar muito a despertar do sono.&lt;br /&gt; O ônibus segue seu rumo normal, mas quando vira a direita e entra na rodovia, algo inesperado acontece. Ali estava um grande e belo engarrafamento. Os veículos apressados agora eram obrigados a manterem-se calmos, as pessoas apressadas que estavam no interior destes veículos eram obrigadas a permanecerem controladas. Algo acontecera há minutos atrás e quilômetros à frente.&lt;br /&gt;As pessoas começam comentar, especular sobre a causa do engarrafamento. Umas falam que provavelmente deve ter ocorrido um acidente, outras falam que o engarrafamento se deve há uma batida policial, mas todos demonstravam curiosidade. As cabeças contorciam-se para observar o que estava à frente de um ângulo melhor. Os corpos antes escondidos atrás das cadeiras agora estavam aparecendo pelo corredor do ônibus, em uma espécie de contorcionismo mágico. Qual seria o desfecho deste episódio? Ninguém saberia responder, mas todos esperavam algo sórdido, com muito sangue e com muitas fraturas.&lt;br /&gt;Os veículos caminhavam lentos, as luzes mais vistas já não são mais as luzes das estrelas e sim as luzes vermelhas das lanternas de freio. Um terrível suspense pairava na atmosfera do veículo, a curiosidade tomava conta de todos que ali estavam. A cada movimento que o ônibus fazia, maior era a curiosidade daquelas almas aflitas, sedentas de sangue.&lt;br /&gt;Aos poucos o mistério se desvendava, pois um guincho passa com um raio pelo acostamento. Começa novamente a especulação. Então quando menos se espera aparece no acostamento três carros, mas ao contrario do que todos pensavam não havia sangue, muito menos morte. Foi apenas um leve arranhão de apressados, coisas do dia a dia. Uma garota que estava ao meu lado disse em tom sarcástico se era por isso que sua viagem tinha atrasado tanto. Uma amiga desta garota disse:&lt;br /&gt; - Que saco, eu esperava muito mais! Questionei em meu pensamento o que queriam aquelas pessoas. Mas o acaso trouxe-me a resposta. Alguns metros a frente estava um corpo esticado, ensangüentado, de um homem que havia sido atropelado não por um, mas por vários veículos. Havia sangue e morte. O drama fica por conta de uma senhora que estava sendo segurada por civis, pois queria ir de encontro ao corpo, ou melhor,  de encontro ao resto de corpo. Deve ser a mãe do rapaz. Todos respiram aliviados, com uma espécie de sorriso interno não demonstrado pela coerência. O atraso valeu a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4665360386953580870?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4665360386953580870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4665360386953580870' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4665360386953580870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4665360386953580870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/o-engarrafamento_5572.html' title='O engarrafamento'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-2522372503078572059</id><published>2007-09-14T19:40:00.000-07:00</published><updated>2007-09-14T19:42:33.516-07:00</updated><title type='text'>A agulha</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A agulha fura o balão&lt;br /&gt;E acaba com a festa. Ainda não era a hora.&lt;br /&gt; - E agora? Gritou a mãe.&lt;br /&gt; - Agarra as crianças e junta os doces!&lt;br /&gt; - È, e faz sorteio.&lt;br /&gt; - Não! Dá briga.&lt;br /&gt; - È verdade, causa intriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então enfia a agulha no cú do cuzão que furô o balão!!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-2522372503078572059?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/2522372503078572059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=2522372503078572059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2522372503078572059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/2522372503078572059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/agulha.html' title='A agulha'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-4523741357248157237</id><published>2007-09-12T14:23:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T14:24:13.610-07:00</updated><title type='text'>Alva</title><content type='html'>Alma alveje meus sentidos,&lt;br /&gt;Almeje o que é digno, a alma libertária.&lt;br /&gt;A alma é multi, mas nós a mutilamos.&lt;br /&gt;A partimos em pedaços e deixamos os destroços&lt;br /&gt;No retorno ao lar. E por falta de ar&lt;br /&gt;Os pedaços vão morrendo aos poucos,&lt;br /&gt; Sofrendo a falta da mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-4523741357248157237?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/4523741357248157237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=4523741357248157237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4523741357248157237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/4523741357248157237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/alva.html' title='Alva'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8154784108569775670</id><published>2007-09-12T14:15:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T14:22:11.688-07:00</updated><title type='text'>A FAXINA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lia era uma garota que esboçava simplicidade, carregava o mundo nas costas. Casou-se cedo com seu primeiro namorado e às vezes se trancava no banheiro para chorar. Seu marido, Aroldo estava sempre fatigado devido a seu trabalho árduo e penoso. Ele trabalhava em uma empresa muito antiga, seu patrão era um tanto ranzinza e às vezes procurava motivos para açoitar-lo com horas extras e com trabalhos árduos que não eram sua obrigação. Mas apesar desta vida monótona Lia sentia-se feliz ás vezes, e vazia quase sempre.&lt;br /&gt;Lia e seu esposo, moravam em uma casinha alugada na periferia de São Paulo. Era uma casa simples sem grandes luxos, um quintal, uma sala, um quartinho e um banheiro. Se analisarmos sua beleza do ponto de vista da construção, seria uma casa demasiadamente feia, mas Lia cuidava da casa de tal forma que ela ficava muito aconchegante.&lt;br /&gt;Aos sábados Lia fazia faxina, tirava os móveis do lugar, jogava água para lá e para cá enquanto Aroldo dormia, pois ele tinha o costume de dormir um pouco mais no sábado devido ao cansaço da semana de trabalho. Todos os sábados quando ele acordava a casa estava de pernas para o ar. Então calmamente sentava-se em sua poltrona e começava ler alguma coisa. A casa desarrumada era uma tortura para Aroldo, pois como já disse a construção onde o casal morava era demasiadamente feia e ele se sentia culpado por não poder dar mais conforto a Lia. Aos sábados quando Aroldo acordava logo no primeiro passo para fora do quarto, ele já esbarrava em algum móvel no caminho, o aparador ou o sofá. Irritava-se extremamente com isso, mas quando via que Lia estava trabalhando duro na faxina calava-se e fingia que nada o aborrecia.&lt;br /&gt;Certa noite Aroldo se atrasou um pouco no trabalho e chegou em casa três horas atrasado. Logo ao abrir a porta de sua casa sentiu um forte cheiro, mas logo reparou que Lia havia feito à faxina. Sentiu uma leveza no coração por saber que sábado não iria ser incomodado em seu descanso. Foi ao banheiro, pois estava um pouco apertado e gritou para que Lia trouxesse uma toalha, pois queria tomar banho. Reparou que Lia não o respondia e foi até o quarto ver se ela realmente estava em casa.&lt;br /&gt;Quando abriu a porta do quarto se deparou com Lia morta em cima da cama. Seus lábios que outrora sempre estavam cheios de batom agora estavam azuis, sua pele estava pálida e seus olhos abertos davam impressão que ela olhava no fundo dos olhos de Aroldo. Ao seu lado havia uma carta que Aroldo logo tomou a mão, na carta estavam escritas as seguintes palavras:&lt;br /&gt;Aroldo,&lt;br /&gt;Fiz a faxina. Queria poder lhe dizer palavras bonitas neste momento, mas a verdade é que foi você quem me matou com essa sua apatia. Espero que você morra, Verme.&lt;br /&gt;Ele sentou-se ao lado da cama e começou a chorar. De repente um escaravelho entrou no quarto e pousou bem próximo a Aroldo. Ele permaneceu minutos olhando o escaravelho e em um segundo lançou sua mão sobre o animal. Ficou observando-o por horas, sem ao menos piscar. Guardou o escaravelho no bolso da calça e foi até a rua respirar um pouco.&lt;br /&gt; -Agora que Lia tá morta quem eu vou amar? Aquilo que eu mais desejo é estar perto de Lia, mas aquilo que ela me disse na carta...  Talvez eu seja um frouxo mesmo! Eu acreditava na nossa felicidade, acreditava mesmo. Mas agora ela tá morta.&lt;br /&gt;Aroldo levou a mão até o bolso pegou o escaravelho e começou a beijá-lo. Fez declarações de amor a ele e disse que eles seriam realmente felizes. Caminhou por todas as ruas do bairro com o escaravelho na mão, mostrando o bairro para o seu novo companheiro. Até que a noite veio e Aroldo resolveu voltar a casa para decidir o que iria fazer com o que restou de Lia.&lt;br /&gt;Ao chegar à sala de estar da casa Aroldo se deparou com uma barata e se lembrou que lia morria de horrores quando via alguma. Rapidamente Aroldo se apossou da pobre criatura e a levou até ao quarto onde Lia se encontrava. Passou à barata nos lugares mais íntimos de Lia, sentia-se feliz fazendo isso. Para ele era como uma vingança pelo abandono. Então em um súbito instante ele abriu a boca de Lia e depositou a barata ali. Se preocupou em segurar o maxilar forçosamente por uns instantes para se assegurar que a boca não iria se abrir.&lt;br /&gt;A figura de Lia não saia da cabeça de Aroldo, ele caminhava pela casa, pela rua e nada fazia aquela figura sumir de sua mente. Chegou até pensar estar sendo assombrado por Lia.&lt;br /&gt; - Agora que a Lia tá morta eu vo te que dá um jeito na minha vida, pensou. Aquilo que a Lia mais queria era viajar. Talvez eu vá viajar? Não, melhor não, iriam pensar que fui eu quem a matou. Pega o escaravelho e se dirige para o quintal da casa.&lt;br /&gt;No quintal havia lixo e em algumas partes onde o concreto cedia havia pequenos ramos de mato. Para Aroldo nada mais fazia sentido, tudo em que ele acreditava havia desabado junto com Lia. Passaram-se dias e noites Aroldo ainda se encontrava ali imóvel, intacto. Seu rosto já não mais esboçava alguma expressão ou sentimento. Mas por todo este tempo ele manteve o escaravelho ali, em sua mão, por mais que este tentava soltar-se Aroldo o apertava cada vez mais até que o bichinho desistisse. Quando Aroldo acordou da sua meditação profunda reparou que o escaravelho não lutava mais.&lt;br /&gt; - Oh, não! O que fiz agora Deus! O que fiz com esta pobre criatura. O que faço eu sem ela? O que farei? Agora que sinto o gosto do sangue, o gosto do fel. Por que fazes isto comigo, monstro? O que fiz para merecer isto? Gritou Aroldo em tom de súplica.&lt;br /&gt;Ele levanta-se e corre até a rua, mas quando está próximo à esquina de sua casa Aroldo resolve voltar para acertar as contas com Lia. Entra na casa mais eufórico do que estava quando saiu e dirige-se para o quarto da defunta.&lt;br /&gt;O cheiro do corpo já estava começando a surgir no ambiente e se encontrava da mesma forma como Aroldo havia deixado. Ele se aproximou da cama onde se encontrava o corpo, se abaixou ao pé da cama e ficou observando o corpo e todo o quarto que havia sido o cenário da alegria passada. Permaneceu imóvel por dois dias. No final do segundo dia se levantou e sentou-se ao lado do corpo.&lt;br /&gt;Ele tomou o escaravelho à mão e por alguns instantes observou-o, algumas lágrimas escorreram pelo rosto de Aroldo. Mas em um instante de fúria Aroldo arrancou o olho esquerdo de Lia e em seu lugar depositou o escaravelho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8154784108569775670?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8154784108569775670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8154784108569775670' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8154784108569775670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8154784108569775670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/faxina.html' title='A FAXINA'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-7222363960363569597</id><published>2007-09-12T13:43:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T13:49:27.372-07:00</updated><title type='text'>Um cacto</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;O cacto caiu do vaso.&lt;br /&gt;O pacto então foi traído.&lt;br /&gt;Já não está mais intacto ou apto a ser cacto.&lt;br /&gt;O fato é que, cacto careca não funciona,&lt;br /&gt;Pois é da sua aptidão espinhar quem se aproxima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-7222363960363569597?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/7222363960363569597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=7222363960363569597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7222363960363569597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/7222363960363569597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/um-cacto.html' title='Um cacto'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-1980987369787639088</id><published>2007-09-10T19:38:00.000-07:00</published><updated>2007-09-10T19:39:52.353-07:00</updated><title type='text'>Caça as pulgas.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde quarta-feira, 15 de agosto, seis sem-tetos se acorrentaram em frente à Igreja Matriz de Itapecerica da Serra para pressionar o prefeito Jorge Costa e os vereadores a cancelarem a liminar de despejo para o terreno da Vila Calu e transferir a área para o programa CDHU - Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano -, conforme estabelecido em negociações entre o movimento e governo estadual e federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis, este era o numero deles, seis sem-tetos. Acorrentados uns aos outros, formando um cordão humano ou subumano. O que queria passar aquela meia dúzia? Será a indignação de quinhentos anos de escravidão, de servidão? Será que eles querem alguma indenização? Pressionar os vereadores e o prefeito não é motivo para se acorrentar. Acho mesmo que eles desejam ser reescravizados. Assim certamente terão um lugar onde dormir, algo para comer, trapos para vestir.&lt;br /&gt;Algumas pessoas certamente deram boas gargalhadas com o desespero daqueles homens, fizeram piadinhas de mau gosto etc. Isso por que certamente nunca passaram fome, frio, nunca tiveram que tomar banho na rua com água gelada. Esses homens nada mais tinham a perder, certamente não tinham um emprego, pois nenhum patrão empregaria alguém que não tem um endereço.&lt;br /&gt;Para o prefeito e os vereadores pouco importa se estes pobres coitados estão acorrentados ou não. Isso não muda o rumo normal das coisas, pelo menos na vida destes nobres senhores que vivem a serviço da justiça. Justiça essa que enclausura famintos que por não ter o que comer pegaram um feijão sem pagar.&lt;br /&gt;O nosso coração gelado já não se sensibiliza mais com esse tipo de atitude, isso que corre em nossas veias é tão gelado quanto nosso coração. Talvez seja por isso que as pulgas e os carrapatos prefiram habitar o corpo dos mendigos, pois estes sabem o que é o amor verdadeiro, a felicidade verdadeira. Que não é encontrada nas prateleiras dos shoppings que freqüentamos.&lt;br /&gt;Imagino que se estes pobres escolhessem outro caminho para demonstrar sua indignação, se eles se armassem e partissem para um confronto na prefeitura. Certamente seriam mais escutados do que agora, acorrentados.&lt;br /&gt;Isso me faz lembrar que talvez eles estejam tentando mostrar aquilo que esta oculto na sociedade, as correntes. Todos nós estamos presos a dogmas, preconceitos, a culpa cristã etc., mas não enxergamos as correntes que nos aprisiona por que não é conveniente enxergar (a conveniência é outra corrente).  Portanto talvez estes pobres senhores sejam nobres salvadores da humanidade. Estes homens, não podemos subestimá-los, pois ao menor descuido estamos atrasados no raciocínio lógico que tiveram quando elaboraram esse protesto.&lt;br /&gt;Eu acho que vou ir morar na rua para aquecer um pouco meu coração. Vou sair em uma caçada, na caça as pulgas. Aquecer meu sangue novamente é uma ótima idéia. Imagine na manchete do jornal:&lt;br /&gt;A mais nova descoberta da ciência pulgas e carrapatos são um sinal de felicidade. Talvez estes homens sejam visionários e estejam à frente do nosso tempo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-1980987369787639088?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/1980987369787639088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=1980987369787639088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1980987369787639088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/1980987369787639088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/caa-as-pulgas.html' title='Caça as pulgas.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8295304678013333115</id><published>2007-09-09T19:53:00.000-07:00</published><updated>2007-09-09T19:55:45.983-07:00</updated><title type='text'>Ritus</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Massacre de etnias, estupro de um sexo, amor violado...&lt;br /&gt;Sangue, dor, Deus contra o Diabo... Violação de vidas.&lt;br /&gt;Queimaram-nos, mas agora retornamos em matéria.&lt;br /&gt;Ritus sinto dor no peito, falta d’alma, instinto de vingança.&lt;br /&gt;Mentes deturpadas, mentiras contadas, anjos inversos, perversidade retórica.&lt;br /&gt;Entrego-me ou mato-me?&lt;br /&gt;Queimaram as bruxas e ninguém mais dança ao redor da fogueira.&lt;br /&gt;Negue! Negue que por proclamar a verdade inocentes foram mortos,&lt;br /&gt;A chaga, o desespero, uma frágil alma violada por mentiras.&lt;br /&gt;Entrego-me ou mato-me?&lt;br /&gt;Não!!!!!!! Ainda há uma chama acesa em meu coração,&lt;br /&gt;Um grito surdo de desespero, um levante de espírito.&lt;br /&gt;A intifada da alma contra matéria, mas o corpo assassinou o espírito,&lt;br /&gt;O corpo assassinou o espírito.&lt;br /&gt;E o que me resta? O que me resta????????&lt;br /&gt;O corpo pouco a pouco fez espírito se transformar em um nada,&lt;br /&gt;A matéria tomou posse do instinto,&lt;br /&gt;O sórdido corpo sempre embriagado de soberba ama-se,&lt;br /&gt;Invade o espaço d’outro por mero prazer, por fetiche.&lt;br /&gt;A dor corrói a minh’alma e sussurra em meu ouvido:&lt;br /&gt;Dance ao redor da fogueira, destrua o paraíso ilusório, a cegueira...&lt;br /&gt;Bruxas, anjos caídos, espíritos usurpados...&lt;br /&gt;Dancem!!!!!!!Dancem!!!!!!&lt;br /&gt;Dançaremos em volta da fogueira e queimaremos toda matéria provinda da exploração,&lt;br /&gt;Desvendaremos a verdade e enfim seremos livres.&lt;br /&gt;Não lhe entregarei lágrimas, prefiro ver meu sangue escorrer.&lt;br /&gt;Destruirei o culto de seus mitos, proclamarei a sua queda, dançarei sobre suas ruínas.&lt;br /&gt;Nem demônios, nem deuses, apenas ódio por amor.&lt;br /&gt;Rituais celebrados por reencarnados, voltei para vingar-me.&lt;br /&gt; Por séculos estive de luto, mas agora estou em guerra.&lt;br /&gt;Não me entrego, nunca o farei, não obedeço a ti, nunca o farei.&lt;br /&gt;E eu, quem sou eu??????????&lt;br /&gt;Eu sou a vingança da aldeia destruída, da criança na lavoura, da estuprada, da extirpada, da senzala, do servo, do retirante, do miserável...&lt;br /&gt;Estendo minha mão a todos que desejam lutar, a todos que desejam envoltar a fogueira e evocar a queda do opressor, a todos os usurpados, renegados da discórdia.&lt;br /&gt;Vinguem! Vinguem! Enterrem a lança no peito do imperador.&lt;br /&gt;Queimem! Queimem! Nossas fogueiras serão feitas com suas mentiras e com suas fortunas.&lt;br /&gt;Das lagrimas fiz o ódio, na loucura detectei a verdade,&lt;br /&gt;Minha pobreza vem de sua exploração, mas o que é pobreza afinal?&lt;br /&gt;A dor e as lágrimas me tornam mais forte,&lt;br /&gt;Eu sou o ódio!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;Os excluídos dançarão juntos sobre as cinzas de seu império,&lt;br /&gt; Pois ele foi construído com nosso suor.&lt;br /&gt;A guerra é necessária, pois a paz só existe quando o oprimido se cala ou é jogado na vala!!!&lt;br /&gt; Mas esta noite o oprimido não mais se calará, gritará refrões de punhos erguidos e com armas nas mãos.&lt;br /&gt;O ritual segue e mantém nossos corações vivos, não enterraremos nossas almas!!!!!!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;Anjos inversos de armas nas mãos destruindo a ilusão do paraíso cristão.&lt;br /&gt;O medo já não nos cala,&lt;br /&gt;A guerra está proclamada!&lt;br /&gt;Anjos inversos de armas nas mãos destruindo a ilusão do paraíso cristão.&lt;br /&gt;O inferno é a exclusão.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8295304678013333115?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8295304678013333115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8295304678013333115' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8295304678013333115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8295304678013333115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/ritus.html' title='Ritus'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3657272469983655047</id><published>2007-09-03T13:56:00.000-07:00</published><updated>2007-09-03T14:01:00.837-07:00</updated><title type='text'>Quando chega a colheita</title><content type='html'>Enfim na porta do seu reino, trago aqui dentro  de mim noticias ruins.&lt;br /&gt;Há uma duvida que tira de mim a paz.&lt;br /&gt;Devo então ser perseguido pelo sonho indevido?&lt;br /&gt;O que há em mim então, o que há em nós então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre estive na tormenta, mas nenhuma foi tão agourenta.&lt;br /&gt;Traz para mim a tua paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim por insatisfação, peso em meu coração.&lt;br /&gt;Tenho noticias ruins, tenho noticias ruins.&lt;br /&gt;Eu cansei de ser diabo, tolo, infame e sedentário.&lt;br /&gt;Mas minha alma não, por mim peço perdão, mas por ela não.&lt;br /&gt;Pois ela não se cansa e nem cansará, tem prazer em ver sofrer.&lt;br /&gt;Em ver e em fazer sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quer filho pagão? Alma minha não posso te perder.&lt;br /&gt;O que quero é o perdão, vindo de seu coração.&lt;br /&gt;Pode me conceder? Pode me conceder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alma viva, corpo morto.&lt;br /&gt;Por que traz esse desgosto, pois se de tudo eu te dei?&lt;br /&gt;Mas eu tenho a solução, posso lhe dar o perdão se me der teu coração,&lt;br /&gt;Pode confiar em mim?&lt;br /&gt;Em meu peito há um vazio, tão opaco e sombrio.&lt;br /&gt;Me soou como uma provocação:&lt;br /&gt;“Vindo de seu coração”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então corta a carne, algoz.&lt;br /&gt;Monstro infame e feroz,&lt;br /&gt;O que irá sobrar de mim?&lt;br /&gt;Restará sangue e vazio, e seu peito tão viril ficará seco e frio.&lt;br /&gt;Toma porque é sangue teu, vê como a alma sorri?&lt;br /&gt;Tens então o teu perdão.&lt;br /&gt;Olha! Pulsa em minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não tens mais coração, volta a ser diabo então.&lt;br /&gt;E lhe concedo o perdão.&lt;br /&gt;Não há mais o que pesar, não há mais onde doer,&lt;br /&gt;O teu coração é meu, tua alma minha.&lt;br /&gt;És diabo e fadado a arder com ferro e fogo&lt;br /&gt;O corpo e a alma dos que querem ser como tu, ingrato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3657272469983655047?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3657272469983655047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3657272469983655047' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3657272469983655047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3657272469983655047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/09/quando-chega-colheita.html' title='Quando chega a colheita'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-3458677660917137159</id><published>2007-08-27T19:46:00.001-07:00</published><updated>2007-08-27T19:46:58.306-07:00</updated><title type='text'>Eva, mas não da costela. Aquela que anda atrás.</title><content type='html'>Apenas as fezes fazem olho sussurrar&lt;br /&gt;Ou até mesmo espirrar (dependendo da paixão).&lt;br /&gt;Se vão, escorregando pelo toboagua.&lt;br /&gt;Esvaziando o corpo,&lt;br /&gt;Adornando o rosto com uma espécie de sorriso.&lt;br /&gt;E o rosto não se contém&lt;br /&gt;Esboça o alívio, a pureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenas escorre do olho&lt;br /&gt;Adornando o toboagua, esvaziando, oferecendo alívio.&lt;br /&gt;A limpeza se vai. Espirra do corpo em forma de fezes.&lt;br /&gt;O rosto esboça um sussurro, uma espécie de martírio.&lt;br /&gt;O corpo demonstra aversão ao filho,&lt;br /&gt;Mas o olho escancara um sorriso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-3458677660917137159?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/3458677660917137159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=3458677660917137159' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3458677660917137159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/3458677660917137159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/08/eva-mas-no-da-costela-aquela-que-anda.html' title='Eva, mas não da costela. Aquela que anda atrás.'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5810519203523187518.post-8797130003323433030</id><published>2007-08-24T21:00:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T21:02:02.720-07:00</updated><title type='text'>Você não consegue viver sem governo?</title><content type='html'>Moramos em um país de terceiro mundo. Um país manipulado pelo imperialismo das grandes corporações. Esta “nação” tem um pouco mais de quinhentos anos, entre golpes de estado, ditadura, democracia etc., nós sobrevivemos. Apenas sobrevivemos, pois viver mesmo só antes de 1500, após esta data este país foi invadido por correntes, chibatadas, grades, torturas, escravidão, etc. E tudo em nome da ganância do clero e da coroa portuguesa. Escravizaram nossos nativos e assasinaram-os. Este chão em que pisamos hoje no passado foi banhado com o sangue de inocentes que acreditaram na bondade humana vinda de um povo que se dizia civilizado. &lt;br /&gt;Já tivemos quase todos os tipos de organização autoritária, e o que ganhamos com isso? Nos tempos da ditadura houve uma organização a favor dos explorados por parte dos comunistas, alguns poucos que lutavam enfrentavam uma maré direitista, mas a mídia neste país obedece às ordens da casa branca. E esta mídia conduzida para aumentar a prosperidade americana manipulou as informações para fazer do comunismo um inimigo do povo.&lt;br /&gt;Vale a pena lembrar que o que aconteceu em alguns países como Cuba e União Soviética não foram nenhuma vertente do comunismo e sim uma demonstração do socialismo autoritário, mas afirmo que os valores criados por este socialismo (apesar de ser uma ditadura como qualquer uma outra) foram melhores do que os valores criados no capitalismo, pois o capitalismo transforma tudo em mercadoria, inclusive humanos.&lt;br /&gt;O socialismo é um governo dos trabalhadores, mas ele infringe a liberdade de todos que fazem parte do estado socialista em questão. A dominação é a essência do socialismo, mas é uma dominação moderada, pois ela está do lado da maioria, a classe trabalhadora. No entanto até esta classe é dominada com horários a cumprir, deveres a exercer etc.&lt;br /&gt;A mídia forma a opinião do povo como já citei acima, e a opinião que ela está incumbida de formar agora é a de que para mantermos uma relação em comunidade precisamos de um governo, ou seja, de líderes que decidam o que devemos fazer com nossas vidas, pessoas com o dever de decidir por nós. Estas pessoas só podem enxergar a sua realidade, como nós só podemos enxergar a nossa realidade. O poder elege o governo para continuar se alimentando do sangue dos excluídos, a prova disso é que um governante eleito seja ele da chamada esquerda ou da direita precisa se centralizar para conseguir alguma coisa, pois de um lado está o povo, a maioria, e do outro está às corporações, o investimento. Se o governo de um estado capitalista não se centraliza provavelmente ocorrerá um golpe de estado financiado pela grande potencia mundial.&lt;br /&gt;Na verdade a questão não é de pessoas mal intencionadas ou bem intencionadas para governar, a questão é o governo em si, a instituição estado. Se a melhor e mais feliz pessoas do mundo tiver algum tipo de poder sobre as outras pessoas, ela irá se aproveitar da situação a seu favor e se beneficiar com isso. O governo é a negação da comunidade e da individualidade de cada um, pois todos nós somos engolidos pela imensa maioria manipulada pela mídia corporativa. O individuo tem valores separados da sociedade é um erro pensar que apenas o estado ou a sociedade estão certos em seus julgamentos. Como é um erro pensar que o individuo pode fazer o que quer e quando quer. A vida social é necessária, é um instinto da raça humana. Portanto não podemos infringir a liberdade de nossos irmãos, quando estamos no convívio social e quando nossas ações podem influir na sociedade devemos decidir em sociedade, mas caso o contrário não.&lt;br /&gt;Uma sociedade não precisa de um governo para decidir por ela, ela pode decidir por meio de conversas e discusões. Sem lideres, sem pessoas que façam aquilo que nós deveríamos fazer que é decidir os assuntos que tem a ver com a nossa vida. Não precisamos de governo, governo e os governantes são a prova viva de que a democracia é uma ilusão, pois a liberdade de uns é a prisão de outros.  A igualdade só virá quando estivermos libertos.&lt;br /&gt;QUEDA AO GOVERNO!&lt;br /&gt;MORTE AOS GOVERNANTES!&lt;br /&gt;LIBERDADE PLENA É O AMOR VERDADEIRO, O AMOR A SI MESMO. NÃO SEJA ENGOLIDO PELA SOCIEDADE!&lt;br /&gt;LUTE POR IGUALDADE!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5810519203523187518-8797130003323433030?l=kultur-volya.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kultur-volya.blogspot.com/feeds/8797130003323433030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5810519203523187518&amp;postID=8797130003323433030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8797130003323433030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5810519203523187518/posts/default/8797130003323433030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kultur-volya.blogspot.com/2007/08/voc-no-consegue-viver-sem-governo.html' title='Você não consegue viver sem governo?'/><author><name>certas palavras</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
